A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

10/09/2016 14:22

Pais de bebê que morreu no Norte-Sul foram negligentes, acusa servidora

Família teria recusado ambulância do Samu e dito que levaria menino a outro posto por conta própria

Anahi Zurutuza
Recepção da UPA do Jardim Leblon, onde pacientes esperam por atendimento (Foto: Alcides Neto/Arquivo)Recepção da UPA do Jardim Leblon, onde pacientes esperam por atendimento (Foto: Alcides Neto/Arquivo)

Os pais de Enzo Godoy Lopes, de 1 ano e 8 meses, foram negligentes. Segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública), a acusação foi formalizada pela assistente social da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jardim Leblon, onde a criança foi atendida na quinta-feira (8) pela manhã, mesmo dia que morreu durante o socorro no Shopping Norte-Sul Plaza.

Depois que a família declarou ter procurado postos de saúde da Capital mais de uma vez e reclamar da falta de pediatras, a secretaria investigou e neste sábado (10), deu mais detalhes sobre o atendimento na UPA, rebatendo a versão dada pelo pai.

O pai de Enzo, Flavio Maurício de Arruda, 38, relatou à reportagem que o menino vomitou duas vezes na terça-feira (6) à noite e que no dia seguinte (7), o casal levou a criança até a UPA do Leblon pela primeira vez, mas que sem pediatras de plantão, os funcionários recomendaram que os pais fossem com a criança até a UPA da Vila Almeida – no oeste da cidade.

A família, entretanto, teria procurado um posto de saúde no bairro Guanandi na quinta-feira (8), mas também não conseguiu atendimento e foi orientada a voltar para a UPA do Jardim Leblon. Na unidade 24 horas, ainda durante a manhã, o menino foi medicado apenas com soro, segundo a versão do pai.

Nesta sexta-feira (7), durante entrevista dada ao Campo Grande News, Flavio chegou a questionar: “por que não colocaram meu filho em uma ambulância e levaram até onde tinha pediatra?”

A Sesau rebate e garante que há apenas um registro da passagem de Enzo pela UPA do Leblon.

Por meio da assessoria de imprensa, a secretaria informa ainda que a família recusou o transporte do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). “Segundo consta da ficha de atendimento, os pais foram orientados a seguir em ambulância para a UPA da Vila Almeida, mas decidiram por socorrer a criança por métodos próprios. No entanto, primeiramente, optaram por passam em sua residência para buscar roupas”, diz a nota da Sesau.

Parte das duas versões coincide. Ontem, o pai afirmou que ele e a mulher Adriana Godoy da Silva, 26, tinham decidido ir até a UPA do outro bairro e realmente estavam em casa onde pegariam roupas e fraldas para o bebê, quando ele passou mal “do nada”.

Desidratação – Pelos médicos do posto do Jardim Leblon, Enzo foi diagnosticado com desidratação grave, quadro clínico que não aparece com um ou dois dias, continua a Sesau.

Por conta da situação da criança, da recusa do transporte imediato e pelo fato do menino ter sido levado para uma consulta de rotina pela última vez em 2015, a assistente social formalizou o registro de negligência contra os pais, documento que será encaminhado para a Polícia Civil.

A Sesau também instaurou uma sindicância para apurar se houve algum erro no atendimento médico.

Bombeiros e Samu durante o socorro à criança Norte-Sul anteontem (8) (Foto: Direto das Ruas)Bombeiros e Samu durante o socorro à criança Norte-Sul anteontem (8) (Foto: Direto das Ruas)

O caso – Por volta das 16h30, Enzo foi levado nos braços da mãe, que mora no bairro Marcos Roberto – no sul da Capital, atrás Norte-Sul Plaza - até o shopping. O menino estava roxo e sem conseguir movimentar os braços e pernas, como se estivesse sufocado, conforme descreveu o pai e uma tia dele.

Fabio e Adriana trabalham no centro comercial e acreditavam que socorristas que ficam de plantão no local conseguiriam salvar a vida do filho. O Corpo de Bombeiros e o Samu foram chamados pela brigada de salvamento, mas o bebê morreu durante o socorro, antes de ser transportado para um hospital.

Além de Enzo, o casal tem um filho de 7 anos.

 



É sempre assim, a corda arrebenta do lado mais fraco. Eu vi a dor no rosto dos pais, se tivessem oferecido ambulância com toda certeza teriam aceito, não conheciam bem a cidade. Foram mal informados. Negligência foi do médico que diagnosticou uma desidratação grave, e para isso nem precisa ser um pediatra, e liberou uma criança sem o devido atendimento. A criança corria risco de morte, os pais não possuem conhecimento cientifico para sabarem disso, o médico sim. Não deveria ter liberado a criança sem o tratamento definitivo. Estão protegendo o verdadeiro criminoso, responsabilizando as vitimas e alterando os fatos. Deveriam checar esses documentos, acredito que foram forjados para proteger mais um da classe médica.
 
Enio Mendes Conturbia em 10/09/2016 20:55:49
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions