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Campo Grande, Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018

23/09/2018 16:41

Polícia investiga estupro de irmãs com consentimento da mãe, 1 engravidou

Com mandado de busca e apreensão das crianças, o suspeito e a mulher fugiram levando três dos filhos e o neto

Geisy Garnes

O estupro de duas meninas, de 17 e 14 anos, cometido pelo padrasto, é investigado pela polícia de Campo Grande. O crime aconteceria com consentimento da mãe das meninas, que segundo denúncia, “ofereceu” as filhas para o namorado não sair de casa. A mais velha teria, inclusive, engravidado do suspeito.

O caso chegou à polícia depois que a caçula, de 14 anos revelou que era abusada pelo padrasto para duas colegas da escola. As amigas da vítima contaram a história para os pais, que denunciaram a administração do colégio. A partir daí, o Conselho Tutelar foi avisado e retirou a jovem do convívio da família.

O pai das meninas, um açougueiro de 39 anos (que não terá o nome divulgado para preservar as identidades das filhas), garante que só soube do crime há um mês, quando a própria ex-mulher ligou para contar que a filha não morava mais com ela e estava na casa dos tios. Por telefone, a mãe das meninas teria afirmado que tudo estava esclarecido e que o companheiro era inocente. “Fui na casa da tia com quem minha filha está e ela me contou toda a verdade”, lembrou.

Ele foi casado com a mãe das crianças por 16 anos. Do relacionamento nasceram três meninas, hoje com 17, 14 e 10 anos, além de um menino, de 12 anos. O casamento no entanto chegou ao fim, em novembro de 2016.

Em depoimentos à polícia, a menina de 14 anos relatou que após a separação dos pais, a mãe começou a se envolver com o suspeito. Ele se mudou para casa das vítimas, mas após quatro meses, deixou a família. Foi aí, conforme o relato da jovem, que os abusos começaram.

A vítima contou que a mãe, com medo de passar por dificuldades, começou a mandar fotos da filha mais velha nua para o suspeito, afirmando que ele poderia ficar com as duas. Ainda em depoimento, a menina mais nova contou que nessa época se negou a fazer as fotos também.

O suspeito voltou a morar com elas, ficando com a mãe e abusando da menina mais velha, que engravidou. No período em que a adolescente foi ao hospital para ganhar o bebê - um menino, hoje com 10 meses - o padrasto teria passado a assediar a menina de 14 anos. “Ela sofreu abuso por um ano, quando não queria, ele batia nela, ameaçava”, contou o pai.

Para a polícia, a menina ainda afirmou que a mãe passou a obrigá-la a manter relação com o padrasto quando ele, novamente, ameaçou sair de casa.“Tudo isso é bem triste e não sei o que tá acontecendo, mas prefiro acreditar na minha filha”, declarou.

Durante as investigações, os quatro irmãos foram ouvidos. Os dois mais novos se referiram ao suspeito tanto como padrasto, como “marido” da irmã, e demonstraram nervosismo ao responderem sobre o relacionamento da mãe. “Minha filha pediu pelo amor de deus para tirarem os irmãos de lá, isso mostra que tem alguma coisa errada naquela casa”.

Diante da situação, a juíza Katy Braun do Prado, da Vara da Infância, Adolescência e do Idoso, determinou no dia 14 de setembro a busca e apreensão dos três filhos do açougueiro e também do neto. Um oficial de justiça procurou as crianças, mas descobriu que eles haviam mudado de casa.

“Ela [ex-mulher] pediu as contas do trabalho na terça-feira, esse foi o último dia que meus filhos foram na escola também. Falaram que eles estão próximos da casa em que moravam, então estou indo de casa em casa para encontrar meus filhos. Meu medo eles fugirem para o Paraguai”, afirmou o açougueiro.

Ainda segundo o pai das crianças, por conta do mandado de busca e apreensão dos filhos, passou a ser ameaçado pelo suspeito dos crimes. Por telefone e mensagens no WhatsApp o homem teria falado que iria a casa dele e reafirmado que era o pai do filho da adolescente. Neste domingo (23), ele procurou a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Piratininga para registrar o caso.

“Eles também procuraram a polícia na sexta-feira e registraram um boletim contra mim, falando que estava ameaçando eles”, contou o açougueiro, que negou as ameaças. Com os filhos desaparecidos e o suspeito de estuprar as filhas solto, o homem conta que o maior medo é ver a história se repetir com a filha mais nova, de 10 anos.

“E se ele mexer na minha filha de 10 anos, isso se já não mexeu com a menina. Ele acabou com a vida das minhas filhas. A mais velha falava que nunca ia casar, que queria ser alguém na vida e agora tá com um filho, chamando ele de marido. A outra foi abusada por um ano, vai precisar de tratamento psicológico. To desesperado, vou onde tiver que ir, só quero esse cara preso”, defendeu.

Segundo os depoimentos, mãe e filha negam o crime e o caso é investigado pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente).



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