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Capital

Igreja acha R$ 156 mil em anotações de contador e pede bloqueio de contas

Com medo de ex-funcionário “sumir” com dinheiro de fiéis, igreja quer que Justiça impeça saques

Por Anahi Zurutuza | 27/07/2021 16:21
Extratos bancários e comprovantes de depósitos encontrados com o contador (Foto: Reprodução do autos)
Extratos bancários e comprovantes de depósitos encontrados com o contador (Foto: Reprodução do autos)

A Comunidade Cristã Aliançados foi à Justiça contra o contador Alípio Raymundo da Silva, de 60 anos, o contador que foi preso, no dia 6 deste mês, por “embolsar” dinheiro doado por fiéis. A igreja quer o bloqueio das contas bancárias ligadas ao ex-funcionário por acreditar que o rombo deixado é muito maior que os R$ 20 mil confessados por ele.

Conforme o pedido de tutela provisória de urgência, proposto pelos advogados da comunidade no dia seguinte a descoberta dos desvios praticados pelo empregado, durante revista, policiais militares chamados encontraram extratos bancários de aplicações financeiras, das quais o contador é titular, com saldo que ultrapassa R$ 74 mil. Também foram localizados comprovantes de depósitos bancários feitos pelo acusado em nome de terceiros que somam R$ 32 mil.

Por fim, a igreja, através da defesa, narra que no dia seguinte à prisão, durante a limpeza da estação até então ocupada pelo ex-funcionário, foram encontradas anotações dando conta que Alípio tem guardados mais de R$ 156 mil.

Anotação achada na mesa do ex-funcionário; para a igreja, este é o valor que ele tem em contas bancárias (Foto: Reprodução dos autos)
Anotação achada na mesa do ex-funcionário; para a igreja, este é o valor que ele tem em contas bancárias (Foto: Reprodução dos autos)

“Todos esses valores são totalmente incompatíveis com os vencimentos mensais recebidos decorrente do seu contrato de trabalho”, registraram os advogados na ação judicial.

A Comunidade Cristã Aliançados, ainda para embasar o pedido de bloqueio das contas, ressalta que após confessar furtos semanais de cerca de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por pelo menos dois meses, o contador se comprometeu a ressarcir a igreja em R$ 20 mil no prazo de uma semana.

“Oras, como alguém que recebe R$ 2.263,09 por mês vai levantar tamanha quantia em tão pouco tempo? Absurdo!”, alega a defesa da igreja.

Para a igreja, em liberdade, o acusado pode “sumir” com os valores antes que seja possível fazer investigação mais aprofundada. “Resta claro V.Exa. que, com a concessão de liberdade provisória, o réu efetuará o resgate de todos os valores adquiridos de maneira ilícita e, mesmo realizando o ressarcimento do valor ora confessado (20 mil), certamente, vai dar outra destinação ao restante do montante financeiro adquirido de maneira ilícita, como forma de claramente prejudicar a instrução criminal e impedir o devido ressarcimento da autora”.

O processo tramita na 5ª Vara Cível de Campo Grande, mas ainda não houve decisão sobre o pedido.

Fiéis durante culto da igreja (Foto: Comunidade Cristã Aliançados/Divulgação)
Fiéis durante culto da igreja (Foto: Comunidade Cristã Aliançados/Divulgação)

Flagrante - Alípio Raymundo da Silva foi preso no dia 6 de julho acusado de furtar dinheiro arrecadado pela Comunidade Cristã Aliançados com fiéis. Uma funcionária viu quando o contador retirou alguns envelopes que estavam sendo conferidos e os escondeu. Ela o questionou, o homem ficou nervoso, dizendo que a colega estava fazendo acusações.

Um advogado da igreja foi chamado, as câmeras de segurança checadas e as imagens confirmaram que o emprego havia “embolsado” seis envelopes com dinheiro. Segundo registrado no auto de prisão, ele confessou que surrupiava dinheiro da igreja.

A denúncia foi feita à 6ª Delegacia de Polícia Civil pelo advogado da instituição, que também já havia acionado a PM (Polícia Militar). Ele registrou na ocorrência que, há uns meses, a diretoria da igreja vinha notando a diferença entre os valores lançados em relatórios de contabilidade e o que realmente era arrecadado durante os cultos.

Alípio trabalhava há 3 anos como assistente administrativo da igreja. Naquele dia, foi demitido por justa causa. O contador passou por audiência de custódia no dia seguinte e foi libertado após pagar fiança de um salário mínimo (R$ 1,1 mil).

Em contato com o Campo Grande News, nesta terça-feira (27), ele disse que, por enquanto, prefere não comentar o assunto.

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