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Capital

Investigação descobre esquema para abastecer presídio e 8 vão para cadeia

Agente penitenciário, policial militar da reserva e presidiário foram apontados como chefes do crime

Por Geisy Garnes e Ana Lívia Tavares | 19/10/2021 17:34


Agente penitenciário, policial militar reformado, interno do sistema prisional de Campo Grande e cinco mulheres foram presos por abastecer o Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, a Máxima, com bebidas, drogas e celulares. Para entrar com os produtos no presídio do Complexo Penal do Jardim Noroeste, o grupo usava o caminhão de lixo da unidade.

O esquema de tráfico dentro do presídio já era investigado pela delegacia especializada há alguns dias. Na tarde de ontem (18), os investigadores monitoravam a unidade penal e o modo de agir dos bandidos.

"Estávamos com uma outra investigação de pessoas que têm usado agentes da segurança pública para promover entrada de ilícitos no presídio em troca de vantagem financeira. Ontem, durante a operação, fizemos uma ação para surpreendê-los em flagrante e nas proximidades do centro de triagem, comprovamos o crime", disse o delegado Hoffman D'Avila Candido de Souza.

De longe, os policiais viram o momento em que um dos internos saiu da Máxima dirigindo o trator com um reboque de madeira usado no transporte de lixo da unidade. Acompanhado de um agente penitenciário, ele atravessou a rua e foi até os containers da Solurb. Enquanto o interno descarregava os sacos, a equipe observou a presença de uma terceira pessoa.

O homem, que mais tarde foi identificado como o policial militar reformado, aproximou-se dos outros dois e assumiu a posição de “vigia” do crime. Com o aval dele, diversos produtos tirados do container começaram a ser colocados dentro do reboque de madeira. Garrafas com bebidas alcoólicas, porções de maconha e cocaína e celulares foram escondidos em um fundo falso.

Produtos encontrados dentro do fundo falso do caminhão. (Foto: Divulgação)
Produtos encontrados dentro do fundo falso do caminhão. (Foto: Divulgação)

Neste momento, a equipe abordou os três suspeitos e realizou o flagrante. Para tirar os produtos com “facilidade”, as garrafas e tabletes de droga eram amarradas umas às outras, bastava puxar a corda. Com a prisão dos homens, a polícia descobriu o envolvimento de cinco mulheres, que faziam o papel de fornecedoras das bebidas, drogas e celulares.

Um das envolvidas é esposa do interno responsável pelo esquema no presídio. "Durante a investigação, conseguimos verificar que eles fazem isso três vezes por semana. A esposa do interno recebe todo sábado dinheiro para ajudar e temos elementos de que o PM da reserva também lucrava para fazer a vigilância do local", reforçou o delegado.

Ao todo, foram apreendidos cinco aparelhos celulares, um quilo de cocaína, um de maconha, carregadores e fones de ouvido. Segundo a polícia, cada celular era revendido por R$ 2 a 3 mil dentro da unidade penal. Além disso, na casa do casal, foram encontradas porções de maconha e cocaína.

Os nomes dos envolvidos não foram divulgados. Em nota, a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) afirmou que atua de forma integrada com outras forças de segurança para coibir crime dentro dos muros dos presídios e, por isso, vê a operação de forma positiva.

“A Agepen tem atuado de forma integrada com outras forças de segurança com o objetivo de coibir ações criminosas e o acesso de ilícitos nas unidades prisionais. A operação foi extremamente positiva para o sistema prisional, no sentido de identificar e eliminar este meio de acesso de ilícitos, prática que a administração penitenciária vem buscando por todos os meios combater”.

Os oito suspeitos respondem por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Já os dois agentes da segurança pública ainda vão responder por prevaricação imprópria.

Delegado Hoffman D'Avila, responsável pela investigação. (Foto: Paulo Francis)
Delegado Hoffman D'Avila, responsável pela investigação. (Foto: Paulo Francis)


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