A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

15/12/2013 09:42

Impunidade atrai adolescentes para tráfico e flagrantes aumentam 131%

Bruno Chaves
Em 2012, adolescentes de 17 anos foram flagradas com 27 quilos de maconha (Foto: Arquivo/Campo Grande News)Em 2012, adolescentes de 17 anos foram flagradas com 27 quilos de maconha (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

O número de flagrantes de adolescentes que transportam drogas no Terminal Rodoviário de Campo Grande cresceu 131% do ano passado para 2013. Devido à sensação de impunidade e a fragilidade da lei, traficantes passaram a corromper jovens menores de idade que aceitam levar drogas para outro estado cobrando pouco dinheiro pelo serviço.

De acordo com o subcomandante do 10º BPM (Batalhão de Polícia Militar), que fiscaliza a região da rodoviária, major Mário Ângelo Ajala, o jovem passou a ser utilizado como transportador por vaidade e por causa da fragilidade do sistema.

“O menor, muitas vezes, tem a vaidade de querer uma vida mais fácil. Ele vê a oportunidade de conseguir um dinheiro rápido. Para o menor de idade, qualquer R$ 1 mil já é muito dinheiro. Além da sensação de impunidade que eles têm, já que conhecem como funciona o sistema”, explica.

A abordagem ao adolescente também é fator de preocupação para os policiais. Quando se trata de uma pessoa do sexo feminino, o trabalho é mais complicado ainda. “E nos últimos anos percebemos que as meninas começaram a transportar mais drogas”, relata.

O jovem possui certo conhecimento de legislação e por isso convive com a sensação de impunidade. Por outro lado, desconhece a realidade do tráfico de drogas. Os “salários” recebidos por eles para o transporte interestadual varia entre R$ 500 e R$ 1 mil, de acordo com o major Ajala.

“Eles se arriscam, por um baixo valor, para transportar drogas que chegam a custar até R$ 1 milhão em São Paulo e no Rio de Janeiro. O valor da cocaína, por exemplo, aumenta muito do nosso Estado para outros. O quilo pode custar R$ 30 mil aqui e mais de R$ 300 mil lá. Um adulto não aceitaria fazer um transporte por R$ 1 mil sabendo dessas condições”, opina.

Estimativa do 10º BPM aponta que para cada jovem apreendido com drogas na rodoviária, três passam pela fiscalização. Em 2012, 19% das apreensões de drogas eram feitas com jovens menores de 18 anos (10% com meninos e 9% com meninas). Já em 2013, até o dia 30 de novembro, 44% das ocorrências de tráfico eram com adolescentes (20% com rapazes e 24% com moças). O crescimento foi de 131% de um ano para outro.

“A maioria das drogas é formada por maconha, cocaína e raxixe. Mas, com a proximidade do fim do ano, começam a aparecer os comprimidos, como o ecstasy e o LSD”, comenta. Os entorpecentes são escondidos, em 99% dos casos, em malas. “Um ou outro adolescente esconde no corpo porque eles não têm medo da fiscalização”, diz Ajala.

 

Também em 2012, jovem de 18 anos foi apreendida com 27 quilos de maconha (Foto: Arquivo/Campo Grande News)Também em 2012, jovem de 18 anos foi apreendida com 27 quilos de maconha (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
No último fim de semana, adolescente de 17 anos foi flagrada com 3,1 kg de cocaína no corpo (Foto: Arquivo/Campo Grande News)No último fim de semana, adolescente de 17 anos foi flagrada com 3,1 kg de cocaína no corpo (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Depois da apreensão – Pouca gente sabe o que acontece com o adolescente depois que ele é apreendido por tráfico de drogas. De acordo com o juiz titular da Vara da Infância e Juventude de Campo Grande, Roberto Ferreira Filho, muitas são as possibilidades de medidas aplicadas ao jovem flagrado com drogas.

O primeiro passo é levantar o histórico do menor, afirma o juiz. “Se o adolescente tiver um bom histórico, se for seu primeiro envolvimento no tráfico ou, ainda, de alguém que nunca sofreu condenação (sentença judicial definitiva, sem direito a recurso), não será autuado em flagrante e deverá ser liberado”, explica.

Posteriormente a isso, o jovem é entregue à família, mediante termo de encaminhamento, se ele possuir familiares. Caso contrário, se ele não tiver família conhecida ou que more em outra cidade, deverá ser encaminhado ao abrigo, “pois é direito de qualquer criança e adolescente em situação de risco, ser acolhido, até que seja encaminhado à família ou, caso não a possua, até que encontre alguém que queria adotá-lo ou, ao menos, assumir sua guarda”.

O juiz ainda alerta que mesmo o jovem sendo liberado por bom histórico, ele responderá ao processo normalmente, “ou seja, não significa que não será responsabilizado pelo que fez”. Se houver provas do crime, o adolescente pode ser punido com medida de internação em Unei e outras medidas socioeducativas possíveis: advertência, reparação de danos, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida e semiliberdade.

Mas se o jovem apreendido por tráfico tiver histórico de envolvimento em atos graves, com condenações anteriores, “haverá a autuação em flagrante e seu encaminhamento à Unidade de Internação, ficando à disposição da Justiça da Infância e Juventude, que aguardará o término das investigações, a representação (acusação) pelo MPE (Ministério Público Estadual), e designará as audiências”, explana Roberto.



Para mim as indagações são mais profundas: o que fazemos enquanto estado e sociedade para proteger nossa juventude do aliciamento do tráfico? Encarcerar precocemente a juventude diminui violência? Por que, então, os presídios de adultos estão abarrotados de mulas do tráfico? Por que aqueles adolescentes que têm seus direitos assegurados, inclusive o da sadia convivência familiar, delinquem menos? Outra coisa: a lei sempre foi assim, não mudou no último ano a esse respeito, sendo equivocado o raciocínio de que por isso houve aumento da participação do adolescente no tráfico no último ano. Outro detalhe. Justamente entre os que passam pelas uneis o índice de reincidência é maior, por que será?
 
Roberto Ferreira em 16/12/2013 08:46:03
As decisões, asseguro, equívocadas em não apreender e aplicar medidas mais gravosas estão criminalizando nossos jovens e, os que ainda resistem ao crime são coagidos a colaborar sob pena de sofrerem violência maior. Agarra-se a mitos como a polícia prende pobre, preto e prostitua. Ora, a maioria da população é negra e pobre maior parte da massa carceráia é negra e pobre. A situação do país melhorou economicamente, milhões de pessoas sairam da pobreza absoluta, mas a violência aumentou, o que põe por terras os argumentos do "garantismos social".
 
Reginaldo Salomão em 16/12/2013 07:43:21
"Di menor" criminoso, não é de menor é criminoso e como tal deve ser tratado.
 
Samuel Aguiar em 15/12/2013 17:46:15
SERÁ QUE COM TUDO ISSO AS AUTORIDADES CONTINUAM SURDAS, CEGAS E BURRAS. JUSTIÇA NO BRASIL É SÓ PRA GENTE DO BEM O RESTO É CUMPANHERO!
 
JARY GUASINA em 15/12/2013 11:07:30
Ou seja, não "dá nada", na pratica não tem punição, fica tudo "de boa".
 
CESAR CASTRO em 15/12/2013 10:09:18
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions