"Não sei se choro ou dou risada", diz aposentado ao recuperar Opala 1977 furtado
Veículo foi entregue a falso mecânico que sumiu com R$ 15 mil do aposentado e é procurado pela polícia
RESUMO
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Um misto de lágrimas, alívio e a sensação de justiça. Foi assim que o aposentado Nilson da Silva, de 73 anos, recebeu seu Chevrolet Opala 1977 na manhã desta quinta-feira (1º), na Defurv (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos). O carro foi encontrado no final da tarde de quarta-feira (30), por equipe da PM (Polícia Militar).
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Nilson foi vítima de um golpe em agosto deste ano quando levou o veículo até uma oficina no Bairro Santa Luzia. Na ocasião, o aposentado deixou o Opala sob os cuidados de Dário Silveira de Oliveira e pagou R$ 15 mil pela reforma do carro, que desde então não foi mais visto.
Na época, Nilson chegou a tentar contato com o falso mecânico e ir até a oficina que foi encontrada vazia. Ao aposentado, vizinhos do estelionatário confirmaram que o homem não era mecânico e que possuía histórico de golpes. Junto com o sumiço, veio ainda o bloqueio do contato feito por Dário.
Mas o baque emocional da perda do "xodó" cobrou um preço alto. Nilson passou cerca de 15 dias sem conseguir comer ou dormir direito, enfrentando crises de diarreia e sangramentos, e hoje, ao ver novamente o Opala, a emoção tomou conta do aposentado.
"Eu com 73 anos caí numa emboscada dessa no mês do meu aniversário. Não tenho nem palavras, é muita emoção. Eu não sei se eu choro ou se dou risada. sabe o que é engolir um gato vivo e tirar pelo rabo? Eu consegui", desabafou o idoso durante o resgate do automóvel.
O reencontro foi possível graças ao apoio de um amigo e vizinho que preferiu não se identificar. Ele acompanhou Nilson durante todo o caso e o ajudou a registrar a ocorrência no 2ª Delegacia de Polícia Civil.
"Eu conheço o seu Nilson, aí ele me falou da história e eu falei: 'vamos lá até na oficina pra ver se existe mesmo'. Chegamos lá, não tinha oficina nenhuma. O vizinho falou que a irmã do cara morava do lado e confirmou que ele nem era mecânico. Aí eu peguei ele e viemos no 2º Distrito DP para fazer a ocorrência", relatou o amigo e vizinho do aposentado.
A mobilização para recuperar o carro envolveu equipes do Batalhão de Choque, da Defurv (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Furtos e Roubos de Veículos) e da Polícia Militar, que constataram que o golpista já possuía mandado de prisão em aberto.
Relíquia com história - O Opala 1977 resgatado tem um valor sentimental incalculável para o aposentado. Comprado em Tangará da Serra (MT) e restaurado em São Paulo (SP), o carro percorreu mais de 1.100 quilômetros em um caminhão cegonha até chegar à Capital, onde Nilson reside. Apaixonado por antigomobilismo, ele relata que já chegou a ter 11 carros antigos na garagem, mas hoje conserva apenas o Opala e um Jeep.
Apesar de o veículo ter sido encontrado com o interior depredado, com peças faltando, fiação revirada e sem o painel funcionando, a estrutura externa permaneceu preservada, o que trouxe alívio ao proprietário. Para ele, o prejuízo financeiro estimado entre R$ 80 mil e R$ 100 mil não diminui o valor de ter o bem de volta. "Para mim, dentro de casa ele valoriza muito mais do que dinheiro na poupança", afirmou.
- Segundo Nilson, o destino imediato do Opala agora será uma oficina autoelétrica para revisão geral da bateria e dos fusíveis, seguida de uma lavagem detalhada e polimento. Após ver o carro pronto, o aposentado já planeja o futuro na estrada: a meta é voltar a frequentar encontros de carros antigos pelo país, como o tradicional evento em Águas de Lindóia (SP).
Ex-caminhoneiro que se aposentou aos 52 anos após uma vida inteira de trabalho no campo e nas rodovias, o idoso reforça que a honestidade sempre foi seu maior patrimônio.
"O mundo para mim foi a escola, o trabalho foi a faculdade. A única coisa que aprendi na vida foi ser digno e honesto, não dever para ninguém. Tudo o que comprei foi com o suor do meu próprio rosto. Aconteceu, e agora o negócio é confiar desconfiando para nunca mais cair em outra”, finalizou emocionado.
Golpista - Com mandado de prisão em aberto desde março deste ano, Dário aplicou o golpe em Nilson no mês de agosto, mas o homem já tem longo histórico de fraudes que começaram em 2015 quando foi aberto inquérito pela 5ª Delegacia de Polícia . Ele chegou a ser denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) perante a 2ª Vara Criminal Residual.
Na ocasião, ele utilizava o nome falso de "Marcelo Silveira" e se apresentava como proprietário da empresa Dario Silveira de Oliveira ME. Conforme os documentos, o golpista abordava trabalhadores desempregados oferecendo contratação imediata para prestadoras de serviço da concessionária de energia.
Para garantir a vaga, o estelionatário exigia adiantamentos em dinheiro, que variavam entre R$ 400,00 e R$ 850,00, alegando que os valores seriam destinados a cursos obrigatórios de capacitação em alta e baixa tensão, automação e habilitação do tipo "Coman". Nenhum curso era ministrado.
Ao ser interrogado pela Polícia Civil na época, Dário confessou os crimes, alegando que enfrentava dificuldades financeiras e aproveitou a oportunidade para obter vantagem ilícita.
A denúncia foi formalmente recebida pela Justiça em dezembro de 2016. No entanto, o andamento processual enfrentou reviravoltas jurídicas: em 2019, o juízo competente declarou a nulidade da citação inicial por hora certa — devido à ausência de formalidades legais na entrega da correspondência de ciência —, anulando todos os atos processuais posteriores, incluindo a instrução criminal e as alegações finais.
Com o paradeiro incerto do réu, que não foi localizado para responder aos termos da ação, a citação precisou ser realizada por edital. Como o prazo transcorreu sem qualquer manifestação de Dário, o Ministério Público requereu a suspensão do processo e do curso do prazo prescricional, conforme prevê o artigo 366 do Código de Processo Penal. O caso segue sob monitoramento do Poder Judiciário.

Ofertas de serviços - Outra denúncia aponta que, entre os meses de agosto e setembro de 2022, Dário, usando o nome falso de “Marcelo” para atrair vítimas em anúncios de prestação de serviços na plataforma OLX, causou prejuízo de R$ 220.132,80 a apenas um homem.
Segundo a investigação da Dedfaz (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Defraudações, Falsificações, Falimentares e Fazendários), a relação começou quando a vítima contratou os serviços de um eletricista que se identificava como Marcelo. Após o início dos trabalhos e o pagamento antecipado de R$ 13.530,00 em mão de obra, os serviços não foram concluídos.
A partir disso, o autor passou a propor falsos investimentos e cobranças adicionais. Sob a promessa de lucros certos e garantidos de 500% a 700% em ações da Petrobras e do Itaú na bolsa de valores, a vítima transferiu R$ 193.325,00 via PIX. O homem fez repasse de R$ 5.277,00 para compra de insumos e reforma que nunca foram entregues, além de R$ 5 mil para o aluguel de uma caminhonete Hilux, veículo que nunca foi disponibilizado.
Os montantes transferidos via PIX tinham como favorecido o próprio Dário Silveira de Oliveira ou uma mulher apontada como esposa do suspeito. Diante dos fatos e da presença dos requisitos legais, o Ministério Público requereu o regular processamento da ação penal para que o denunciado responda pelos crimes previstos no artigo 171 do Código Penal.
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