Intervenção no Consórcio terá equipe com nomes de fora de Campo Grande
Prefeitura escolheu "perfis de confiança" de RJ e MT para auxiliar gestão temporária do transporte público

A escolha da equipe que assumirá temporariamente a gestão do transporte coletivo de Campo Grande passou por uma busca fora dos limites do município. Dos quatro integrantes nomeados pela prefeita Adriane Lopes (PP) para conduzir a intervenção no Consórcio Guaicurus, dois são profissionais de fora de Campo Grande e um deles, inclusive, atua no Rio de Janeiro.
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A Prefeitura de Campo Grande nomeou quatro profissionais para conduzir a intervenção no Consórcio Guaicurus, dois deles de fora do município. O interventor-geral será Aléxandro Oliveira, advogado de Mato Grosso, acompanhado de Rodolfo Fernandes, do Rio de Janeiro, Robson Pereira, consultor em concessões, e Alexandre Moreira, servidor da Agetran. A intervenção, que pode durar até 180 dias, foi decretada após falhas na operação do transporte coletivo.
Os nomes foram publicados junto ao decreto de intervenção divulgado nesta segunda-feira (16), que retira temporariamente a gestão do sistema das mãos do Consórcio Guaicurus por até 180 dias. A medida foi tomada após decisão judicial e recomendações de uma comissão especial criada pela prefeitura para avaliar a execução do contrato de concessão.
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O interventor-geral será o advogado e especialista em regulação e serviços públicos Aléxandro Adriano Lisandro de Oliveira, nomeado para assumir a administração da concessão durante o período de intervenção.
Já a equipe será composta por Rodolfo Bahiense Fernandes, na área administrativa e financeira; Alexandre Souza Moreira, responsável pela área jurídica; e Robson Tadeu Pereira, encarregado da operação do sistema.
Segundo a procuradora-geral do Município, Cecília Rizkallah, que presidiu a comissão responsável por analisar a situação da concessão, a escolha dos nomes levou em consideração a necessidade de reunir profissionais que transmitissem segurança para conduzir o processo.
"São pessoas de fora. Um é do Rio de Janeiro, outro do Mato Grosso. Mas são pessoas com quem já se conversou para encontrar perfis que passassem segurança e que fossem considerados adequados para conduzir esse trabalho", afirmou ao Campo Grande News.
Cecília explicou ainda que a definição da equipe integrou um conjunto de decisões que antecederam a publicação do decreto. "Não é uma coisa que se define de um dia para o outro. É uma empresa muito grande, responsável pelo transporte do município. Então, precisava haver segurança tanto para a empresa quanto para o Executivo municipal. Os nomes precisavam ser de pessoas de confiança da prefeitura e que tivessem condições de conduzir esse processo", disse.
Quem são - O interventor-geral, Aléxandro Adriano Lisandro de Oliveira, é advogado formado pela UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), com especialização em Direito Tributário pela PUC-SP. Anteriormente, atuou como diretor de Regulação e Fiscalização e presidente em exercício da Arsec (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Cuiabá).
O interventor administrativo-financeiro será Rodolfo Bahiense Fernandes. Ele aparece como sócio da RBF Assessoria e Participações Ltda., empresa sediada na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A atividade principal da companhia é consultoria em gestão empresarial.
Na área operacional, o escolhido foi Robson Tadeu Pereira. Conforme informações divulgadas em seu perfil profissional, ele atua como consultor sênior em concessões públicas e possui 27 anos de experiência nas áreas jurídica e administrativa. Nos últimos 15 anos, participou da gestão de contratos ligados a concessões e parcerias público-privadas nos setores de saneamento e infraestrutura, incluindo projetos em São Paulo, Mato Grosso e Alagoas.
Já Alexandre Souza Moreira é o único integrante da equipe com vínculo direto com a administração municipal. Servidor da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), ele já integrava o grupo de trabalho criado pela prefeitura em março deste ano para acompanhar e avaliar a situação do Consórcio Guaicurus.
Um dia antes da publicação do decreto de intervenção, Alexandre Souza Moreira foi exonerado da função de chefe da Procuradoria Jurídica da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito). A revogação da designação foi publicada no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) desta segunda-feira (15).
O que muda - A Prefeitura de Campo Grande decretou nesta segunda-feira (16) a intervenção após apontar uma série de problemas na operação do transporte coletivo, entre eles descumprimento de horários, falhas na manutenção da frota, redução da oferta de veículos, aumento de reprovações em inspeções técnicas e riscos à segurança dos usuários.
Durante a vigência da medida, que poderá durar até 180 dias, os interventores terão acesso a documentos financeiros, contratos, sistemas de bilhetagem, garagens, veículos e centros de controle operacional. Ao final do prazo, a prefeitura poderá devolver a gestão ao consórcio, aplicar sanções ou até iniciar um processo de caducidade da concessão.
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