ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JUNHO, QUARTA  10    CAMPO GRANDE 24º

Capital

MPMS faz novas diligências em clínica de hemodiálise após morte de paciente

Promotoria analisa documentos e busca novos elementos antes de decidir se abre inquérito civil sobre o caso

Por Bruna Marques | 10/06/2026 12:00
MPMS faz novas diligências em clínica de hemodiálise após morte de paciente
Pacientes realizam sessão de hemodiálise na clínica DaVita, em Campo Grande (Foto: Direto das Ruas)

A 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande determinou novas diligências no procedimento que apura denúncias envolvendo a clínica DaVita, localizada na Rua Treze de Maio, no Bairro São Francisco. A unidade realiza atendimentos de hemodiálise a pacientes pelo SUS (Sistema Único de Saúde), convênios e também de forma particular.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande determinou novas diligências para apurar denúncias contra a clínica DaVita, que realiza hemodiálise pelo SUS. O caso envolve relatos de pacientes que passaram mal durante sessões, falhas no atendimento, problemas na estrutura e a morte de um paciente. A Vigilância Sanitária Estadual fiscalizou a unidade em maio, e a SES analisa a defesa apresentada pela clínica. Um ex-funcionário apontou sobrecarga e possível falha no reprocessamento de materiais.

O caso envolve relatos de pacientes que teriam passado mal durante sessões, reclamações sobre a estrutura da unidade, suspeita de falhas no atendimento e a morte de um paciente. As circunstâncias do óbito ainda não foram esclarecidas oficialmente.

Em nota, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) informou que a promotoria recebeu o relatório com os documentos encaminhados e determinou a realização de novas diligências. Segundo o órgão, a Notícia de Fato tramita regularmente, dentro do prazo legal de até 120 dias.

Após essa fase, os elementos reunidos serão analisados pela promotoria, que poderá avaliar a abertura de Inquérito Civil.

Fiscalização da Vigilância Sanitária - O caso veio à tona depois que pacientes denunciaram más condições de atendimento na unidade. Na manhã de 7 de maio, equipes da Vigilância Sanitária Estadual estiveram na clínica para verificar a situação.

A SES (Secretaria de Estado de Saúde) informou que a empresa DaVita apresentou defesa dentro do prazo, encerrado em 3 de junho. Os documentos entregues estão sendo analisados pelas áreas técnicas da secretaria.

Ainda conforme a SES, após essa etapa, o processo sanitário será encaminhado para julgamento pela coordenação responsável. A secretaria afirmou que o procedimento segue em tramitação regular para apuração dos fatos e que todas as medidas administrativas e sanitárias cabíveis serão adotadas, respeitando o direito de defesa da empresa.

Reclamações sobre estrutura - Pacientes ouvidos pela reportagem relataram problemas na estrutura da clínica e diferenças entre o atendimento prestado a usuários do SUS e pacientes particulares.

Entre as reclamações estão poltronas antigas e desgastadas, falta de espaço adequado para refeições, necessidade de pedir a limpeza das cadeiras antes das sessões e problemas de climatização nas salas de tratamento.

Uma paciente de 50 anos, que faz hemodiálise na unidade há quase quatro anos, afirmou que colegas passaram mal e precisaram ser hospitalizados. Ela também relatou que pacientes do SUS passaram a se alimentar na recepção depois que o refeitório teria ficado restrito a funcionários.

Pacientes também relataram calor dentro das salas de procedimento. Pelo canal Direto das Ruas, uma mulher enviou vídeo mostrando o local e afirmou que o ar-condicionado de uma das salas não funcionava havia mais de um mês.

Relatos sobre pacientes que passaram mal - Segundo relatos encaminhados à reportagem, cerca de 10 pacientes teriam apresentado sintomas aproximadamente uma hora e meia após o início das sessões de hemodiálise. Os casos teriam ocorrido no turno da manhã.

Uma das suspeitas levantadas por pacientes e pessoas ligadas ao caso é de possível falha no processo de esterilização ou reprocessamento dos materiais usados nas sessões de hemodiálise.

Essa hipótese, no entanto, ainda depende de apuração técnica e confirmação oficial. Até o momento, não há conclusão pública que confirme a causa dos sintomas relatados pelos pacientes.

Sobrecarga e falha humana - Um ex-funcionário da clínica, enfermeiro especialista em nefrologia, afirmou à reportagem que a unidade enfrentava problemas de equipe, alta rotatividade e sobrecarga de profissionais.

Ele também apontou a possibilidade de falha humana no reprocessamento de materiais, como linhas e capilares usados durante as sessões de hemodiálise.

A informação é tratada como relato e ainda não há confirmação oficial de que eventual falha no reprocessamento tenha ocorrido ou tenha relação com os sintomas relatados por pacientes.

A reportagem procurou a Polícia Civil para saber se há investigação em andamento sobre o caso, se foi instaurado inquérito policial, quais diligências já foram realizadas e se óbitos de pacientes que passaram pela clínica DaVita estão sendo apurados no âmbito criminal.

Também foi questionado se há laudos periciais solicitados, depoimentos colhidos ou previsão de conclusão da apuração. A reportagem aguarda retorno.

O Campo Grande News entrou em contato com a assessoria da DaVita e questionou a clínica sobre os atendimentos de 27 de abril, os óbitos posteriores de dois pacientes, a fiscalização da Vigilância Sanitária Estadual e as medidas adotadas após a autuação. O portal aguarda retorno.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.