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Capital

Novos leitos de UTI esbarram em falta de médicos e medicamentos, diz MP

Previsão é de ativar 39 leitos clínicos nos próximos dias para tentar desafogar o SUS

Por Tainá Jara | 17/03/2021 19:01
A Promotora de Justiça da Saúde Filomena Aparecida Depolito Fluminhan (Foto: Kisie Ainoã)
A Promotora de Justiça da Saúde Filomena Aparecida Depolito Fluminhan (Foto: Kisie Ainoã)

Novos pacientes graves de covid-19 seguem sem garantia de internação no SUS (Sistema Único de Saúde), em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, nos próximos dias. De acordo com a promotora de Justiça da Saúde, Filomena Fluminhan, a instalação de mais vagas não esbarra necessariamente na falta de recursos, mas de mão de obra, insumos e medicamentos para sedação.

Para tentar aliviar o sistema de saúde e evitar irregularidades como a internação de pacientes em UPA (Unidades de Pronto Atendimento), como ocorreu nesta semana, serão abertos 24 leitos clínicos na Santa Cassa e 15 no Hospital São Julião. “Talvez ainda seja insuficiente”, afirmou a promotora em coletiva de imprensa, realizada na tarde desta quarta-feira.

Os pacientes graves, no entanto, não terão mais como serem atendidos. Além da viabilização dos recursos, há dificuldade de contratação de profissionais qualificados, compra de insumos e medicamentos para sedação e intubação.

Conforme a promotora, a dificuldade de aquisição esbarra tanto na falta dos itens no mercado, como em alta de 250% e 300% no preço dos medicamentos. A administração dos hospitais estimou ao MPE média de 15 dias para conseguir abrir um leito de UTI, mas nenhuma se mostrou disposta a fazer a ampliação.

Com os hospitais fechando com superlotação dos leitos covid-19 desde a semana passada, muitos pacientes ficaram sem regulação e tiveram de receber oxigênio nas unidades de emergência da Capital. “Estamos vivendo o pior momento da pandemia”, ressaltou Fluminhan.

Até ontem, havia 56 pacientes, incluindo não covid, internados em UPAs, que foram transferidos. No Hospital Regional, unidade de referência no tratamento da doença, 19 pacientes também foram movidos. A unidade precisou parar de receber pacientes do interior do Estado, onde o sistema também colapsou.

Eles foram distribuídos em vagas contratualizadas no Hospital do Câncer, Hospital Universitário, Maternidade Cândido Mariano, Clínica Campo Grande, Santa Casa e El Kadri.

Os últimos leitos abertos para atender pacientes contaminados pelo coronavírus já estão ocupados. Foram 15 leitos clínicos no São Julião e 10 leitos de UTI na Santa Casa.

Alerta - Sem previsão para acabar o colapso no sistema público de saúde, a promotora alertou para necessidade da população cumprir medidas como o distanciamento social e permanecer o máximo de tempo possível em casa.


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