Embrapa em Campo Grande ajuda a identificar nova bactéria que afeta bovinos
Descoberta ampliar o conhecimento sobre doença capaz de comprometer a visão dos animais

RESUMO
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Uma descoberta científica com participação direta de pesquisadores de Mato Grosso do Sul pode ajudar a compreender melhor uma das principais doenças oculares que atingem os rebanhos bovinos. Análises realizadas também nos laboratórios da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, contribuíram para a identificação de uma nova espécie de bactéria associada à ceratoconjuntivite infecciosa bovina, popularmente conhecida como “mal do olho”.
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Batizada de Moraxella tarda, a bactéria foi encontrada em bovinos da raça Hereford que apresentavam sinais iniciais da doença. A identificação é resultado de um trabalho integrado entre unidades da Embrapa no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
As primeiras coletas de campo foram realizadas pela Embrapa Pecuária Sul, no Rio Grande do Sul. Depois, a investigação avançou para análises bioquímicas, fisiológicas e genômicas desenvolvidas nos laboratórios da Embrapa Gado de Leite, em Minas Gerais, e da Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande.
Foi esse trabalho conjunto que permitiu aos pesquisadores detalhar a estrutura genética do microrganismo e identificar diferenças em relação a espécies já conhecidas pela medicina veterinária, como a Moraxella bovis e a Moraxella bovoculi.
A participação da unidade de Campo Grande aproxima a descoberta da realidade de Mato Grosso do Sul, Estado que tem na pecuária bovina uma das bases de sua economia. Com um dos maiores rebanhos do País, problemas sanitários capazes de afetar o desenvolvimento, o bem-estar e a produtividade dos animais têm impacto que ultrapassa as propriedades rurais.
Doença pode comprometer a visão
O chamado “mal do olho” provoca inflamação nos olhos dos bovinos e pode começar com lacrimejamento, irritação e sensibilidade à luz. Conforme a doença avança, podem surgir lesões e opacidade da córnea. Nos casos mais graves, há risco de comprometimento permanente da visão.
Embora normalmente não provoque a morte do animal, a enfermidade pode causar prejuízos ao produtor. Dor e dificuldade para enxergar interferem na alimentação e no desenvolvimento dos bovinos, além de gerar despesas com medicamentos, manejo e tratamento.
A identificação da nova espécie acrescenta uma peça importante a um quebra-cabeça que ainda desafia pesquisadores. A presença da Moraxella tarda em animais com sinais da doença estabelece uma associação, mas ainda são necessários estudos para determinar exatamente qual é o papel da bactéria no desenvolvimento da ceratoconjuntivite.
Essa cautela é importante. A descoberta não significa, até o momento, que a nova espécie seja necessariamente a responsável pelo “mal do olho”. O avanço está em ampliar o conhecimento sobre os microrganismos presentes nos animais afetados e permitir que novas pesquisas investiguem sua participação na doença.
Para a pecuária, quanto mais preciso for esse mapa microbiológico, maiores são as possibilidades de aperfeiçoar diagnóstico, prevenção e tratamento. E, nesse trabalho, Campo Grande entrou no mapa da descoberta científica, com a Embrapa Gado de Corte participando das análises que ajudaram a identificar uma bactéria até então desconhecida pela ciência.

