MPMS faz novas diligências em clínica de hemodiálise após morte de paciente
Promotoria analisa documentos e busca novos elementos antes de decidir se abre inquérito civil sobre o caso
A 76ª Promotoria de Justiça de Campo Grande determinou novas diligências no procedimento que apura denúncias envolvendo a clínica DaVita, localizada na Rua Treze de Maio, no Bairro São Francisco. A unidade realiza atendimentos de hemodiálise a pacientes pelo SUS (Sistema Único de Saúde), convênios e também de forma particular.
RESUMO
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O caso envolve relatos de pacientes que teriam passado mal durante sessões, reclamações sobre a estrutura da unidade, suspeita de falhas no atendimento e a morte de um paciente. As circunstâncias do óbito ainda não foram esclarecidas oficialmente.
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Em nota, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) informou que a promotoria recebeu o relatório com os documentos encaminhados e determinou a realização de novas diligências. Segundo o órgão, a Notícia de Fato tramita regularmente, dentro do prazo legal de até 120 dias.
Após essa fase, os elementos reunidos serão analisados pela promotoria, que poderá avaliar a abertura de Inquérito Civil.
Fiscalização da Vigilância Sanitária - O caso veio à tona depois que pacientes denunciaram más condições de atendimento na unidade. Na manhã de 7 de maio, equipes da Vigilância Sanitária Estadual estiveram na clínica para verificar a situação.
A SES (Secretaria de Estado de Saúde) informou que a empresa DaVita apresentou defesa dentro do prazo, encerrado em 3 de junho. Os documentos entregues estão sendo analisados pelas áreas técnicas da secretaria.
Ainda conforme a SES, após essa etapa, o processo sanitário será encaminhado para julgamento pela coordenação responsável. A secretaria afirmou que o procedimento segue em tramitação regular para apuração dos fatos e que todas as medidas administrativas e sanitárias cabíveis serão adotadas, respeitando o direito de defesa da empresa.
Reclamações sobre estrutura - Pacientes ouvidos pela reportagem relataram problemas na estrutura da clínica e diferenças entre o atendimento prestado a usuários do SUS e pacientes particulares.
Entre as reclamações estão poltronas antigas e desgastadas, falta de espaço adequado para refeições, necessidade de pedir a limpeza das cadeiras antes das sessões e problemas de climatização nas salas de tratamento.
Uma paciente de 50 anos, que faz hemodiálise na unidade há quase quatro anos, afirmou que colegas passaram mal e precisaram ser hospitalizados. Ela também relatou que pacientes do SUS passaram a se alimentar na recepção depois que o refeitório teria ficado restrito a funcionários.
Pacientes também relataram calor dentro das salas de procedimento. Pelo canal Direto das Ruas, uma mulher enviou vídeo mostrando o local e afirmou que o ar-condicionado de uma das salas não funcionava havia mais de um mês.
Relatos sobre pacientes que passaram mal - Segundo relatos encaminhados à reportagem, cerca de 10 pacientes teriam apresentado sintomas aproximadamente uma hora e meia após o início das sessões de hemodiálise. Os casos teriam ocorrido no turno da manhã.
Uma das suspeitas levantadas por pacientes e pessoas ligadas ao caso é de possível falha no processo de esterilização ou reprocessamento dos materiais usados nas sessões de hemodiálise.
Essa hipótese, no entanto, ainda depende de apuração técnica e confirmação oficial. Até o momento, não há conclusão pública que confirme a causa dos sintomas relatados pelos pacientes.
Sobrecarga e falha humana - Um ex-funcionário da clínica, enfermeiro especialista em nefrologia, afirmou à reportagem que a unidade enfrentava problemas de equipe, alta rotatividade e sobrecarga de profissionais.
Ele também apontou a possibilidade de falha humana no reprocessamento de materiais, como linhas e capilares usados durante as sessões de hemodiálise.
A informação é tratada como relato e ainda não há confirmação oficial de que eventual falha no reprocessamento tenha ocorrido ou tenha relação com os sintomas relatados por pacientes.
A reportagem procurou a Polícia Civil para saber se há investigação em andamento sobre o caso, se foi instaurado inquérito policial, quais diligências já foram realizadas e se óbitos de pacientes que passaram pela clínica DaVita estão sendo apurados no âmbito criminal.
Também foi questionado se há laudos periciais solicitados, depoimentos colhidos ou previsão de conclusão da apuração. A reportagem aguarda retorno.
O Campo Grande News entrou em contato com a assessoria da DaVita e questionou a clínica sobre os atendimentos de 27 de abril, os óbitos posteriores de dois pacientes, a fiscalização da Vigilância Sanitária Estadual e as medidas adotadas após a autuação. O portal aguarda retorno.
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