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Capital

Para defesa, não há evidência de feminicídio na morte de Carla

Em dezembro de 2020 defesa já havia pedido a retirada da qualificadora no assassinato

Por Ana Paula Chuva | 17/03/2021 15:07
Corpo de Carla foi deixado nu em uma calçada dias depois da morte. (Foto: Kisiê Ainoã | Arquivo)
Corpo de Carla foi deixado nu em uma calçada dias depois da morte. (Foto: Kisiê Ainoã | Arquivo)

A defesa de Marcos André Vilalba, 21 anos, réu confesso do assassinato de Carla Santana Magalhães, 25 anos, quer que ele seja julgado por como homicídio doloso, sem a agravante do feminicídio, apontada pela investigação policial, mantida pelo promotor e acatada pela Justiça. No pedido, feito nesta terça-feira (16) a alegação é de que não há evidências para que Marcos seja condenado por feminicídio.

No ano passado já havia sido feito pedido para retirar qualificadora. 

O caso foi um dos mais chocantes ocorridos na cidade em 2020, quando a vítima foi atacada na porta de casa e violentada sexualmente em vida e depois da morte pelo vizinho de muro.

Conforme a defesa, o réu confessou o homicídio e admitiu que violou sexualmente o corpo da vítima, morte em junho de 2020 no Bairro Tiradentes, em Campo grande. Porém nunca apresentou evidências de que seria um crime de feminicídio.

No recurso, apresentado hoje, a defesa ainda afirmou que o assassino e a vítima não mantiveram nenhum tipo de relacionamento amoroso e inclusive afirmou em interrogatório não saber explicar o motivo do crime.

“Considerando que nunca houve qualquer tipo de relacionamento entre autor e vítima. Nenhuma condição que comprove que o mesmo desprezasse a vítima pelo fato desta ser mulher ou qualquer outro elemento que pudesse justificar a qualificadora de femincídio”, diz parte do recurso.

Marcos com a roupa que foi preso e Carla em foto das redes sociais. (Foto: Arquivo)
Marcos com a roupa que foi preso e Carla em foto das redes sociais. (Foto: Arquivo)

Crime chocante – Carla desapareceu na noite do dia 30 de junho do ano passado,  no Bairro Tiradentes. A família e os vizinhos fizeram uma força-tarefa, sem qualquer pista. Marcos morava em imóvel alugado dividido apenas por um muro da casa dela, chegou a conversar com as pessoas sobre o sumiço. No dia 3 de julho, o cadáver da jovem apareceu nu, na calçada de um bar na rua onde ela sumiu.

No dia 19 de julho, Marcos foi abordado por policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar, que encontraram vestígios de sangue dentro da quitinete. Responsável pela investigação, a equipe da DEH (Delegacia Especializada de Homicídios) foi ao local e o rapaz acabou sendo preso e confessando, sem dar detalhes.

Marcos confessou tudo na frente do juiz, inclusive que havia violado o corpo da jovem. Depois disso, colocou a vítima morta debaixo da cama. Dada como desaparecida pela família, Carla foi achada morta na calçada de estabelecimento comercial na mesma rua onde ela e o algoz moravam, três dias depois de sumir.

O julgamento de Marcos pelo assassinato está previsto para o dia sete de abril deste ano, na 2ª Vara do Tribunal do Júri em Campo Grande

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