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Capital

Mulheres e indígenas puxam ato contra 6x1 e terceirização em Campo Grande

No centro, categorias pedem jornada menor e criticam precarização do trabalho e cortes na previdência

Por Kamila Alcântara e Ketlen Gomes | 30/04/2026 16:06
Mulheres e indígenas puxam ato contra 6x1 e terceirização em Campo Grande
Marcha da classe trabalhadora na Praça do Rádio, em Campo Grande (Foto: Maya Severino)

Com críticas à escala 6x1, à terceirização e ao desconto sobre aposentadorias, a marcha da classe trabalhadora reuniu manifestantes nesta quarta-feira (30), na Praça do Rádio, em Campo Grande. O ato, organizado pela Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul), atraiu caravanas do interior e levou cerca de 2 mil pessoas ao centro da cidade, segundo estimativa dos organizadores.

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Cerca de 2 mil trabalhadores se reuniram nesta quarta-feira (30) em Campo Grande para a marcha do Dia do Trabalhador, organizada pela Fetems. O ato concentrou críticas à escala 6x1, à terceirização e ao desconto de 14% sobre aposentadorias, com participação de categorias como educadores, indígenas e agricultores familiares. O fim da jornada de seis dias de trabalho foi a principal pauta do protesto, que percorreu a Avenida Afonso Pena e a Rua 14 de Julho.

A principal pauta, repetida por diferentes categorias, é o fim da jornada de seis dias de trabalho para um de descanso. De acordo com a presidente da federação dos trabalhadores da indústria no Estado, Cleo Bertoli, a mudança tem impacto direto, principalmente para as mulheres.

“Hoje a nossa pauta é o fim da escala 6x1. Nas indústrias isso ainda existe e é prejudicial, porque gera sobrecarga. Para nós mulheres, o único dia de descanso não é descanso, é trabalho doméstico, família”, afirmou.

Ela argumenta que a mudança abriria espaço não só para descanso, mas também para qualificação. “Com o fim da escala 6x1, a gente ganha tempo para a família, para estudar, para mudar de função”, disse.

Mulheres e indígenas puxam ato contra 6x1 e terceirização em Campo Grande
Professora Aldenir Aquino Ximendes, veio de Antônio João para a manifestação (Foto: Maya Severino)

Outro alvo frequente das críticas foi a terceirização. Professora indígena em Antônio João, Aldenir Aquino Ximendes afirmou que a pauta é central para a categoria. “Não à terceirização. Para nós, trabalhadores indígenas e não indígenas, esse tipo de contratação enfraquece direitos. Um evento como esse fortalece a nossa luta como cidadãos e povos originários”, declarou.

A defesa da reforma agrária e do acesso à terra também apareceu no ato. O representante da Fetraf (Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil), José Lino da Silva, resumiu o tom do movimento. “Nós só conseguimos as coisas com luta. Sem organização e união, nenhum trabalhador conquista nada”, afirmou.

Além das pautas mais tradicionais, o protesto também incorporou temas que vêm gerando debate público, como o combate à violência contra mulheres e direitos de minorias. Segundo o vice-presidente da Fetems, Onivan de Lima Correia, o ato tenta dialogar com diferentes frentes.

“A principal bandeira é o fim da escala 6x1, mas também defendemos concurso público, somos contra a terceirização e criticamos o desconto de 14% sobre aposentadorias. Além disso, há pautas sociais, como o combate à violência contra as mulheres”, explicou.

Mulheres e indígenas puxam ato contra 6x1 e terceirização em Campo Grande
Vice-presidente da Fetems, Onivan de Lima Correia (Foto: Maya Severino)
Mulheres e indígenas puxam ato contra 6x1 e terceirização em Campo Grande
Manifestantantes em caminhada pela Afonso Pena (Foto: Ketlen Gomes)

Ele também destacou que a jornada atual afeta principalmente trabalhadores da iniciativa privada. “No serviço público, em geral, já existe escala diferente. A 6x1 atinge mais quem está no setor privado, trazendo sobrecarga e menos tempo com a família”, disse.

A marcha saiu da Praça do Rádio e percorreu ruas centrais, com panfletagem e faixas para chamar atenção da população. O trajeto passou pela Avenida Afonso Pena, seguiu até a Rua 14 de Julho e retornou ao ponto de partida.

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