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Campo Grande, Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019

20/04/2019 10:48

Num sábado doce, crianças de projeto social ganham presentes de Páscoa

Cerca de 150 crianças participam do Atlético Popular Lucas Nogueira, tendo aulas de futebol e palestras

Tatiana Marin e Geisy Garnes
Algumas das crianças participantes do projeto no campinho. (Foto: Geisy Garnes)Algumas das crianças participantes do projeto no campinho. (Foto: Geisy Garnes)

Com simples lembrancinhas de Páscoa, o projeto Atlético Popular Lucas Nogueira deixou a manhã mais doce para cerca crianças da Vila Popular, em Campo Grande. Preparadas por voluntários, 900 casquinhas recheadas com chocolate foram distribuídas na manhã deste sábado (20) não só participantes do projeto, mas também para os pequenos moradores de todo o bairro.

Elda distribui as lembrancinhas para crianças. (Foto: Divulgação)Elda distribui as lembrancinhas para crianças. (Foto: Divulgação)

No quintal da casa de Elda Artaia, idealizadora do projeto, as crianças foram reunidas e receberam as lembrancinhas. Não só na Páscoa, mas em todas as datas comemorativas, o projeto organiza uma pequena festa para as cerca de 150 crianças que participam de aulas de futebol e também de toda a região.

Desde 1996 o projeto ajuda a tirar a população infantil da situação de carência e de rua, não só pelo esporte, mas também com cafés da manhã precedidos de palestras. Elda, na sua simplicidade, acredita que eles precisam ser ensinados com os mais diversos assuntos. A cada segundo sábado de todo mês, os alunos de 7 a 16 anos ouvem palestrantes, como conselheiros tutelares, advogados, entre outros. Um tema importante é escolhido e tais eventos acabam englobando familiares das crianças.

Algumas atividades acontecem na casa de Elda, mas as aulas de futebol acontecem no campinho que fica logo em frente, na Rua Domingos Aparecido Bissoli. O professor voluntário, Emerson da Silva Santos, de 37 anos, é quem ensina os meninos e meninas do projeto duas vezes por semana, em turmas divididas por idade.

Diversas crianças reunidas no quintal de Elda. (Foto: Divulgação)Diversas crianças reunidas no quintal de Elda. (Foto: Divulgação)

Para esta Páscoa, os voluntários optaram, pela primeira vez em não dar ovos de chocolate. “Preferimos dar lembrancinhas mais simples, mas com mais qualidade”, explica Elda. Foram 3 dias de trabalho para fazer as 900 casquinhas de sorvete.

A conselheira tutelar Sandra Szablewski foi uma das voluntárias. “Eu sempre ajudo desde a criação, dando palestras e hoje ajudei na distribuição”, conta. Segundo ela, a entidade sofre dificuldades financeiras, mas não queriam ficar sem a distribuição do chocolate para as crianças. “É gente simples ajudando gente simples”, define Elda.

O professor Emerson conta que o sábado que antecede a Páscoa é sempre muito esperado. “Eles ficam uma semana perguntando se vai ter mesmo (a distribuição de chocolate). “Para eles, é um evento grandioso”, explica.

Crianças se preparando para aula de futebol. (Foto: Geisy Garnes)Crianças se preparando para aula de futebol. (Foto: Geisy Garnes)

Além do aprendizado no esporte, os voluntários percebem a mudança na vida das crianças. “Pregamos o respeito com o próximo e eles vão se modificando”, cita Emerson. Ainda, acabam atuando como conselheiros dos alunos e também dos próprios pais. “Somos procurados pelos pais para conversar com os filhos, conversamos sobre os problemas. Fazemos mais do que apenas dar aulas”, relata o professor.

Apesar de ser um projeto que leva tantos benefícios para crianças da Vila Popular, eles também enfrentam dificuldades com a falta de materiais e estrutura. São poucas bolas, as existentes, são desgastadas. Precisam de doação de coletes, material esportivo, cones, além de um vestiário próximo ao campo. Até uma estrutura parecida com um ponto de ônibus, que ficava dentro dos limites da área onde está situado o campo, e era utilizada pelos “jogadores reserva” foi derrubada com o tempo e agora os alunos que ficam esperando para jogar não têm onde se abrigar. A limpeza também, em certas épocas, fica a desejar.

Mas nada abala Elda e os voluntários. “Temos muitos parceiros e o que falta a gente completa”, diz ela com naturalidade. “A gente morre não leva nada, tem que fazer isso. Minha vida é isso aqui”, destala.

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