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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

27/09/2014 10:35

Grandes obras param, moradores reclamam e secretaria fica sem titular

Caroline Maldonado
Iniciadas em maio de 2012 as obras no Córrego Bálsamo que eram para ser entregues em novembro de 2013 seguem paralisadas (Foto: Marcos Ermínio)Iniciadas em maio de 2012 as obras no Córrego Bálsamo que eram para ser entregues em novembro de 2013 seguem paralisadas (Foto: Marcos Ermínio)
 João Carlos se preocupa com as crianças que passam todo os dias pelo córrego Bálsamo no trecho em que a obra está parada (Foto: Marcos Ermínio) João Carlos se preocupa com as crianças que passam todo os dias pelo córrego Bálsamo no trecho em que a obra está parada (Foto: Marcos Ermínio)
Funcionários da obra colocaram terra para impedir passagem, mas moradores usam o trecho que dá acesso ao bairro Rita Vieira (Foto: Marcos Ermínio)Funcionários da obra colocaram terra para impedir passagem, mas moradores usam o trecho que dá acesso ao bairro Rita Vieira (Foto: Marcos Ermínio)

Após a exoneração do engenheiro Semy Ferraz da Secretaria de Infraestrutura, Transporte e Habitação, há quase um mês, 21 obras seguem paralisadas e a população fica insegura quanto a continuidade, em especial das melhorias nas áreas de educação, saúde, drenagem e asfalto. Também parece incerto o futuro das grandes obras com promessa de finalização, como o Centro Municipal de Belas Artes, a revitalização da Avenida Ernesto Geisel e a urbanização de fundo de vale do Córrego Bálsamo.

Gerida interinamente por Kátia Maria Morais de Castilho, a Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação) assegura o andamento das obras, mas não determina novos prazos para cada uma. Quanto ao Centro de Belas Artes, a prefeitura informou que o contrato assinado em março de 2010 venceu e é feita renegociação com a construtora para continuação da obra. Conforme a Seintrha, se não houver acordo, o contrato será cancelado para nova licitação. O investimento inicial foi de R$ 6,4 milhões.

A obra de urbanização do fundo do vale do córrego Balsámo é outro impasse. Foram investidos R$ 5 milhões dos PPI (Projetos Prioritários de Investimentos), em contrato assinado em outubro de 2013 e o prazo para encerramento era de 240 dias. No entanto, a obra parou há um ano, segundo a Seintrha.

Moradores contam que funcionários estiveram no local deslocando terra há dois meses, mas a obra não avançou. Conforme a secretaria, espera-se que a Águas Guariroba faça substituição parcial de tubulação de água e esgoto, o que implica em desapropriação de terceiros.

Também continuam paradas as obras de construção da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) no bairro Moreninha II, com 95% realizado; da praça dos esportes e da cultura no Jardim Noroeste, que a secretaria também promete retomar. A Seintrha atribiu o problema a falta de planejamento no passado e má gestão de recursos.

Segundo a vereadora Thaís Helena (PT), há diversas obras de casas populares, unidades de saúde que já estão com projeto aprovado e recursos empenhados, mas falta documentação por parte da prefeitura. Ela acredita que a continuidade das obras depende de contrapartida do município.

“O Centro de Belas Artes é um projeto difícil para qualquer gestão por questões técnicas e burocráticas, desde a época do Nelsinho. Mas acredito que se não dá para finalizar todas as obras, pelo menos devem ser priorizadas as de Ceinfs (Centro de Educação Infantil) e UPAs, porque são serviços essenciais, em que a população não pode ficar prejudicada e não pode ser desperdiçado o dinheiro público”, opina.

Incerteza - Iniciadas em maio de 2012 as obras de drenagem e pavimentação na rua Darvin Dulabani, na margem do Córrego Balsámo que eram para ser entregues em novembro de 2013 seguem paralisadas. Parte da obra está realizada, mas no trecho do córrego o asfalto termina. A drenagem está pronta e parece faltar pouco para concluir a obra, mas ainda assim os funcionários não trabalham mais de uma semana e encerram as atividades novamente, segundo moradores da região.

Com isso, o acesso da avenida Três Barras para o Bairro Rita Vieira causa transtorno para quem quer atravessar a área. Funcionários da obra colocaram uma montanha de terra para obstruir a passagem há cerca de dois meses, mas ainda assim, pessoas se arriscam passando pelo local a pé, de bicicleta ou de motocicleta.

Do final do trecho já asfaltado até a Três Barras faltam aproximadamente 300 metros. Depois da avenida tem mais um trecho que asfalto e a cerca de 200 metros do pontilhão da BR-163 a pavimentação termina novamente.

De acordo com moradores da região, quando os funcionários da obra aparecem não trabalham mais que uma semana. “É bem raro eu ver pessoal trabalhando aí e olha que eu passo todos os dias aqui. Acho que vai melhorar muito para nós esse asfalto, mas acredito que não termina esse ano do jeito que está indo”, lamenta o cozinheiro Edilson de Lima, 20 anos.

Segundo o estudante Felipe Vicente da Silva, 16 anos, boatos levam a crer que depois das eleições as obras voltam ao normal, mas a informação parece não animar ninguém nas redondezas. “Dizem que a obra vai continuar, mas para mim isso vai ficar mais um ano aí. Isso é uma bagunça, que ninguém está ligando”, reclama o rapaz.

O vendedor de frutas com ponto no local, João Carlos de Oliveira, 62 anos, conta que a preocupação maior é com as crianças que passam pelo local diariamente na ida e volta da Escola Municipal Iraçema Maria Vicente, que fica próximo dali. “Os funcionários que estiveram aí disseram que colocaram essa terra para atrapalhar a passagem e 'não causar danos maiores', mas todo mundo continua passando, porque é o acesso pra outro lado do rio”, afirma o vendedor ao mostrar que a placa com a data de fim da obra está ali, marcando para entrega outubro de 2013 e investimento de R$ 33,2 milhões.

O Campo Grande News tentou falar com a secretaria Katia Castilho, mas ela estava em reunião e não retornou. 

Materiais deixados se perdem junto com o dinheiro público e moradores já nem acreditam em finalização da obra no córrego Bálsamo (Foto: Marcos Ermínio)Materiais deixados se perdem junto com o dinheiro público e moradores já nem acreditam em finalização da obra no córrego Bálsamo (Foto: Marcos Ermínio)


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