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Capital

Médicos quase triplicam jornada na fase mais dura da guerra contra a covid

Na rede pública, profissional conta que o maior medo é que acabem os medicamentos

Por Aline dos Santos | 23/03/2021 10:00
Paciente durante atendimento no Hospital Regional, referência para tratamento da covid. (Foto: Saul Schramm)
Paciente durante atendimento no Hospital Regional, referência para tratamento da covid. (Foto: Saul Schramm)

O cansaço na voz dos entrevistados não nega a realidade identificada pelo SinMed/MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul): a jornada de plantões quase triplicou nesta fase mais aguda da pandemia de covid-19.

Antes da maior crise de saúde da história recente, a média nos hospitais de Campo Grande era de 24 horas semanais de plantão. Agora, chega a 60 horas mensais para alguns profissionais.

“A sobrecarga é evidente na rede pública e privada. O número de pacientes aumentou muito e a complexidade também. Chegam muito mais grave do que chegavam previamente. A maior parte dos profissionais fazia uma média de dois plantões de 12h por semana. Hoje, no mesmo serviço, são de 48h a 60h por semana. Estão sobrecarregados, mas a maioria está na ativa e tenta ajudar”, afirma o presidente do sindicato, Marcelo Santana.

O SinMed recebeu denúncias pontuais de sobrecarga de trabalho e também de médicos que foram deslocados de setor em hospitais públicos. “A situação é complexa. A gente entende o colega na questão, mas a situação é de guerra”.

Há um ano sem férias, Santana acompanha o agravamento da pandemia na linha de frente de dois hospitais particulares. “Essa variante brasileira, a P1, é muito mais virulenta, principalmente na faixa etária mais nova. O comportamento do vírus é mais agressivo. Uma coisa horrível”, afirma Marcelo Santana.

Ciclo da exaustão - No Hospital Regional Rosa Pedrossian, referência para o tratamento da covid-19, um médico há 30 anos na profissão e que pediu para não ter o nome divulgado relata o ciclo da exaustão.

“A carga-horária é a do contrato do concurso. Mas, se tiver que ficar mais você fica diante da necessidade. Todos estão sobrecarregados. Fisioterapeutas, técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos, pessoal da limpeza. O nosso medo é acabar os medicamentos”, afirma o médico.

Na linha de frente e com o colapso batendo à porta, o profissional direciona um apelo para a população. “A variante P1 parece ter características de infectividade e gravidade muito superior. A ferocidade do vírus é muito grande. Depende muito mais da postura da população do que da área médica”, diz.

Boletim da SES (Secretaria Estadual de Saúde) mostra 1.086 pessoas internadas em Mato Grosso do Sul, maior número desde a chegada do coronavírus em março de 2020. Do total, 450 pacientes estão na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

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