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22/10/2014 12:04

Mãe perdoa assassino de jovem, mas espera que justiça seja feita

Renan Nucci
Acusado confessou o crime, mas disse que foi atacado antes pela vítima. (Foto: Marcos Ermínio)Acusado confessou o crime, mas disse que foi atacado antes pela vítima. (Foto: Marcos Ermínio)

Jiovan Cleber Clementino da Silva, 34 anos, está sendo julgado na 2ª Vara do Tribunal do Juri de Campo Grande na manhã desta quarta-feira (22), acusado de matar com uma facada o servente de pedreiro Duarte Gonçalves de Oliveira, 19 anos, em janeiro do ano passado, no Jardim Noroeste. A mãe da vítima, Sônia Regina Oliveira Gonçalves, disse que perdoa o assassino do filho, mas espera que ele pague pelo que fez.

Durante o depoimento, Sônia ficou frente a frente com Jiovan e se emocionou ao lembrar do filho. Segundo ela, Duarte era uma pessoa de bem, evangélica e muito prestativa. “Era um bom menino. Não tinha vícios, não saía de casa para ir festar pela madrugada. Ele frequentava a igreja e até participava do grupo de jovens, ajudando as crianças da comunidade. Quando morreu, o velório dele ficou cheio de crianças”, disse a mãe.

O crime aconteceu durante a tarde do dia 24 de janeiro de 2013. Após desentendimento, Jiovan atacou Duarte com uma facada nas costas. O jovem chegou a receber os primeiros socorros do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), mas não resistiu aos ferimentos. Após a ação, o autor fugiu de moto. A mãe não estava em casa naquele momento, mas destacou que o filho sempre era ameaçado por Jiovan.

“O menino saía para ir ao trabalho e Jiovan ia atrás dele, o ofendendo, o chamando de crentinho safado. Meu filho sempre resistiu às provocações que aconteciam até em seu local de trabalho, já que ele estava ajudando em uma construção do bairro”, disse a mãe, comentando ainda que em um dos casos, o filho levou uma cuspida na face por parte do réu. “As provocações eram muitas”.

Perdão - Sofrendo com a ausência de um dos filhos, Sônia perdoou o assassino. “Eu o perdoo, mas quero que ele responda por todo mal que causou. Uma pessoa como ele não pode ficar impune”, alertou. Os envolvidos moravam em um conjunto residencial no qual as casas não possuem muros, e os habitantes se deslocam livremente pelo quintal de vizinhos. Uma moradora, identificada como Maria de Fátima, presenciou o ataque.

Ela disse que viu pela janela o autor dando uma facada nas costas da vítima. A mulher também falou um pouco sobre o comportamento dos dois no residencial. Para ela, Duarte “era uma pessoa maravilhosa”, já sobre Jiovan, a declaração é outra. O homem seria um “vizinho problema”, que passava a maior parte do tempo sozinho, procurando confusão com os demais moradores. “Jiovan ficava provocando todo mundo e fazendo ameaças para quem se aproximasse. Era uma homem esquisito”, justificou ela, ressaltando que notou um comportamento estranho dele ano no dia do crime. “Ele levantou cedo e disse que ia matar alguém”.

A mãe de Duarte mencionou ainda que o autor seria homofóbico, pois amaeçava um jovem homossexual que vivia no residencial, e também que odiava evangélicos. “Ele ofendia a gente e nossos amigos. Somos pessoas da igreja. Ele falava que nos odiava, que não gostava de crentes”, alegou. A irmã de Duarte viu de perto ele sendo assassinado. Aline Gonçalves de Oliveira mencionou perante o juiz que o irmão não fez nada para ser atacado.

Segundo os relatos, Jiovan, alterado, sentou debaixo de uma árvore que ficava em frente à casa da vítima, onde passou a proferir ameaças. O servente de pedreiro saiu e pediu para que ele fosse embora, quando foi golpeado. “Meu irmão disse pra ele sair, que ali não era a casa dele. Eu fui e puxei meu irmão pelo braço e quando ele virou de costas, tomou a facada. Fiquei desesperada e pedi ajuda. Naquele dia, todos viram Jiovam alterado, falando que esta pensando em matar alguém”, reforçou.

Acusado - Após o crime o acusado fugiu. A defesa chegou a alegar que ele sofre transtornos psicológicos, mas não levou esta tese adiante. Já o autor, por sua vez, confessou tudo, mas disse que vinha sendo ameaçado pela vítima. Ele falou também que não se sentia bem dentro da própria casa, pois tinha suas atividades bisbilhotadas pelos vizinhos e sempre era motivo de chacota, principalmente depois que a esposa e os dois filhos o deixaram.

“Eu usei a faca porque ele veio para cima de mim. Isso eu assumo, mas estão falando ai que não gosto de evangélico, o que é mentira. Sou criado na igreja desde pequeno”, alegou. Segundo o juiz Aluízio Pereira dos Santos, titular da Vara, Jiovam responde por homicídio qualificado por motivo fútil (desentendimento entre vizinhos), e por não ter dado chance de defesa à vítima.

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