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Capital

“Meu Deus, segura a minha casa”: chuva forte causa medo em moradores de favela

Ontem, choveu tão forte que a dona de casa Mariana Mendes teve medo do vento levar o seu barraco

Viviane Oliveira e Izabela Cavalcanti | 20/09/2022 09:25
Andreia mostrando os buracos abertos no telhado improvisado. (Foto: Marcos Maluf)
Andreia mostrando os buracos abertos no telhado improvisado. (Foto: Marcos Maluf)

Moradores da Favela do Mandela, localizada na Rua Elmira Ferreira de Lima, na saída para Cuiabá em Campo Grande, ficam preocupados cada vez que tem previsão de chuva forte para a cidade. Ontem, por exemplo, na hora do temporal com ventos de 65 km/h, a dona de casa Mariana Mendes, de 25 anos, contou que chegou a clamar: “Meu Deus, segura a minha casa”, contou.

Ela mora em um barraco de madeira com os dois filhos de 7 e 2 anos. Para piorar a situação, a comunidade fica em área de risco, às margens do Córrego Segredo. Segundo Mariana, que sobrevive da renda do Auxílio Brasil, mora há 5 anos no local e a cada chuva ninguém consegue dormir, porque tem de ficar correndo de um lado para o outro para proteger camas, fogão e geladeiras que ficam molhados por causa do telhado improvisado. Sem contar o barro e a lama que invadem os cômodos do barraco.

“Ontem, foi um desespero. Começou a estalar, meus filhos foram para debaixo da cama de tanto medo do temporal. Um deles pedia para ir para a casa do pai. Mas eu falo que é com as lutas que a gente aprende e que isso tudo vai passar”, lamentou.

Mariana que pede para Deus não deixar o vento levar a sua casa. (Foto: Marcos Maluf)
Mariana que pede para Deus não deixar o vento levar a sua casa. (Foto: Marcos Maluf)

A dona de casa Maria Mendes de Sá, de 75 anos, também passou por sufoco no momento da chuva. Ela mora há 3 anos na favela com a bisneta em um barraco construído com restos de madeiras e lonas. Para não ficar com a casa toda inundada, Maria coloca baldes nos cômodos por causa das inúmeras goteiras.

“Começou a gotejar, chove muito em cima da cama, que fica toda ensopada. É muito ruim, quando o tempo fecha, a gente pede pra Deus não deixar ventar, não deixar chover forte”, disse. A idosa também vive com benefício do Governo e às vezes, quando consegue comprar ingredientes, faz pão caseiro para vender. “Esses tempos a gente passou por muito aperto. Agora, estou precisando de uma geladeira”, destacou.

Lona (de cor azul) que proteje a cama das goteira. (Foto: Marcos Maluf)
Lona (de cor azul) que proteje a cama das goteira. (Foto: Marcos Maluf)

Vive na mesma situação Andreia Argilar, de 45 anos, que atualmente está desempregada. “Aqui é uma cachoeira, molha tudo, sempre tem que jogar lona por cima dos móveis, pra gente não perder. Não sei nem dizer o que eu sinto quando começa a chover”, disse. Ela vive com o marido, que é servente de pedreiro, e os filhos de 7 e 8 anos. Segundo Andreia, durante a chuva, os barracos vão se movendo rumo ao córrego. “Meu banheiro já está quase indo parar na água”.

Banheiro que a moradora afirmou estar se movendo rumo ao córrego. (Foto: Marcos Maluf)
Banheiro que a moradora afirmou estar se movendo rumo ao córrego. (Foto: Marcos Maluf)

Cerca de 500 famílias, sendo 240 crianças, vivem em 183 barracos, na Favela do Mandela. Conforme o meteorologista da Uniderp/Anhanguera, Natálio Abrahão Filho, durante o temporal de ontem na Capital choveu 34,2 mm (milímetros) com granizo e ventos de 65,16 km/h.

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