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Campo Grande, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

01/09/2015 10:45

Polícia Civil e Delegacia do Trabalho investigam mortes em tanque de curtume

Luana Rodrigues
Polícia Civil e Delegacia do Trabalho investigam mortes em tanque de curtume

A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o acidente de trabalho que matou dois funcionários que limpavam um tanque de tratamento de água no curtume onde estão acomodadas duas empresas, a Qually Peles e a Soberana, localizadas no Bairro Indubrasil, em Campo Grande. No dia do acidente, o Corpo de Bombeiros interditou a empresa, porque não possuía certificado de vistoria. Ontem(31), auditores fiscais do MTE (Ministerio do Trabalho e Emprego) lavraram mais autos de interdição das áreas confinadas e depósitos de produtos químicos na empresa. O MPT também vai apurar as causas do acidente. 

Conforme o delegado titular da 7ª delegacia de Polícia Civil, Geraldo Marim, a investigação está no início, mas já estão previstos depoimentos de seis pessoas, entre elas os proprietários da empresa, um técnico de segurança no trabalho e os funcionários sobreviventes do acidente. "Vamos apurar as circunstâncias, se houve negligência por parte da empresa ou das próprias vítimas", afirmou.

Também estão sendo aguardados os resultado dos laudos necroscópicos e de vistoria do local, além do relatório do Corpo de Bombeiros. "O principal é apurar se o procedimento estava sendo feito dentro das normas de segurança e colher provas sobre como ocorreram as mortes para que possamos responsabilizar, caso haja culpados", disse o delegado.

O MTE (Ministerio do Trabalho e Emprego) fez uma inspeção no curtume ontem a tarde(31), conforme a auditora fiscal, Rosita Pereira Dantas, foram identificadas diversas irregularidades na empresa como falta de autorização, treinamento e equipamentos de segurança para que os funcionários realizassem o procedimento que resultou no acidente. "Foi uma sucessão de problemas e falhas que culminou na fatalidade que poderia ser ainda maior, já que todos os trabalhadores estavam expostos ao risco", pontuou.

Segundo a auditora, o curtume está impedido de exercer qualquer atividade nos espaços confinados e depósitos onde são armazenados produtos químicos. O manuseio destes produtos também está proibido pelo MTE até que a empresa se adeque a lei. "Lavramos autos de interdição e agora estamos finalizando o relatório da inspeção que será encaminhado a superintendência".

De acordo com o MTE, outras inspeções na empresa estão previstas para este mês, no entanto, só pelas irregularidades encontradas até agora, a multa aplicada ao proprietário do curtume pode ser de R$ 8 mil.

Defesa - O advogado de defesa do curtume, Arlindo Murilo Muniz, voltou a reforçar que empresa respeita as normas de segurança exigidas pela legislação trabalhista e, tinha sim, autorização para realizar o procedimento que culminou no acidente.

Sobre as irregularidades encontradas pelo MTE, Arlindo afirmou que o encarregado pelo serviço, Roberto Carlos Prieto da Silva, 38, que morreu no acidente, possuia treinamento. "Estranhamos e lamentamos muito o que houve porque ele era muito preparado", lamentou.

Com relação aos equipamentos de segurança, o advogado explicou que tudo foi entregue aos funcionários e era exigido que utilizassem, porém alguns apresentavam resistência ao uso.

O acidente - Duas pessoas morreram e outras duas ficaram feridas na manhã deste domingo (30), após caírem em um tanque para tratamento de água. O motorista Leandro Cesário, 32, que tentou ajudar os amigos, acabou morrendo ao inalar o produto. A segunda morte foi de Roberto Carlos Prieto da Silva, 38, que também executava a limpeza.

Os funcionários que ficaram feridos são Wellington Britto, que foi levado para a Santa Casa em estado grave e Ademir de Jesus Ribeiro, encaminhado para o Hospital Regional Rosa Pedrossian. Ambos são operadores de tratamento de água.

Reação química - Conforme o boletim de ocorrência registrado no dia do acidente, dentro do tanque onde os funcionários caíram havia uma mistura de Cal, também conhecido como óxido de cálcio, Sulfato de amônia e cromo, um metal empregado em processos denominados eletrodeposição. A mistura dos produtos resultou em uma reação química, que pode ter resultado na morte de Leandro e Roberto.



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