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Capital

“Gostosa”: homem que atacou policial recebe pena por assediar outra mulher

Episódio ocorreu duas semanas antes da tentativa de estupro e acusado cumpre sanção em casa sem tornozeleira

Por Anahi Zurutuza | 29/09/2026 17:30
“Gostosa”: homem que atacou policial recebe pena por assediar outra mulher
Suspeito preso após tentar arrastar uma policial civil para área de mata na Avenida Rita Vieira de Andrade (Foto: Direto das Ruas)

Condenado em agosto a 3 anos de reclusão por tentar estuprar uma policial civil durante uma corrida em Campo Grande, Entony Victor Xavier Martins recebeu outra condenação, desta vez por importunação sexual contra outra mulher. A sentença publicada nesta terça-feira (29) fixou pena de 1 ano de reclusão, em regime aberto, com substituição da pena de prisão.

RESUMO

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Entony Victor Xavier Martins, já condenado em agosto a 3 anos de reclusão por tentar estuprar uma policial civil em Campo Grande, recebeu nova sentença, publicada na terça-feira (29), de 1 ano em regime aberto por importunação sexual contra outra mulher, com substituição da pena. O caso ocorreu em 17 de dezembro de 2025, na Avenida Rita Vieira de Andrade. Ele cumpre pena em regime domiciliar desde 13 de agosto. O Ministério Público recorreu e pede aumento da pena pela tentativa de estupro.

O episódio ocorreu em 17 de dezembro de 2025, cerca de duas semanas antes do ataque à policial, na mesma avenida: a Rita Vieira de Andrade. Conforme manifestação do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) anexada ao processo da tentativa de estupro, a importunação aconteceu perto da Avenida Roterdan, no Bairro Rita Vieira.

No documento, o promotor relata que Entony dirigiu comentários sexuais explícitos à mulher. “Que b... gostosa, que vontade de m... em você, delícia, gostosa, que c... gostoso”, foram as expressões atribuídas ao acusado. Segundo a manifestação, ele expôs a vítima a uma situação “vexatória e constrangedora”.

A descrição consta em documento apresentado pela acusação em junho, quando o Ministério Público defendia a manutenção da prisão preventiva de Entony. Na ocasião, o promotor citou a denúncia por importunação sexual para sustentar o risco de novos crimes contra mulheres caso o acusado fosse colocado em liberdade.

Na decisão publicada agora, Entony foi condenado pelo artigo 215-A do Código Penal. O extrato informa a substituição da pena, mas não especifica a medida que deverá cumprir no lugar da prisão.

Regime domiciliar – No processo da tentativa de estupro, um comunicado do Patronato Penitenciário de Campo Grande informa que Entony iniciou, em 13 de agosto, o cumprimento da pena em regime aberto domiciliar, sem monitoramento eletrônico, após sair do Instituto Penal de Campo Grande.

O termo assinado naquela data estabelece que ele deve permanecer em casa das 19h às 6h do dia seguinte, de segunda-feira a sábado. Aos domingos e feriados, o recolhimento deve durar o dia inteiro.

Também foram determinadas apresentação mensal e comprovação, a cada mês, de trabalho lícito, ainda que informal, e residência fixa. O documento adverte que o descumprimento das condições pode levá-lo à cadeia.

“Gostosa”: homem que atacou policial recebe pena por assediar outra mulher
Policiais com autor do crime na Avenida Rita Vieira de Andrade, em janeiro (Foto: Direto das Ruas)

Ataque à policial – Em 1º de janeiro de 2026, cerca de duas semanas depois do episódio de importunação, Entony abordou uma policial civil de 44 anos que corria pela Avenida Rita Vieira de Andrade. Armado com uma faca, tentou obrigá-la a acompanhá-lo até uma área de mata.

Inicialmente, a mulher acreditou que seria roubada e ofereceu o celular, mas ele recusou o aparelho. Um policial militar do Batalhão de Choque, que estava de folga e passava com a família, percebeu a situação e interveio.

Entony tentou fugir, mas foi alcançado e contido com ajuda de pessoas que estavam nas proximidades. A equipe acionada encontrou um frasco de gel lubrificante com ele e localizou a faca. Ele foi preso em flagrante.

A Justiça manteve a prisão em fevereiro. Em 3 de agosto, o juiz Waldir Peixoto Barbosa o condenou a 3 anos de reclusão, em regime inicial aberto, sem substituição da pena, e fixou indenização de três salários mínimos à vítima. A sentença foi publicada no dia 5 daquele mês.

Pedido de aumento – O Ministério Público recorreu da condenação pela tentativa de estupro. Nas razões apresentadas na quinta-feira passada, dia 24, o promotor Fabrício Proença de Azambuja pede aumento da pena e sustenta que o uso da faca, as circunstâncias do ataque e as consequências para a vítima justificam punição maior.

A acusação também questiona o tamanho da redução aplicada porque o estupro não foi consumado. Para o promotor, deve ser adotada a redução mínima de um terço, considerando a proximidade da consumação e a interrupção pela intervenção do policial militar.