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Capital

Oásis de frescor e natureza, Jardim Veraneio sofre com falta de infraestrutura

Bairro inclui Parque dos Poderes e é reduto de chácaras, condomínios, clubes e entidades de classe

Por Cassia Modena | 13/02/2026 07:07
Oásis de frescor e natureza, Jardim Veraneio sofre com falta de infraestrutura
Vegetação que cresceu em terreno cobre topo de poste e fiação (Foto: Osmar Veiga)

Em contraste com o Centro e os bairros onde se formam ilhas de calor em Campo Grande, o Jardim Veraneio está numa posição privilegiada: bem arborizado, com baixa densidade populacional e temperaturas que podem ficar mais de 3ºC abaixo da média registrada em outras áreas, segundo estudos climatológicos já atestaram. Mas a região enfrenta problemas estruturais, além de ser ponto escolhido por muitos como descarte de lixo.

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O Jardim Veraneio, em Campo Grande, destaca-se por sua vegetação abundante e temperaturas até 3ºC mais baixas que outras regiões da cidade. Com população estimada em 8.254 habitantes, o bairro abriga chácaras, condomínios de alto padrão, órgãos públicos e clubes, incluindo o Parque dos Poderes. Apesar do ambiente privilegiado, moradores enfrentam problemas como descarte irregular de lixo, ruas sem pavimentação e iluminação precária. A região, que começou a ser ocupada nos anos 2000, atrai o setor imobiliário com residências avaliadas entre R$ 500 mil e R$ 1 milhão, e recentemente ganhou um viaduto para melhorar o fluxo viário.

O bairro começou a ser ocupado no início dos anos 2000 e hoje é reduto de chácaras, depósitos de empresas, casas de eventos, condomínios de alto padrão, órgãos públicos, clubes e sedes de entidades que representam bancários e profissionais da saúde, por exemplo.

Ele inclui área verde protegida e o Parque dos Poderes, que, além de sediar prédios do Executivo, Legislativo e Judiciário estaduais, é ponto de encontro para atividades físicas e passeios há quase 10 anos, quando começou a ficar interditado aos finais de semana e feriados para incentivar hábitos saudáveis.

Oásis de frescor e natureza, Jardim Veraneio sofre com falta de infraestrutura
Rua do Parque dos Poderes arborizada e pouco movimentada (Foto: Osmar Veiga)

Estimada em 6.652 habitantes em 2007, de acordo com análise da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), a população local passou para 8.254 habitantes, conforme número da prefeitura baseado no Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Os moradores, comerciantes e trabalhadores que o frequentam atualmente adoram o frescor e o contato com a natureza, mas reclamam da falta de infraestrutura.

Uma das primeiras que chegaram - Comerciante aposentada, Marlene Jabrayan, 78 anos, se identifica como uma das primeiras moradoras do Jardim Veraneio. Ela comprou um terreno de cerca de 10 mil m² numa parte do bairro próxima ao Parque dos Poderes em 1995 e levou quatro anos para terminar a construção da Estância JoMar, onde passou a viver com o marido.

Oásis de frescor e natureza, Jardim Veraneio sofre com falta de infraestrutura
Marlene aponta para cratera à frente, na rua onde mora desde 2002 (Foto: Osmar Veiga)
Oásis de frescor e natureza, Jardim Veraneio sofre com falta de infraestrutura
Cratera bloqueia totalmente o acesso de rua não pavimentada ao Parque dos Poderes (Foto: Osmar Veiga)

O descarte de lixo irregular e a falta de patrolamento nas ruas são as principais insatisfações da moradora.

“Dá para montar uma casa inteira com o que jogam aqui. Tem geladeira, fogão, sofá, tudo o que você pode imaginar. Quando o pessoal da reciclagem não passa e pega, fica aí e ninguém recolhe”, relata Marlene.

Sobre a situação das ruas, a aposentada mostra uma cratera que se abriu na rua onde mora após as chuvas deste ano. “A gente tem que fazer um zigue-zague para andar”, conta. Quando conversou com ela, nesta quinta-feira (12), a reportagem desconfiou de um cheiro que poderia ser de animal morto jogado no buraco.

Além dos bichos mortos, Marlene conta que vivos também são “descartados como lixo” no bairro. “Já vi chegaram aqui com filhotes numa caixa de papelão. A pessoa abandonou, mesmo eu falando que aqui não era canil”, lembra. A própria moradora já resgatou gatos machucados e doentes que foram deixados próximos de sua casa.

Oásis de frescor e natureza, Jardim Veraneio sofre com falta de infraestrutura
Grupo de cutias dividindo o quintal da estância com Marlene e o marido (Foto: Arquivo pessoal)

O que acaba compensando é viver cercada por árvores e receber a visita de animais no quintal. Entre cantos de passarinhos, a idosa declara amor à natureza. “Vêm araras, cutias e jacus. Aqui tem água e comida, os bichos não precisam se preocupar com mais nada”, afirma.

Trabalho e comércio - Entregadora de mercadorias de uma plataforma on-line, Luciana Rios, 44 anos, reforça os problemas de acesso ao bairro. “Na parte dos condomínios, que é asfaltada, é mais tranquilo. Mais 'para dentro', você atola o carro quando chove muito. Nessa situação, eu nem entrego a encomenda, deixo para outro dia”, conta.

O garapeiro Edilsom Almeida de Souza, 58 anos, mora no Bairro Guanandi e atravessa a cidade diariamente rebocando até o Veraneio um mini trailer onde vende caldo-de-cana, pastéis e outros salgados. Sua clientela é formada por moradores e trabalhadores, principalmente os que estão a serviço em alguma obra ou em empresas e condomínios. Ele observa que é uma região em expansão e faz disso oportunidade de ganhar dinheiro.

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Garapeiro, Edilsom sai do Bairro Guanandi todos os dias para ganhar dinheiro no Veraneio (Foto: Osmar Veiga)

O centro comercial mais importante é a Avenida Hiroshima, que fica na divisa com o Bairro Carandá Bosque. Gerente de um supermercado aberto há cerca de cinco anos na via, Orimar Ibrahim, acredita que "o preço baixo e perfil popular" do estabelecimento agradam os clientes, mesmo a maioria correspondendo às classes sociais mais altas.

Secretária da Associação Médica de Mato Grosso do Sul há mais de uma década, Raquel Cintra, 47 anos, gosta muito de trabalhar no bairro por ser tranquilo de dia, segundo ela. "O problema é à noite. Algumas ruas não têm iluminação e isso favorece furtos, principalmente de fios. Já cheguei algumas vezes aqui na associação e não tinha energia elétrica", diz.

Vende-se, aluga-se - A região é visada pelo setor imobiliário. Há muitas placas com telefones de corretores e imobiliárias pregadas em casas, condomínios e terrenos, alguns enormes.

Oásis de frescor e natureza, Jardim Veraneio sofre com falta de infraestrutura
Proprietários de terreno parcelado vendem área (Foto: Osmar Veiga)
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Condomínios localizados na avenida onde fica o viaduto (Foto: Osmar Viega)

Áreas de um só particular foram transformadas num prédio público e num galpão para estocar calçados de uma grande loja da Capital. As obras de outro galpão de esquina estão no início.

Despontam no bairro casas térreas aparentemente recém-construídas. O valor delas para venda varia de R$ 500 mil a R$ 1 milhão, conforme pesquisa feita pela reportagem em um site especializado.

Para organizar o fluxo de veículos e reduzir acidentes de trânsito que estavam frequentes, um viaduto foi construído no bairro e entregue no final do ano passado. A estrutura também se antecipa a uma perspectiva de crescimento populacional da região.

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Fluxo de veículos indo e voltando do viaduto inaugurado no ano passado (Foto: Osmar Veiga)

FutebolO Jardim Veraneio é, ainda, um dos centros de treinamento esportivo de Campo Grande. Tem, por exemplo, a escolinha de futebol do Palmeiras e dois campos usados por jogadores do Náutico Futebol Clube.

Presidente do time regional, Júlio Cézar Ramos, fala que os treinamentos ocorrem desde janeiro de 2021. Ele concorda com Marlene: lixo e situação das ruas são os principais gargalos. Os dois pontos acabam até atrapalhando os jogadores a acessar os locais de treinamento.

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Área coberta para descanso num dos campos do Náutico (Foto: Osmar Veiga)

Serviços públicos - O Campo Grande News questionou a prefeitura sobre os problemas no bairro. Em nota, a assessoria de imprensa da Sisep (Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos) afirmou que a manutenção das vias não pavimentadas é feita, em média, duas vezes por ano. A pasta orientou que o descarte irregular de lixo deve ser denunciado por meio do 153, para que a Patrulha Ambiental da GCM (Guarda Civil Metropolitana) seja acionada e vá até o local. Quanto à iluminação pública, orienta os moradores a ligar no 156 ou acionar o serviço de manutenção pelo aplicativo Fala Campo Grande.

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