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Capital

Operação mira grupo que movimentou R$ 76 milhões com contrabando de cigarros

Cinco pessoas foram presas em operação contra rota clandestina de cigarros em Campo Grande

Por Bruna Marques | 16/06/2026 06:43
Operação mira grupo que movimentou R$ 76 milhões com contrabando de cigarros
Policiais durante cumprimento de mandado em Campo Grande (Foto: Divulgação / PF)

A PF (Polícia Federal), a PRF (Polícia Rodoviária Federal) e a RFB (Receita Federal do Brasil) deflagraram, na manhã desta terça-feira (16), a Operação Rota Clandestina para desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar no contrabando de cigarros paraguaios para comercialização no Brasil.

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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (16) a Operação Rota Clandestina contra uma organização criminosa suspeita de importar ilegalmente cigarros do Paraguai. Foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, cinco prisões preventivas e cinco medidas de monitoração eletrônica em Campo Grande e Minas Gerais. A Justiça determinou bloqueio de contas e sequestro de bens. O grupo é investigado por contrabando, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Ao todo, são cumpridos 14 mandados de busca e apreensão, sendo 13 em Campo Grande e um em Santa Luzia, em Minas Gerais. Também foram expedidos cinco mandados de prisão preventiva, todos já cumpridos na Capital, além de cinco medidas cautelares de monitoração eletrônica, com uso de tornozeleiras.

A operação foi autorizada pela 3ª Vara Federal de Campo Grande. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens móveis e imóveis dos investigados.

Segundo a investigação, o grupo atuava de forma estruturada e hierarquizada, com divisão de tarefas para aquisição dos cigarros no Paraguai, entrada clandestina no Brasil, armazenamento, transporte, distribuição e gestão financeira do esquema.

As apurações apontam que os cigarros eram comprados na região de fronteira com o Paraguai e internalizados por rotas ilegais. Depois, eram armazenados em depósitos clandestinos em Campo Grande e distribuídos para outros estados, entre eles Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

De acordo com a RFB, as investigações identificaram ao menos 12 grandes apreensões, que somam mais de 1 milhão de maços de cigarros. Também foi apurada movimentação financeira superior a R$ 76 milhões, valor que, segundo os órgãos, evidencia a dimensão econômica da atividade ilícita.

O transporte seria feito de forma fracionada, em veículos usados para reduzir o risco de apreensão. A investigação também aponta o uso de veículos adaptados, transportadoras vinculadas ao grupo e documentos fiscais fraudulentos para tentar dar aparência de legalidade às cargas.

No aspecto financeiro, os investigados são suspeitos de lavar dinheiro por meio de empresas de fachada, contas de terceiros, movimentações incompatíveis com a renda declarada, transferências fracionadas e uso de mecanismos informais de remessa de valores ao exterior, conhecidos como dólar-cabo, para pagamento de fornecedores no Paraguai.

Ainda conforme os órgãos, análises fiscais e bancárias apontaram incompatibilidade entre rendimentos declarados e movimentações financeiras, além de variação patrimonial sem origem comprovada. A investigação também apura ocultação de patrimônio em nome de terceiros, os chamados laranjas.

A Operação Rota Clandestina mobiliza 62 policiais federais, 17 policiais rodoviários federais, sete auditores-fiscais e 15 analistas tributários da RFB.

Em tese, as condutas investigadas podem caracterizar os crimes de organização criminosa, contrabando, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

O nome da operação faz referência ao uso de rotas alternativas e meios clandestinos que teriam sido usados pelo grupo para introduzir cigarros ilegais no país e distribuí-los a outras unidades da federação.

Operação mira grupo que movimentou R$ 76 milhões com contrabando de cigarros
Viaturas da PF e Receita Federal em endereço de alvo na Capital (Foto: Divulgação / PF)

O superintendente adjunto da Receita Federal na 1ª Região Fiscal, Erivelto Alencar, destacou o impacto financeiro do esquema e reforçou o papel institucional no combate a crimes transfronteiriços.

"A Receita Federal identificou que essa organização criminosa teve uma movimentação atípica, com valor superior a R$ 76 milhões. Além disso, foi também identificada evolução patrimonial incompatível com a renda declarada. A Receita Federal reafirma o seu compromisso com a sociedade na proteção aos diversos crimes transfronteiriços, principalmente o contrabando e a concorrência desleal", declarou.

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