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Capital

‘Não sei o que vai ser da minha vida’, afirma despejado de abrigo municipal

Cetremi foi fechado pela prefeitura após o fim dos convênios com a Omep e a Seleta

Por Anahi Zurutuza e Julia Kaifanny | 17/12/2016 18:48
Moradores arrumaram as malas e deixaram abrigo no fim da tarde chuvosa  (Foto: Marcos Ermínio)
Moradores arrumaram as malas e deixaram abrigo no fim da tarde chuvosa (Foto: Marcos Ermínio)
Osnei de Andrade diz estar indignado com a situação; ‘a corda só arrebenta para o lado mais fraco’, diz  (Foto: Marcos Ermínio)
Osnei de Andrade diz estar indignado com a situação; ‘a corda só arrebenta para o lado mais fraco’, diz (Foto: Marcos Ermínio)

Paulo Hilário, 56 anos, parou de beber, refez os documentos, cuidou da saúde e estava pronto para encontrar um emprego e mudar de vida. Mas, foi pego de surpresa com a notícia de que o Cetremi (Centro de Triagem e Encaminhamento do Migrante) vai fechar as portas.

Ele e outros 89 moradores do abrigo foram despejados no fim de tarde chuvoso deste sábado (17).

Paulo vive no local há seis meses, desde que foi tirado das ruas pela SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) e estava bem debilitado quando chegou. “Eu era alcoólatra, passava fome e frio. Não tenho família, não tenho para onde ir, vou voltar para a rua e não sei o que vai ser da minha vida”, afirmou antes de deixar o abrigo.

Osnei Soares de Andrade, 41, passou quatro anos no Cetremi. Ele tem uma deficiência na perna e tenta a aposentadoria por invalidez. “Minha perícia é na segunda-feira”, contou.

Sem saber o que fazer, Osnei se diz indignado. “Você vai sair daqui hoje e vai pra sua casa e eu? Eu não tenho casa. Será que nós vamos ter onde passar o Natal?”, questionou a reportagem.

Ele também mandou recado para os integrantes do esquema de desvio de recursos dos cofres municipais por meio dos convênios com a Omep e com a Seleta. “Esse povo que roubou vai tudo dormir na casa deles, eles têm teto. A corda só arrebenta para o lado mais fraco”, reclamou.

Funcionários choraram muito ao ter de anunciar fechamento para abrigados (Foto: Marcos Ermínio)
Funcionários choraram muito ao ter de anunciar fechamento para abrigados (Foto: Marcos Ermínio)
Despedida foi dolorosa (Foto: Marcos Ermínio)
Despedida foi dolorosa (Foto: Marcos Ermínio)

Fechamento – Devido ao fim dos convênios com a Organização Mundial para e com a Seleta, determinado pela Justiça, a Prefeitura de Campo Grande decidiu fechar o Cetremi, unidade situada no Parque dos Poderes que acolhe moradores de rua e usuários de drogas.

Até o fim da tarde deste sábado (17), a ordem interromper o atendimento e as ao menos 90 pessoas abrigadas no local ficariam sem ter onde comer e dormir pelos próximos dias.

O jantar foi servido, funcionários comunicados da decisão e aos poucos, no início desta noite, abrigados deixaram o local.

De acordo com a diretora de Proteção Social da SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social), Inara Sales Cabral, apenas seis servidores concursados trabalham no Cetremi, que funciona 24 horas e atende cerca de 100 pessoas por dia. “Fica inviável manter aberto sem o pessoal terceirizado”, explicou.

Para manter o atendimento ininterrupto, são necessários ao menos 25 funcionários, para a limpeza, cozinha, assistência social, dentre outros serviços.

Fora o Cetremi, a SAS mantém outros quatro abrigos para crianças e uma casa para deficientes que são vítimas de maus-tratos ou negligência e por isso, retiradas da família. Servidores tiveram de ser remanejados para atender aos outras unidades.

Funcionários da Omep e da Seleta que atuam no Cetremi ainda não foram demitidos, mas na tarde desta sexta-feira (16), depois da determinação judicial para rompimento dos convênios, o Executivo municipal proibiu que os contratados da Omep e da Seleta tenham “acesso a toda e qualquer repartição pública, onde desempenhavam suas funções”, por meio de comunicado publicado no Diário Oficial do Município.

Alguns abrigados levaram seus poucos pertences em sacolas plásticas (Foto: Marcos Ermínio)
Alguns abrigados levaram seus poucos pertences em sacolas plásticas (Foto: Marcos Ermínio)
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