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Capital

No aeroporto, cenário é deserto e barreira sanitária ainda não existe

Sem ter quem passe pelas barreiras autorizadas pela Prefeitura, passageiros têm voos de fim de semana cancelados

Por Danielle Errobidarte | 28/03/2020 18:20
Com aeroporto vazio, Infraero informa que não é vantajoso para as companhias voar fim de semana. (Foto: Henrique Kawaminami)
Com aeroporto vazio, Infraero informa que não é vantajoso para as companhias voar fim de semana. (Foto: Henrique Kawaminami)

As barreiras sanitárias, já autorizadas, para o Aeroporto Internacional de Campo Grande ainda não foram instaladas. Mesmo após o decreto publicado ontem (27) pela Prefeitura Municipal, as medidas de triagem de passageiros não começaram a funcionar. Enquanto isso, os voos do fim de semana foram cancelados e guichês estão desertos, cenário já observado neste sábado (28).

Segundo o funcionário da Infraero responsável pelo aeroporto, que preferiu não ser identificado, o aeroporto precisa receber um protocolo da Coordenadoria de Vigilância Sanitária para repassar a instalação às companhias aéreas. “Não sabemos nem como vai funcionar. O aeroporto possui uma sala, se necessário isolamento de pessoas com sintomas como febre alta, por exemplo, mas é da Agência Nacional (Anvisa). Por enquanto, nada chegou até nós”, afirmou.

Ainda conforme o funcionário, a expectativa é que a barreira seja montada apenas no desembarque, em uma das saídas, e cada passageiro tenha a pressão aferida por um termômetro infravermelho corporal. “Se for que nem os outros aeroportos, a responsabilidade é de cada um deles, apenas na chegada. Se um passageiro sair daqui de Campo Grande, tiver uma conexão em São Paulo e for para Brasília, por exemplo, ele passará pela barreira apenas em Brasília”.

"E agora?" é pergunta do funcionário público que precisa voltar para Manaus e tenta embarcar pela quarta vez. (Foto: Henrique Kawaminami)
"E agora?" é pergunta do funcionário público que precisa voltar para Manaus e tenta embarcar pela quarta vez. (Foto: Henrique Kawaminami)

Enquanto isso, os voos domésticos marcados para partida nos finais de semana estão sendo cancelados. Clei Alecrim, de 41 anos, foi pela quarta vez no aeroporto na expectativa de embarcar com destino à Manaus, cidade onde mora. “Vim passar as férias em Campo Grande, meu trabalho já voltou em Manaus e ainda estou preso aqui, desde o dia 25 tentando embarcar. Se não olhasse o site diariamente, não ia saber que os voos estavam sem previsão de embarque”.

Há quatro dias Clei tenta remarcar o voo em um dos guichês da companhia Azul Linhas Aéreas. Assim como neste sábado, nenhum funcionário da empresa estava disponível para fazer esse atendimento presencial no aeroporto. “Hoje consegui informação de que fim de semana não ia sair nenhum voo, então só na segunda-feira para eu tentar embarcar. Todas as vezes venho com malas e estou na casa de amigos, se não, era mais gasto para pagar hotel e alimentação”, reclama.

Luiz Fernando Delgueria, 60 anos, desembarcou no aeroporto de Campo Grande, partindo de Guarulhos (SP). Ele confirma a informação dada pelo funcionário da Infraero de que não passou pela barreira no embarque. Ao chegar na Capital, também não passou por qualquer medida de segurança. “A sorte é que viajei para visitar minha mãe antes do surto, se não, não conseguiria nem embarcar”.

Quanto aos voos, o funcionário afirma que foram cancelados porque, para as companhias, levar poucas pessoas não é vantajoso financeiramente. “Se o número de passageiros confirmados não conseguir pagar o deslocamento da aeronave, tripulação e todos os custos, vão remarcar até dar a quantidade mínima. Se a companhia aérea achar que precisa, por exemplo, de 50% da aeronave lotada para voar, as passagens serão remarcadas até que atinja”, afirma.

Ainda pela manhã, secretário de Saúde e prefeito de Campo Grande já haviam confirmado barreiras sanitárias. (Foto: Henrique Kawaminami)
Ainda pela manhã, secretário de Saúde e prefeito de Campo Grande já haviam confirmado barreiras sanitárias. (Foto: Henrique Kawaminami)

Na manhã de hoje (28), o secretário municipal de saúde, José Mauro Pinto de Castro Filho, afirmou após reunião com o Prefeito Marquinhos Trad e representantes do comércio, shoppings, Ministério Público do Trabalho e Ministério Público de Mato Grosso do Sul, que a instalação das barreiras já foram autorizada, mas que ainda não há data marcada para o funcionamento.

“Hoje fica mais claro que o epicentro da doença é São Paulo, com maior número de casos e maioria dos óbitos. É um estado fronteiriço, então sugerimos ao Prefeito medidas sanitárias, tanto no Aeroporto como a nível estadual”.

Decreto – Após a instalação, o decreto não informa quantos aferidores estarão disponíveis ou servidores disponibilizados para a fiscalização.  Se os técnicos responsáveis pela verificação identificarem febre, "o passageiro com sintomas deve ser encaminhado para triagem da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), onde serão realizados demais procedimentos de prevenção e contenção ao coronavírus”, informa o texto do decreto, sem detalhar como será o processo a partir daí.