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Saúde e Bem-Estar

Anestesia ainda gera medo, mas medicina torna procedimentos cada vez mais seguro

Por José Cândido | 10/03/2026 09:50

Anestesia ainda gera medo, mas medicina torna procedimentos cada vez mais seguro
Com tecnologias avançadas e medicamentos mais precisos, a anestesia hoje é considerada um procedimento seguro e cuidadosamente monitorado. (Foto divulgação)

RESUMO

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A anestesiologia moderna é considerada uma das áreas mais seguras da medicina, combinando tecnologia avançada, monitoramento contínuo e protocolos rigorosos. O trabalho do anestesiologista vai além da sala de cirurgia, iniciando-se na avaliação pré-operatória e estendendo-se até a recuperação do paciente. Contrário a crenças populares, nem toda anestesia causa inconsciência total, e os riscos de complicações graves são extremamente baixos. A avaliação prévia é fundamental para identificar fatores de risco e definir a melhor estratégia anestésica, considerando o histórico do paciente e medicamentos em uso.

Pensar em uma cirurgia costuma trazer um misto de sentimentos. Entre eles, a ansiedade e o medo da anestesia aparecem com frequência nas conversas entre pacientes e familiares. O receio de não acordar após o procedimento, de sentir dor durante a cirurgia ou de enfrentar alguma complicação ainda é comum.

Mas, segundo a anestesiologista Thais Cançado, do Servan Anestesiologia, muitas dessas preocupações estão ligadas à falta de informação ou a ideias antigas sobre a especialidade.

Hoje, a anestesiologia é considerada uma das áreas mais seguras da medicina. O avanço das tecnologias de monitorização, o uso de medicamentos cada vez mais precisos e protocolos rigorosos permitem que o paciente seja acompanhado em tempo real durante toda a cirurgia.

“O planejamento é sempre individualizado. Avaliamos idade, histórico de saúde, tipo de cirurgia, exames e medicamentos em uso para escolher a técnica anestésica mais adequada”, explica a médica.

Presença antes, durante e depois da cirurgia

Ao contrário do que muita gente imagina, o anestesiologista não atua apenas no momento da cirurgia. O trabalho começa antes mesmo do procedimento, na chamada avaliação pré-anestésica.

É nesse encontro que o médico conhece o histórico do paciente, orienta sobre jejum, uso de medicamentos e esclarece dúvidas que costumam gerar insegurança.

Durante a cirurgia, o anestesiologista monitora continuamente funções vitais como respiração, pressão arterial, frequência cardíaca e oxigenação, ajustando a anestesia sempre que necessário.

Depois do procedimento, o especialista também pode acompanhar a recuperação anestésica e atuar no controle da dor.

“Entender esse processo costuma trazer mais tranquilidade. Saber que existe um profissional dedicado exclusivamente ao conforto e à segurança do paciente ajuda a tornar a experiência cirúrgica menos tensa”, afirma a médica.

Mitos e verdades sobre anestesia

Algumas dúvidas ainda aparecem com frequência entre pacientes. Especialistas esclarecem os principais pontos:

Toda anestesia faz dormir?
Não. Apenas a anestesia geral provoca inconsciência total. Em técnicas como raquianestesia ou peridural, a dor é bloqueada apenas em uma região do corpo e o paciente pode permanecer acordado ou sedado.

Existe risco alto de não acordar?
Não. Com o monitoramento contínuo e os medicamentos atuais, a anestesia é considerada bastante segura.

Anestesia na coluna pode causar paralisia?
Complicações graves são extremamente raras quando o procedimento é realizado por equipe qualificada e após avaliação adequada.

Dor de cabeça após raquianestesia é comum?
Pode ocorrer, mas tornou-se menos frequente com o uso de agulhas mais finas e técnicas mais modernas.

Náusea e tontura após anestesia são normais?
Podem acontecer, principalmente após anestesia geral, mas geralmente são temporárias e têm tratamento.

Consulta prévia aumenta a segurança

A avaliação pré-anestésica é considerada uma etapa essencial antes de qualquer cirurgia. Nela, o especialista identifica possíveis fatores de risco e define a melhor estratégia para o procedimento.

Também é nesse momento que o paciente deve informar todos os medicamentos de uso contínuo. Alguns remédios podem interferir na ação dos anestésicos ou exigir cuidados específicos durante a cirurgia.

Entre eles estão certos sedativos, como benzodiazepínicos, e alguns medicamentos usados no tratamento do diabetes, que podem influenciar o controle da glicemia durante o jejum pré-operatório.

Informação reduz a ansiedade

A anestesiologia moderna combina tecnologia, planejamento individualizado e acompanhamento em todas as fases do procedimento cirúrgico.

Mais do que tornar a cirurgia possível, a anestesia hoje também busca garantir conforto, segurança e uma recuperação mais tranquila para o paciente.

“Quando o paciente entende como funciona cada etapa do processo, a ansiedade diminui. Informação fortalece a confiança na equipe médica e ajuda a enfrentar o procedimento com mais tranquilidade”, conclui a anestesiologista.