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Capital

“Gravata” alvo do Gaeco é transferido após princípio de incêndio em presídio

Bruno Ghizzi, denunciado por atuar em esquema para facilitar crimes cometidos pelo PCC, está na “Federalzinha”

Por Anahi Zurutuza | 29/04/2022 19:02
Bruno Ghizzi deixando condomínio no São Francisco acompanhado de promotor do Gaeco (de terno azul marinho), delegado do Garras e policiais, no dia em que foi preso. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Bruno Ghizzi deixando condomínio no São Francisco acompanhado de promotor do Gaeco (de terno azul marinho), delegado do Garras e policiais, no dia em que foi preso. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Preso desde o dia 25 de março, um dos principais alvos da Operação Courrier, o advogado Bruno Ghizzi teve de ser transferido de alojamento dentro do Presídio Militar, no Complexo Penal de Campo Grande, após princípio de incêndio.

Nesta sexta-feira (29), ele foi levado para a Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira II, conhecida como “Federalzinha” pelo rigor nas regras para detentos, também na Capital. O Campo Grande News apurou que Bruno Ghizzi foi isolado em cela e que a determinação da transferência tramita em absoluto sigilo.

A ocorrência foi registrada no início desta semana e o titular da Vara da Justiça Militar Estadual, Alexandre Antunes da Silva, como o responsável pelo Presídio Militar, mandou que o caso fosse investigado.

A Sala de Estado Maior, espaço destinado a advogados presos, fica na unidade penal da Capital que também abriga policiais envolvidos em crimes. O alojamento, construído em 2018, tem capacidade para 7 detentos, mas Bruno era o único no cômodo onde houve o princípio de incêndio, conforme investigado pela reportagem.

As chamas rapidamente foram controladas pelos profissionais que fazem a guarda do presídio e não houve feridos.

O Campo Grande News apurou ainda que equipe de peritos já foi ao local para a coleta de dados, fotografias e material para análises laboratoriais. Somente o laudo poderá apontar se o fogo, que atingiu o teto do alojamento, foi provocado ou acidental.

O advogado de Bruno Gihzzi, Flavio de Oliveira Moraes, afirmou que nada sabia sobre o incêndio na sala onde estava o cliente até o contato com a reportagem e, por isso, não poderia se manifestar por enquanto.

Funcionário da OAB-MS entregando colchões no Presídio Militar para os presos da operação, no dia 25 de março. (Foto: Kísie Ainoã)
Funcionário da OAB-MS entregando colchões no Presídio Militar para os presos da operação, no dia 25 de março. (Foto: Kísie Ainoã)

A operação - Bruno Ghizzi passou de delator a investigado pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado depois de procurar o delegado Carlos Delano, da DEH (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Homicídios), para revelar que advogados de Mato Grosso do Sul estavam atuando como mensageiros do PCC (Primeiro Comando da Capital). Mas, ao longo das apurações, conforme denúncia oferecida pelo Gaeco à Justiça, ele demonstrou ser um dos “gravatas” mais atuantes no esquema.

Ele foi um dos principais alvos da Operação Courrier, no dia 25 do mês passado, quando Gaeco e Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), além de policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar, Bope (Batalhão de Operações Especiais) e da Gisp (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário) foram às ruas da Capital, Dourados, Jardim e Jaraguari para cumprir um total de 38 mandados judiciais.

Courrier é palavra francesa que na tradução literal para o Português significa “correspondência”. O nome da operação faz referência, portanto, ao “leva e traz” de informações de dentro para fora de penitenciárias e vice-versa.

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