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Capital

“Levamos preso até na acupuntura”, reclama sindicato após atentado na Máxima

Representantes dos policiais penais dizem que falta efetivo e escoltas complicam ainda mais situação

Por Geniffer Valeriano | 20/05/2024 16:57
Presidente do sindicato dos policiais penais, André Santiago (Foto: Paulo Francis)
Presidente do sindicato dos policiais penais, André Santiago (Foto: Paulo Francis)

A rotina de escolta de presos para consultas, até de acupuntura, tem complicado ainda mais um cenário já difícil em Mato Grosso do Sul. Segundo o Sindicato dos Agentes Penais, esse tipo de deslocamento deixa a segurança dos presídios desfalcada, facilitando a ação de bandidos, inclusive, contra os próprios servidores. O problema é intensificado com a falta equipamentos como colete balístico, reclama  o presidente do sindicato dos policiais penais, André Santiago.

São 1.913 policiais penais divididos por Mato Grosso do Sul, que atuam várias funções, entre elas a escolta e o monitoramento da torre do presídio. “O Conselho Nacional de Políticas Penitenciárias de Criminais fala que deveria ter um agente para cada cinco presos, o que não acontece. Esses 1.913 policiais no Estado você tem que dividir por quatro, porque nós somos plantonistas, e quando um trabalha, outro folga, então não é por dia que há esse número”, detalha.

A falta de uma enfermeira plantonista em toda unidade penal é outro problema que contribui para a defasagem da segurança, avalia. Com a presença desse tipo de profissional para triagem de urgências, nem todo caso teria que ser encaminhado a um hospital ou posto de saúde.  No Presídio de Segurança Máxima, dia desses um preso usou dessa estratégia para tentar fugir, conta outro policial penal que pediu para não ter o nome divulgado.. “O azar dele foi que quem realizou a escolta colocou algemas nos pés dele também”.

Além das emergências, os policiais ainda precisam lidar com consultas pré-agendadas que vão desde os exames de rotina a idas ao dermatologista e sessões de acupuntura.

“Do jeito que está o oficial do dia, que não é formado, que não tem essa responsabilidade, que tem que decidir se o preso vai ou não pro hospital. Então, não é atribuição dele e ele pode responder um processo por facilitação de fuga, se for uma mentira do preso, por exemplo [...] Essas agendadas, eu acho que tem que ter um posicionamento para dar prioridade pra segurança e fazer somente quando for possível”.

O diretor do sindicato da categoria diz que após a PM (Polícia Militar) parar de realizar as escoltas, nada mudou no efetivo que foi remanejado para exercer a função.  “Não teve contrato, não teve concurso público para melhorar esse quadro e isso é um dos motivos da regulamentação. Nós queremos a regulamentação da lei para dar um amparo jurídico pro servidor, para que se tenha um concurso público e a valorização dos profissionais”, pontua.

Torre do presídio de segurança máxima sem a presença de um polcial penal (Foto: Paulo Francis)
Torre do presídio de segurança máxima sem a presença de um polcial penal (Foto: Paulo Francis)

Sem equipamentos - Por volta das 23h30 de sábado, 18 de maio, um policial penal percebeu movimentação no terreno baldio da Rua Bananal que fica ao lado do Presídio de Segurança Máxima. Ao checar o barulho viu dois homens tirando fotos dele.

Após direcionar a lanterna em direção aos suspeitos, o servidor foi surpreendido com três tiros e viu cerca de 10 homens no local. O policial revidou e atirou contra os suspeitos que continuaram disparando em sua direção.

Outro servidor que também estava no plantão ouviu o barulho do tiroteio e foi verificar o que estava acontecendo. Ao perceber a troca de tiros, ele também atirou contra os homens. Na sequência os bandidos fugiram, mas um dos bandidos morreu.

O presidente do sindicato afirma que os policiais que estavam de plantão neste dia não possuíam coletes a prova de balas suficientes para poderem trabalhar. “Há a falta de EPI, que é colete e eles querem que os agentes usem armas, mas não dão nem coldre para a pessoa, que tem que comprar o próprio coldre”.

“O servidor está sendo ameaçado e não está se vendo nenhuma atitude contrária a isso. Isso é um atentado contra o Estado, não é nem contra o servidor, é contra o Estado. Se os presos tomarem coragem de fazer isso, isso pode virar rotineiro” conclui.

Presidente da Federação Sindical Nacional dos Servidores Penitenciários, Fernando Anunciação (Foto: Paulo Francis)
Presidente da Federação Sindical Nacional dos Servidores Penitenciários, Fernando Anunciação (Foto: Paulo Francis)

Reunião - Com tantos problemas, o presidente da Federação Sindical Nacional dos Servidores Penitenciários, Fernando Anunciação, diz que a categoria está cobrando respostas urgentes e à altura da situação ocorrida neste final de semana.

“Nós não podemos deixar o servidor à mercê do crime organizado. Não podemos deixar a sociedade com esse risco iminente de uma uma matança de colegas de trabalho. A gente não sabe o que que ia acontecer realmente esse final de semana, se eles queriam matar os policiais penais que estava na torre para eles invadirem o presídio ou até mesmo uma tentativa de fuga em massa”, disse.

Nos próximos dias deve ser convocada assembleia entre os trabalhadores da categoria, caso não seja enviada resposta para os questionamentos ao governo estadual. “De repente nem governador do Estado sabe dessa realidade que estamos falando. Então a gente espera a resposta a altura para o fato que aconteceu pra depois chamar a assembleia”, explica.

Anunciação ainda afirma que se a assembleia fosse realizada hoje “com certeza o servidor irá entregar seus postos de trabalho, irá se negar a fazer um trabalho tão arriscado como está hoje”.

Em nota oficial, a Agepen informou que o serviço de inteligência está apurando as circunstâncias do que ocorreu no fim de semana e garante que todas as medidas para reforçar a segurança das unidades penais.

“A Agepen tem adotado uma série de medidas para reforçar a segurança no local, entre elas a instalação de telamentos sobre os pavilhões, já em andamento, com o objetivo de coibir arremessos de ilícitos nos pátios".

Na nota, a agência informa, ainda que deu início a treinamento de defesa e combate nas torres do presídio. Os servidores já passaram pela fase teórica e, agora, farão a parte prática. Outras medidas também estariam sendo tomadas, "mas ainda devem ser mantidas em sigilo, por questões de segurança”, completou Agepen.

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