Lotação de temporários da Rede Estadual avança após falhas no sistema e filas
Professores relatam espera prolongada, mudanças de edital e desorganização no atendimento

Depois de um primeiro dia marcado por falhas no sistema, filas e professores que saíram sem definição de vaga, o processo de lotação de docentes temporários da REE (Rede Estadual de Ensino) começou a avançar nesta quinta-feira (29), em Campo Grande. Mesmo assim, o atendimento segue lento, o local permanece cheio e as reclamações continuam.
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O processo de lotação de professores temporários da Rede Estadual de Ensino em Campo Grande enfrenta dificuldades pelo segundo dia consecutivo. Após falhas no sistema e longas filas na quarta-feira, o atendimento na Escola Estadual Maria Constância de Barros Machado segue lento, com reclamações sobre demora e problemas técnicos. Professores relatam insatisfação com a falta de organização, informações desencontradas e exigências rigorosas de documentação. Com salários entre R$ 5.107 e R$ 7.020 para jornada de 40 horas semanais, os docentes também questionam a disparidade de tratamento entre temporários e efetivos. A Secretaria de Estado de Educação não se manifestou sobre as reclamações.
A lotação ocorre na Escola Estadual Maria Constância de Barros Machado, no bairro Amambai, onde desde o período da manhã professores aguardam chamada individual para escolha das vagas. Muitos chegaram ao local ainda antes das 7h, horário indicado em edital, e relatam demora, informações desencontradas e problemas técnicos recorrentes.
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Na quarta-feira (28), primeiro dia do procedimento, o sistema caiu e a maior parte dos convocados deixou a escola sem qualquer definição. A orientação foi para retorno nesta quinta-feira, o que aumentou ainda mais o número de pessoas no local.
“Peguei minha lotação aqui, fui para a escola e não tinha vaga lá. Vim aqui agora para tentar resolver a situação, e parece que hoje vai sair todo mundo com a lotação, mas está vendo aí, cheio de gente, todos com problema no sistema. Falta organização demais, toda vez é isso”, relatou um professor de História, de 31 anos, ao Campo Grande News.
Outra professora disse que a confusão começou ainda no dia anterior. “Todos vieram aqui ontem, era para sair a lotação, e o sistema travou. Teve confusão, mandaram voltar hoje. Agora estamos esperando e estão lotando um por um, cada sala com professores de uma matéria”, afirmou uma professora de inglês, de 26 anos.
Além da demora, professores também reclamam que as regiões indicadas no momento da inscrição para o processo seletivo, que neste ano teve taxa de R$ 80, raramente aparecem como disponíveis no momento da lotação. Também há queixas sobre custos adicionais com exames admissionais e sobre a exigência de extensa documentação, sob risco de desclassificação imediata.
Em relato enviado ao canal Direto das Ruas, um professor que pediu anonimato classificou o processo como desumano. Segundo ele, o nível de exigência contrasta com a falta de organização do Estado.
“É um processo seletivo rigoroso, a gente estuda muito para a prova. Neste ano cobraram R$ 80 de taxa e, mesmo assim, a situação está pior que nos anos anteriores. O tratamento com os convocados é humilhante. Ontem ficamos desde as 7h da manhã e só começaram a atender depois das 20h. No fim, disseram que o sistema caiu e mandaram todo mundo voltar”, afirmou.
O professor também criticou a falta de comunicação oficial sobre mudanças no cronograma e a publicação de novos editais sem aviso prévio aos que já aguardavam atendimento. “Se faltar um documento, a pessoa é desclassificada na hora. Mas eles não cumprem horário, não cumprem o combinado e nada acontece. As informações só circulam em grupos de professores,” disse.
Segundo o relato, há ainda sensação de desigualdade no tratamento entre professores temporários e efetivos. “O convocado é mais cobrado, tem menos direitos, fica com medo de questionar. E mesmo assim somos nós que mais trabalhamos dentro da escola”, completou.

Servidores da SED (Secretaria de Estado de Educação) informaram, no local, que a lotação desta quinta-feira deve contemplar os professores que ficaram sem atendimento no dia anterior. A expectativa é que todos saiam com definição de vaga, ainda que o processo siga até sexta-feira (30), conforme novo escalonamento divulgado em edital.
Conforme a tabela salarial, professores temporários recebem entre R$ 3.756 e R$ 7.512 de remuneração bruta, conforme a carga horária semanal. Após os descontos obrigatórios, o valor líquido varia de aproximadamente R$ 3.286, para 20 horas, a R$ 5.665, para 40 horas semanais. Segundo a própria tabela, esses valores representam cerca de metade do salário de um professor concursado.
O Campo Grande News procurou a SED para comentar as reclamações sobre falhas no sistema, demora no atendimento e critérios de oferta de vagas, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço segue aberto para posicionamento oficial.
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