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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

07/11/2012 10:14

Para usuário, falta pediatra; para médicos, falta é de "incentivo"

Nícholas Vasconcelos
Nos postos, pais reclamam da demora no atendimento. (Foto: João Garrigó)Nos postos, pais reclamam da demora no atendimento. (Foto: João Garrigó)

Reclamação recorrente entre os que precisam do serviço nas horas de emergência, o pediatra é a especialidade que mais causa disputa e peregrinação no serviço de saúde público em Campo Grande. O fenômeno é nacional, mas os médicos dizem que em Mato Grosso do Sul ele é maior, apesar de a cidade ter profissionais dessa área até em maior número do que o recomendado.

Dados da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) apontam que o Estado tem 400 profissionais dessa especialidade. O ideal apontado pela Sociedade para uma cidade 800 mil habitantes é de até 200 pediatras, 100 a menos dos que os 300 que atuam na Capital. É uma conta que parece não fechar para quem precisa esperar para que um filho, filha ou neto sejam atendidos nas UPA (Unidades de Pronto Atendimento) e Postos 24 horas da cidade.

Na Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), 109 médicos atuam na pediatria, o que corresponde a 36% dos que atual na cidade. Para o Sinmed (Sindicato dos Médicos) e SBP a explicação para falta de profissionais no setor público passa por vários pontos: a falta de segurança, infraestrutura, opção de carreira, mas principalmente a falta de incentivos para ingressar e permanecer no serviço público.

“Hoje só tem uma porta de entrada no serviço público, que é o plantão pediátrico e não no atendimento básico. O plantão é uma atividade complementar”, comentou o diretor do sindicato, João Batista Botelho.

Ele avalia que o SUS (Sistema Único de Saúde) prejudica o atendimento pediátrico ao não estimular a atuação ambulatorial, que segundo os médicos estimula o crescimento profissional sem ser tão desgastante.


“O PSF (Programa de Saúde da Família) não prevê a participação do pediatra e ele é o profissional mais indicado para tratar das crianças”, conta o vice-presidente do CRM (Conselho Regional de Medicina) e presidente da SBP, Alberto Cubel Júnior.

Os dois são unânimes ao afirmar que a falta de infraestrutura para o trabalho dos médicos também é um fator que pesa na escolha pelo setor particular e também pela segurança do profissional. “Hoje 70% dos pediatras são mulheres, que além da profissão têm seus compromissos com a família e não ter segurança é um fator que faz escolher atuar no consultório ou pronto socorro particular”, comentou Cubel.

Presidente da Sociedade de Pediatria vê especialidade pouco valorizada na Capital. (Foto: Rodrigo Pazinato)Presidente da Sociedade de Pediatria vê especialidade pouco valorizada na Capital. (Foto: Rodrigo Pazinato)

Por ano, 140 médicos se formam só em Campo Grande. Na universidade Anhanguera/Uniderp são 80 acadêmicos e na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) outros 60. Depois de formado, o médico precisa passar pela residência de dois anos para se tornar pediatra.

Para tanto, é preciso procurar um hospital que ofereça essa especialização, como o HU (Hospital Universitário) da Capital que oferece oito vagas, da Santa Casa que dispõe de quatro, do HR (Hospital Regional) com seis e do HU de Dourados, com quatro, conforme números da SBP. Essas 22 vagas para a formação no Estado são consideradas ideais pelos representantes da classe médica, pelo menos para Campo Grande que fica com 18 delas, já que o número de pediatras ideal é de até 200 profissionais.

Outro ponto apontado pelos profissionais é o salário, já que na média, no setor público é a metade do que é pago no setor privado ou até mesmo na rede pública estadual. “Para 20 horas, um pediatra recebe R$ 2 mil na Prefeitura da Capital enquanto no setor privado é de R$ 4 mil no HR, proporcionalmente”, aponto Cubel. Ele lembra ainda que fora o salário há as vantagens como a segurança, 13° salários, férias e as oportunidades de capacitação.

“É preciso ter um plano de cargos e carreiras, você progride pouco no setor público. Se ocupar um cargo de chefia, por exemplo, tem um aumento de 30% que depois não é incorporado no salário ou aposentadoria”, revelou João Batista.

“Eu trabalhei na prefeitura e após 16 anos quando fui pedir demissão ninguém questionou, ofereceu algo para que continuasse”, aponta Cubel Júnior.

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Entao porque outras cidades do porte d campo grande,cerca de 1000.000 de hab, como Cuiaba, curitiba, ribeirao preto, etc londrina, consguem pagar salarios bass dignos e plantoes melhores????, a questao e de falta de vontade politica na realidade, nossos medicos estao saindo da capital em direção a sao paulo, rio , bh, parana, ate santa catarunba e rio grnade do sul, paga agora o dobro d e salario de c g, essa e a verdade, verifiquem, essa e a verdade que nao quer calar
 
Juatel Becker em 28/06/2013 22:35:36
O que é Lamentavel nisto tudo, é que nossas crianças estao sofrendo pois vão ao posto e não encontra atendimento. Sr. prefeito, que vergonha!!
 
Alessandra Costa em 07/11/2012 16:48:17
A população deveria ser informada quanto ao funcionamento dos crs e upas, as unidade estão lotadas de casos ambulatoriais que não deveriam estar ali, isso demanda tempo do profissional e acarreta demora no atendimento daqueles que realmente precisam, falta segurança para os profissionais, salarios compativeis, Medico trabalha por amor? sim, mais tambem come, bebe, tem contas a pagar, tem familia, tem necessidades fisiologicas, hoje em dia medico não pode nem ir ao banheiro que tem algum popular falando mal do profissional. Outro ponto que desgasta é que a população não consegue mais lidar com seus problemas e despeja tudo em cima da saude publica daí tem que ser medico, enfermeiro, assistente social, psicologo, tudo em profissional só.
 
william Sousa em 07/11/2012 12:57:04
Primeiramente os medicos deveriam ganhar o bem e cumprir o horario de atendimento,chegam tarde,atendem mal e correm para seus consultorios,falam mal do sistema publico,mais muitos não abrem mão deles e ficam somente nos particulares.
 
Lia Alves em 07/11/2012 12:04:43
infelizmente tanto atendentes, médicos, enfermagem dos postos de saúde de campo grande, o atendimento é péssimo, começa desde a chegada até o atendimento do médico, que atende mal, e quando passa remédio, no posto não tem, principalmente vila almeida, cel, antonino e nova bahia, existe equipes péssimas p saúde de cg.
 
joana lima em 07/11/2012 11:39:30
Tomara que o Bernal mude essa realidade pois não compensa nada ficar 6 horas num plantão tumultuado de prefeitura atendendo sem parar, fazendo suturas, atendendo urgencias e emergências para no final ganhar R$ 300 reais BRUTOS que no final somam pouco mais de R$ 200 líquidos. No consultorio com 3 consultas de convenio, na pediatria vc ja ganha isso. Qual pediatra vai querer se sujeitar à plantão em posto?? Só de não tiver jeito mesmo ou fim de carreira. è absurdo. Essa antiga gestão massacrou a pediatria. E uma coisa que o povo não sabe é que as crianças estão sendo atendidas precariamente por recém formados, ginecologistas etc, sem formação nenhuma e a prefeitura é conivente com isso. Quer mão de obra barata!!!
 
Saul da silva xavier em 07/11/2012 11:35:56
Realmente são necessários incentivos para trabalhar na saúde pública, incluindo capacitação dos profissionais (nem todos são pediatras!!) que já trabalham com as crianças da capital! Uma relaçao mais próxima entre gestores e trabalhadores poderia ser a solução.
 
Cybele Weber Prieto em 07/11/2012 11:03:33
Essa equação é simples: lei da oferta e procura. Há poucos pediatras e alta demanda, resultando em maiores salários para os profissionais. Contudo, os recursos públicos são escassos, não dá pra pagar tudo o que os médicos querem ou merecem ganhar. Para resolver o problema há duas direções: ou aumenta a oferta de pediatras (terão aceitar ganhar menos ou não terão trabalho) ou diminui a demanda (essa é difícil).
 
Luiz Felipe Silva em 07/11/2012 11:02:09
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