‘Não sei o que vai ser da minha vida’, afirma despejado de abrigo municipal
Cetremi foi fechado pela prefeitura após o fim dos convênios com a Omep e a Seleta

Paulo Hilário, 56 anos, parou de beber, refez os documentos, cuidou da saúde e estava pronto para encontrar um emprego e mudar de vida. Mas, foi pego de surpresa com a notícia de que o Cetremi (Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante) vai fechar as portas.
Ele e outros 89 moradores do abrigo foram despejados no fim de tarde chuvoso deste sábado (17).
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Paulo vive no local há seis meses, desde que foi tirado das ruas pela SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) e estava bem debilitado quando chegou. “Eu era alcoólatra, passava fome e frio. Não tenho família, não tenho para onde ir, vou voltar para a rua e não sei o que vai ser da minha vida”, afirmou antes de deixar o abrigo.
Osnei Soares de Andrade, 41, passou quatro anos no Cetremi. Ele tem uma deficiência na perna e tenta a aposentadoria por invalidez. “Minha perícia é na segunda-feira”, contou.
Sem saber o que fazer, Osnei se diz indignado. “Você vai sair daqui hoje e vai pra sua casa e eu? Eu não tenho casa. Será que nós vamos ter onde passar o Natal?”, questionou a reportagem.
Ele também mandou recado para os integrantes do esquema de desvio de recursos dos cofres municipais por meio dos convênios com a Omep e com a Seleta. “Esse povo que roubou vai tudo dormir na casa deles, eles têm teto. A corda só arrebenta para o lado mais fraco”, reclamou.
Fechamento – Devido ao fim dos convênios com a Organização Mundial para e com a Seleta, determinado pela Justiça, a Prefeitura de Campo Grande decidiu fechar o Cetremi, unidade situada no Parque dos Poderes que acolhe moradores de rua e usuários de drogas.
Até o fim da tarde deste sábado (17), a ordem interromper o atendimento e as ao menos 90 pessoas abrigadas no local ficariam sem ter onde comer e dormir pelos próximos dias.
O jantar foi servido, funcionários comunicados da decisão e aos poucos, no início desta noite, abrigados deixaram o local.
De acordo com a diretora de Proteção Social da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social), Inara Sales Cabral, apenas seis servidores concursados trabalham no Cetremi, que funciona 24 horas e atende cerca de 100 pessoas por dia. “Fica inviável manter aberto sem o pessoal terceirizado”, explicou.
Para manter o atendimento ininterrupto, são necessários ao menos 25 funcionários, para a limpeza, cozinha, assistência social, dentre outros serviços.
Fora o Cetremi, a SAS mantém outros quatro abrigos para crianças e uma casa para deficientes que são vítimas de maus-tratos ou negligência e por isso, retiradas da família. Servidores tiveram de ser remanejados para atender aos outras unidades.
Funcionários da Omep e da Seleta que atuam no Cetremi ainda não foram demitidos, mas na tarde desta sexta-feira (16), depois da determinação judicial para rompimento dos convênios, o Executivo municipal proibiu que os contratados da Omep e da Seleta tenham “acesso a toda e qualquer repartição pública, onde desempenhavam suas funções”, por meio de comunicado publicado no Diário Oficial do Município.