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Capital

Justiça procura família para Jenifer, garotinha com paralisia cerebral

Menina de 12 anos é símbolo de campanha pelo “match” entre famílias e crianças sem lar

Por Anahi Zurutuza | 22/02/2024 16:36
Jenifer da Silva, de 12 anos, vive em abrigo de Ribas do Rio Pardo, no interior de MS (Foto: TJMS/Divulgação)
Jenifer da Silva, de 12 anos, vive em abrigo de Ribas do Rio Pardo, no interior de MS (Foto: TJMS/Divulgação)

Menina alegre, que gosta de fazer novas amizades e tem facilidade de expressar sentimentos, apesar da paralisia cerebral. É assim que Jenifer da Silva é descrita por quem convive com ela. Aos 12 anos, ela é o rosto escolhido pelo TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) para divulgar o programa “Nasce uma Família”.

Natural de Campo Grande, Jenifer vive em abrigo de Ribas do Rio Pardo – a 98 km de Campo Grande – à espera que “o maior pintor do mundo” coloque mais cor “em sua história”, como diz a letra da música preferida da garotinha. Ela é fã das letras do cantor gospel, Pastor Lucas, e “Pintor do Mundo” é a favorita.

Gestora do abrigo onde Jenifer mora, Edina Jülg explica que a menina tem limitações. “Ela tem gastrostomia. A alimentação, hidratação e medicação necessárias são administradas via sonda. A dieta é comprada pronta”. A responsável afirma que a adolescente tem também muito amor para dar e gosta de passeios ao entardecer.

Não dá “match” – Assim como ela, o SNA (Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento) tem milhares de crianças com deficiências esperando por uma família. Só nos abrigos de Campo Grande, são 197 meninos e meninas, sendo que 10 deles têm alguma deficiência – física ou mental.

No Brasil, embora haja oito vezes mais pretendentes habilitados para adoção do que crianças e adolescentes cadastradas, a maioria delas ainda não tem um lar, principalmente por causa das exigências feitas pelos candidatos a pais e mães, como a preferência pelos bebês. A maior parte das crianças e adolescentes disponíveis para adoção tem mais de 8 anos, possuem alguma comorbidade ou formam grupos de irmãos.

Hoje na Capital são 51 pretendentes e 51 aptos à adoção, de acordo com o SNA, mas a conta não fecha. Só 29 crianças têm menos de 3 anos e 26 têm irmãos, por exemplo.

A campanha da Justiça estadual para encontrar uma família para a Jenifer coincide com o esgotamento cadastral e a implantação do programa “Nasce uma Família” em Mato Grosso do Sul, que fornece o site “Aproximando Vidas” para facilitar o encontro entre quem quer ter filhos e quem não tem família.

Por meio da Coordenadoria da Infância e da Juventude, a página na internet disponibiliza registros detalhados dos “aptos à adoção” no SNA e está acessível a todos, mesmo àqueles que ainda não estejam habilitados para adotar. A Jenifer é uma das crianças que está no projeto e pelo site é possível saber mais sobre ela.

Juíza Camila Neves Porciúncula durante palestra em Angélica, no interior de MS (Foto: Angélica Notícias)
Juíza Camila Neves Porciúncula durante palestra em Angélica, no interior de MS (Foto: Angélica Notícias)

Adoção – A juíza Camila Neves Porciúncula faz alerta a quem algum dia pensou em adotar. “A adoção é um ato de amor, não é caridade. A Jenifer é uma menina muito especial, tem muito amor para oferecer e está à procura de uma família, que pode ser formada por pai e mãe, dois pais, duas mães ou por pai ou mãe solo. O requisito fundamental mesmo é que o pretendente também esteja buscando a construção de um laço familiar”.

As buscas por uma família para a menina de 12 anos, bem como para as outras crianças cadastradas no “Aproximando Vidas”, se esgotaram até em outros países (adoção internacional). “No entanto, tal fato não é impeditivo para que ela não seja adotada, bastando que os interessados em sua condição especial se inscrevam no cadastro ou as que já estão inscritas revejam o perfil buscado”, explica a promotora de Justiça de Ribas do Rio Pardo, Ana Rachel Borges de Figueiredo Nina, que acredita na força da mobilização pela internet.

A idade mínima para se habilitar à adoção é 18 anos, independentemente do estado civil, desde que seja respeitada a diferença de 16 anos entre quem deseja adotar e a criança a ser acolhida. O processo de adoção é gratuito e deve ser iniciado na Vara de Infância e Juventude mais próxima da casa do pretendente.

Os registros sobre crianças aptas à adoção podem ser encontrados no https://aproximandovidas.tjms.jus.br/publico/login.xhtml.

(*) O nome de Jenifer foi divulgado com autorização da Justiça, assim como o rosto da criança está borrado a pedido do Judiciário. 

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