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Capital

Fundador “conta” que é Jozé “com Z” e corrige data de nascimento da Capital

Ele ganhou vida em texto de Edson Contar, seu bisneto, e vem do passado para nos dizer algumas verdades

Por Aline dos Santos | 18/08/2026 15:15
Fundador “conta” que é Jozé “com Z” e corrige data de nascimento da Capital
Família de Jozé Antônio Pereira, em foto produzida por IA com base em monumento dedicado a ele

Fundador de Campo Grande, Jozé Antônio Pereira (calma, você não leu errado, a grafia é com Z mesmo), ganhou vida em texto de Edson Contar, seu bisneto, e vem do passado para nos dizer sobre seu nome, de histórias da então “parochia” elevada à vila e até pedir uma reforminha no seu museu, que anda a precisar de reparos.

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Bisneto do fundador de Campo Grande, o jornalista Edson Contar escreveu crônica em que Jozé Antônio Pereira, com grafia original com Z, narra sua própria história. O texto alerta que o dia 26 de agosto marca a emancipação político-administrativa da cidade, em 1899, e não sua fundação, ocorrida em 21 de junho de 1872, há 154 anos. O fundador também pede reparos no museu dedicado a ele, na fazenda Bálsamo.

Edson é jornalista, turismólogo, poeta, compositor e roteirista. O primeiro alerta defendido no artigo de Edson é sobre o que de fato representa a data de 26 de agosto de 1889, no longínquo 11º ano da República do Brasil.

“Antes que comecem pipocar manchetes dizendo dos 127 anos de ‘fundação’, lembro aos mais desavisados que serão 127 anos de Emancipação Político-administrativa de Campo Grande, pois de fundação já passaram os 154 anos”.

Na crônica, é o “bisa” de Edson Contar quem conta a história. “Meu nome verdadeiro é Jozé (com Z mesmo), embora os historiadores teimem em me chamar de José. Não se dão ao trabalho de pesquisar nem mesmo no cartório, onde tem minha assinatura como Juiz de Paz, nos primeiros livros de casamentos. Tanto fizeram que acabei virando José. Só não gosto quando insistem, ao festejar o 26 de agosto, como sendo aniversário da ‘fundação’, ignorando que a data marca apenas a elevação da paróquia à condição de município, ocorrido na citada data, no ano de 1899, portanto, vinte e sete anos depois da fundação”.

Neste capítulo, surge um documento histórico: a Resolução 225, de 26 de Agosto de 1899, registrada no Palácio do Governo em Cuiabá (capital de Mato Grosso uno). A paróquia de Campo Grande, grafada como parochia há 127 anos, foi elevada à categoria de vila.

Fundador “conta” que é Jozé “com Z” e corrige data de nascimento da Capital
Resolução 225, de 26 de Agosto de 1899, registrada no Palácio do Governo em Cuiabá. (Foto: Reprodução)

O coronel Antônio Pedro Alves de Barros, presidente do Estado de Mato Grosso “fez saber” que a Assembleia decretou e ele sancionou a elevação de Campo Grande para vila, se tornando um município na comarca de Nioaque.

O nascimento em 1872 – “Fundei um arraial, quando aqui cheguei no dia 21 de junho de 1872, em companhia do meu filho Antônio Luiz e os camaradas João e Manoel Ribeira, além de Luiz Pinto, contratado pra nos guiar nestes sertões da província de Mato Grosso. Vim de Monte Alegre MG, onde residi por muitos anos, até minha vinda para o sertão. Nasci em 1825, na cidade de Barbacena MG e casei-me com Maria Carolina de Oliveira, em São João Del-Rey, com a qual tive 8 filhos”.

Num comparativo com 2026, a crônica lembra as lembranças do fundador que se espalham pela cidade. “Homenagearam-me com bustos, obeliscos, prédio e rua com meu nome, e até um museu com minha história construíram na sede da fazenda bálsamo, herdada por minha neta Carlinda Pereira Contar, cujo local está a merecer reparos. E foi graças a lembrança de um jovem vereador (Carlos Henrique Santos Pereira) que tornei-me cidadão (mais de cem anos depois) da cidade que fundei”.

Na despedida, um agradecimento. “Obrigado a todos que, ao longo destes 154 anos, desde o dia em que aqui finquei o primeiro rancho, participaram e participam de minha história, ampliando e colorindo meu sonho de desbravador ou aventureiro, como queiram chamar-me”.

Fundador “conta” que é Jozé “com Z” e corrige data de nascimento da Capital
Cópia do livro de casamentos do cartório Santos Pereira , quando o fundador foi juiz de paz. (Foto: Reprodução)