Família de jovem contesta conclusão da polícia e defesa quer reavaliação do caso
Imagens do celular da vítima levantam dúvidas sobre suicídio após Ludmila passar mal na casa do namorado
A família de Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, vai recorrer ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para contestar a conclusão da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), que descartou a hipótese de feminicídio na morte da jovem, registrada inicialmente como suicídio após ela passar mal na casa do namorado, em Campo Grande.
RESUMO
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A família de Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, morta em março após passar mal na casa do namorado em Campo Grande, vai recorrer ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul para contestar a conclusão da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, que descartou o feminicídio. A defesa alega que o vídeo usado como base não comprova ingestão voluntária de substância e que metadados indicam envolvimento do namorado com tráfico de drogas.
A informação foi confirmada ao Campo Grande News pelo advogado da família, Jossandro Oliveira. Segundo ele, a conclusão da polícia teve como base um vídeo que mostraria Ludmila já passando mal dentro do banheiro da residência, enquanto o namorado grava a situação e afirma que não teve participação no ocorrido. No entanto, a defesa sustenta que as imagens não comprovam que a jovem tenha ingerido qualquer substância por vontade própria.
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“O que existe é um vídeo dela já passando mal, enquanto ele grava dizendo que não teve culpa. Não existe vídeo mostrando ela ingerindo a substância”, afirmou Jossandro.
Conforme o advogado, a família reconhece a condução técnica da delegacia, mas discorda da interpretação dada às provas reunidas durante a investigação.
“A família entende que houve uma interpretação equivocada sobre o conteúdo do vídeo. Uma pessoa naquela situação sequer tinha condições de responder ou reagir”, disse.
Ainda segundo a defesa, os metadados extraídos dos celulares indicariam envolvimento do namorado da jovem com tráfico de drogas, informação que, na avaliação da família, também deveria ser considerada no caso.
“Os metadados mostram de forma inequívoca o envolvimento dele com tráfico de drogas. O acesso à substância passava por ele”, declarou o advogado.
A defesa informou que irá protocolar uma manifestação diretamente ao Ministério Público pedindo a reavaliação da conclusão da Deam e do arquivamento da hipótese de feminicídio.
Caso - Ludmila morreu em março deste ano, após passar mal dentro da casa do namorado, na Rua Delegado Alfredo Hardman, em Campo Grande.
Segundo o boletim de ocorrência registrado na época, equipes da PM (Polícia Militar) e do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foram acionadas depois que a jovem sofreu convulsões no imóvel.
Quando os socorristas chegaram, ela estava desacordada e em estado grave. Ludmila foi levada para a Santa Casa, mas morreu horas depois.
À polícia, o namorado relatou que os dois haviam discutido antes de a jovem ingerir uma mistura de água com cocaína. Ele afirmou ainda que ela sofreu convulsões após sair do banho.
Na ocasião, amigos e pessoas próximas contestaram a versão apresentada e afirmaram que Ludmila não apresentava comportamento que indicasse intenção de tirar a própria vida. Também relataram histórico conturbado no relacionamento.
Em nota divulgada na época, a Deam informou que não havia indícios técnicos ou periciais que confirmassem feminicídio, mas destacou que a investigação seguia com perspectiva de gênero até a conclusão dos laudos.
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Procure ajuda – Em Campo Grande, o GAV (Grupo Amor Vida) presta apoio emocional gratuito a pessoas em crise pelo número 0800 750 5554. Também é possível buscar atendimento no Núcleo de Saúde Mental ou no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), ou pelo telefone e 188 do CVV (Centro de Valorização da Vida). Em situações emergenciais, os números 190 da PM (Polícia Militar) e 193 do Corpo de Bombeiros podem ser acionados.



