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Gestões anteriores gastaram mais e estocaram uniformes, rebate prefeitura

Em 2016, município pagou R$ 8,6 milhões a fornecedores de roupas para alunos da Reme; neste ano, 85 mil peças foram encontradas no estoque da Semed

Por Anahi Zurutuza | 27/03/2017 19:29
À esquerda, uniforme que será entregue neste ano e mais a direita, roupas que foram distribuídas no ano passado; em 2016, jaquetas também foram compradas (Foto: PMCG/Divulgação)
À esquerda, uniforme que será entregue neste ano e mais a direita, roupas que foram distribuídas no ano passado; em 2016, jaquetas também foram compradas (Foto: PMCG/Divulgação)

Há anos os uniformes escolares tem sido motivo de polêmica, pela demora na entrega em 2013, 2014 e 2015 e no ano passado, até a qualidade de bermudas “made in Paraguai” foi questionada. As administrações municipais anteriores foram alvo do MPE (Ministério Público Estadual) por conta da “desorganização” na compra das peças.

Fato é que além de gastarem mais, gestões antecessoras à de Marquinhos Trad (PSD) não entregaram parte dos uniformes comprados para alunos da Reme (Rede Municipal de Ensino).

Em 2016, conforme apuraram técnicos da prefeitura por determinação do prefeito, o município, sob o comando de Alcides Bernal (PP), pagou R$ 8.617.996,12 a três fornecedores de uniformes – a Nilcatex Têxtil, a Odilara Frassão Calçados Eireli e a Triunfo Comércio e Importação Ltda.

Ao contrário do que foi publicado pelo Campo Grande News neste fim de semana, portanto, Bernal gastou R$ 800 mil a mais que Marquinhos com os uniformes.

De acordo com publicação do Diogrande, no ano passado, a prefeitura havia desembolsado R$ 3,8 milhões na compra de camisetas, bermudas e calçados. Contudo, segundo notas apresentadas pela atual administração municipal, outros R$ 4,7 milhões foram pagos a fornecedores de jaquetas de helanca e tactel, além de blusões de moletom.

Durante entrega de uniformes, na manhã de hoje, Marquinhos denunciou que há 85 mil roupas no estoque da Semed (Foto: Yarima Mecchi)
Durante entrega de uniformes, na manhã de hoje, Marquinhos denunciou que há 85 mil roupas no estoque da Semed (Foto: Yarima Mecchi)
Comprovante de pagamento feito a Nilcatex (Foto: PMCG/Divulgação)
Comprovante de pagamento feito a Nilcatex (Foto: PMCG/Divulgação)

Desperdício – Na manhã desta segunda-feira (27), durante a entrega de parte das peças adquiridas neste ano para 98,5 mil estudantes da Reme, o prefeito denunciou que 85 mil peças de uniformes antigos estão no estoque da Semed (Secretaria Municipal de Educação). O chefe do Executivo municipal disse ainda que pediu uma auditoria e que vai acionar os órgãos competentes.

Um dos contratos com a Nilcatex, para a compra de jaquetas de tactel, foi fechado em 2015. Conforme apurou a prefeitura, foram pagos a empresa R$ 4.012.950,00 por 93 mil peças a R$ 43,15 cada uma. Destas, 13.145 não chegaram aos alunos e serão distribuídas agora, junto com o novo uniforme.

Esta mesma empresa recebeu R$ 16 milhões da prefeitura em quatro anos, conforme apurou o Campo Grande News em reportagens anteriores.

O prefeito também determinou a entrega de 23.249 regatas, 18.113 meias, 9.777 jaquetas de helanca, 6.395 bermudas de moletom e 2.758 bermudas de outro material, além de 155 blusões e 8.734 tênis. Tudo isso estava estocado.

Os uniformes comprados neste ano são “made in Brazil”, diferente do entregue no ano passado.

Conforme a Semed, os alunos do berçário ao 1º ano do ensino fundamental vão receber calça, jaqueta, bermuda, camisetas de manga curta e manga longa, tênis e meia. Para os estudantes do 2º ano em diante, serão entregues apenas camisetas.

Desorganização – Logo depois que veio à tona a questão dos uniformes fabricados no Paraguai, em 2016, o MPE deu dez dias para que a prefeitura se posicionasse e abrisse apuração interna sobre a aquisição de das roupas para Reme.

Conforme a 29ª Promotoria de Justiça afirma que a realização a apuração era necessária também porque existia desorganização, “uma mistura de fases e procedimentos”. “Mistura-se ora procedimento para uniformes de verão, ora de jaquetas (frio), sem maior rigor organizacional”, exemplificou.

Também como exemplo da desordem, a promotoria citou ainda uma situação em que a prefeitura admitiu ter pedido 120 mil jaquetas, porém, teve que anular parcialmente o empenho de pagamento em novembro de 2015, já que haviam 101 mil alunos matriculados.

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