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Capital

“Me moeu na pancada”, diz travesti que deixou motorista desmaiado

Homem de 37 anos ficou desacordado em calçada e, socorrido pelo Samu, foi parar na Santa Casa

Por Anahi Zurutuza | 22/05/2020 12:47
Carro do motorista de aplicativo teve vidros detonados (Foto: Direto das Ruas)
Carro do motorista de aplicativo teve vidros detonados (Foto: Direto das Ruas)

Com a condição de anonimato, a travesti de 22 anos que deixou motorista de aplicativo desacordado em rua da Vila Carvalho, em Campo Grande, deu entrevista e contou sua versão do ocorrido na noite de ontem (22). Ela alega que revidou agressão. “Ele me moeu na pancada”.

A travesti narra que havia pedido carro para voltar para casa por volta das 23h. “Trabalho na noite, mas não dá para ficar na rua por causa do toque de recolher”.

Ela alega ainda que a briga começou porque, diante do “clima tenso” dentro do carro, pediu para que o motorista encerrasse a corrida. “Ele desceu e foi me tirar pelos cabelos, eu peguei a chave do carro e joguei para dentro de uma casa e aí ele veio me agredir. Até o pessoal separar quem estava apanhando era eu e quando ele parou de me bater, foi quando eu agredi ele”.

A jovem diz acreditar que o motorista a tratou mal por preconceito. “Campo Grande tem um cenário muito feio das trans aprontando, achou que ele pensou que eu ia fazer alguma coisa com ele”.

O carro do motorista ficou muito danificado e a travesti admite que atirou pedras no homem, mas alega que o intuito era se defender.

Registro policial – Conforme boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para atender ocorrência de vias de fato e quando chegou ao local encontrou o motorista de aplicativo, de 37 anos,  caído com sangramento na região da cabeça e escoriações. A travesti já não estava mais no local. Ela havia ido à delegacia denunciar o fato. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado e socorreu a vítima à Santa Casa.

Testemunhas relataram aos policiais que, avistaram a travesti e a vítima brigando dentro do veículo (um Fiat Uno). Alguns motoristas de aplicativo presenciaram a confusão e tentaram separar a briga, mas sem sucesso. Ainda segundo testemunhas, as agressões continuaram e o motorista acabou espancado, também, por outras travestis da região.

O caso foi registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro.