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Capital

Grupo tenta invadir terreno de espólio ligado a grupo bilionário

Chácara tem vínculo com o herdeiro da tradicional família Plöger, do Grupo Melhoramentos

Por Maurício Aguiar e Bruna Melo | 29/08/2026 11:51
Grupo tenta invadir terreno de espólio ligado a grupo bilionário
Representantes dos ocupantes negociam com a Polícia Militar durante invasão (Foto: Bruna Melo)

Uma área de seis hectares ligada à família do herdeiro do bilionário Grupo Melhoramentos, Uwe Plöger, foi alvo de uma invasão na manhã deste sábado (29), no bairro Jardim Pênfigo, em Campo Grande. Cerca de 150 pessoas ocuparam o terreno, reivindicando o local para construção de moradias.

RESUMO

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Cerca de 150 pessoas invadiram uma área de seis hectares pertencente ao espólio da família Plöger, herdeira do Grupo Melhoramentos, no Jardim Pênfigo, em Campo Grande, na manhã deste sábado. Os ocupantes alegaram que o terreno foi desapropriado pelo TRT-MS e pertence à União. A família contestou as alegações e apontou adulteração nos documentos apresentados. Após intervenção policial, o grupo se retirou, mas prometeu retornar na segunda-feira.

Os ocupantes chegaram ao local por volta das 5h da manhã, descarregando tijolos para iniciar as obras, mas desmobilizaram a ocupação após a intervenção das autoridades, prometendo retornar na próxima segunda-feira (31).

De acordo com o grupo, a Justiça teria desapropriado a propriedade, que estaria abandonada. Para fundamentar a ação, os manifestantes apresentaram certidões e matrículas registradas, alegando que a área pertenceria à União e que o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) de Mato Grosso teria desapropriado a área.

Segundo Aldevir Ribeiro, um dos mobilizadores da ação, o movimento reúne pessoas em extrema vulnerabilidade, muitas das quais vivem de aluguel, moram de favor com parentes ou enfrentam o risco iminente de despejo, além de famílias inscritas há anos em programas habitacionais da Emha (Agência Municipal de Habitação de Campo Grande) e da Agehab (Agência de Habitação Popular do Estado de Mato Grosso do Sul).

 “A maioria do grupo são mães solteiras, que não têm casa, não têm para onde ir. Tem pessoas aqui que estão praticamente em estado de rua”, relata o representante.

Grupo tenta invadir terreno de espólio ligado a grupo bilionário
Cerca de 150 pessoas participaram da invasão, ente homens, mulheres e crianças (Foto: Bruna Melo)

Documento alterado

Por outro lado, os herdeiros e a defesa do espólio contestam as alegações de abandono e desapropriação. Os inventariantes destacaram que residem na propriedade, cuidam da chácara e mantêm a criação de animais como cavalos, galinhas, cães e gatos.

Roney Nobre de Miranda Plöger, herdeiro do espólio e morador da propriedade, relata que a ocupação foi organizada de forma silenciosa e pegou a família de surpresa pela manhã.

“Eles não têm o direito de pegar o que é da gente. A gente trabalha para ter as coisas e daí simplesmente de um dia para a noite alguém chega e fala: ‘Não, essa área é minha’”, desabafou.

A família ressalta que o terreno não foi desapropriado e segue regular enquanto aguarda a conclusão do inventário. Além disso, um dos herdeiros e inventariante, Paulo Plöger, aponta que há indícios de que a invasão foi planejada com antecedência por terceiros e que a certidão apresentada pelos ocupantes foi adulterada.

“Eu não diria que partiu de um ou de outro, mas que alguém com intenção de favorecimento ajudou a produzir esse documento, ajudou a criar essa situação, isso é óbvio. Eles dizem que não, foi a própria população, foi a própria comunidade, mas um agrupamento de pessoas desse não teria acesso a uma documentação dessa sem intenção de fazer alguma coisa”, afirma Paulo Plöger.

Também chamou a atenção da família a escala da invasão, que contou com caminhões alugados, centenas de tijolos e até um projeto de loteamento delimitando onde cada casa seria construída no terreno.

Grupo desmobilizou, mas promete voltar

A Polícia Militar e um oficial de justiça foram acionados para intermediar o conflito. Os policiais alertaram os ocupantes de que, mesmo se o terreno fosse desapropriado, a titularidade passaria à União, o que manteria a ocupação privada na ilegalidade.

O oficial de Justiça reforçou que a área é objeto de disputa judicial e que a entrada do grupo configurava crime de esbulho possessório, quando o legítimo proprietário ou possuidor é privado de forma ilegal e total do controle sobre o bem.

Diante das orientações, os integrantes do grupo concordaram em recolher os materiais e retirar os caminhões do local na manhã deste sábado, mas prometeram retornar no início da semana. Um boletim de ocorrência foi registrado pela família para evitar novas tentativas de invasão.

Terreno de espólio ligado a herdeiro de grupo bilionário

A área de seis  hectares pertenceu ao empresário e engenheiro agrônomo Uwe Paul Otto Plöger e sua esposa, Venância Nobre de Miranda Plöger, que foi quem comprou a propriedade em 1976.

Nascido na Alemanha e radicado no Centro-Oeste, Uwe Paul foi herdeiro e pivô de uma disputa judicial envolvendo o centenário Grupo Melhoramentos, empresa pioneira na Bolsa de Valores de São Paulo e responsável pela impressão do primeiro livro infantil em cores do Brasil, em 1915, e pela emissão do papel-moeda durante o governo constitucionalista de 1932.

Após a morte de Venância, em 2002, a chácara entrou no processo de inventário do espólio. A família aguarda a conclusão dos trâmites jurídicos para regularizar a documentação e colocar o terreno à venda.

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