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Capital

Policial confessa vender mercadorias apreendidas com outros servidores

Augusto Torres Galvão Florindo foi preso no momento em que recebia R$ 130 mil de ex-guarda contrabandista

Por Ana Paula Chuva | 30/11/2025 08:59
Policial confessa vender mercadorias apreendidas com outros servidores
Augusto ao lado da esposa, a promotora da Justiça Luciana Schenk (Foto: Divulgação | MPMS)

O policial civil Augusto Torres Galvão Florindo confessou em depoimento vender produtos contrabandeados que eram apreendidos pela corporação. O servidor foi preso em flagrante no sábado (29), junto com o ex-GCM (Guarda Civil Metropolitano) Marcelo Raimundo da Silva, e, no mesmo dia, ambos tiveram a prisão preventiva decretada pela juíza federal Janete Lima Miguel.

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Um policial civil e um ex-guarda metropolitano foram presos em flagrante após confessarem envolvimento em esquema de venda de produtos contrabandeados. O policial Augusto Torres Galvão Florindo admitiu que, junto com outros servidores não identificados, comercializava mercadorias apreendidas pela corporação.O ex-GCM Marcelo Raimundo da Silva confirmou ser contrabandista e administrar uma rede de logística para importação de produtos do Paraguai. Ambos foram detidos durante uma transação de R$ 130 mil referente à venda de cigarros eletrônicos e tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça Federal.

No relato, o policial afirmou que o dinheiro que havia recebido de Marcelo era referente à venda de produtos contrabandeados. Segundo a versão de Augusto, ele e outros servidores,  que não quis identificar, atuavam no comércio dessas mercadorias que eram apreendidas e desviadas.

O servidor afirmou que outros policiais civis fazem parte do esquema, mas não quis dar nomes. Ele também não esclareceu se a mercadoria vendida foi retirada do depósito da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), onde ele é lotado, ou se havia sido “roubada” de contrabandistas que deveriam ter sido presos. Ainda em depoimento, o policial civil alegou estar arrependido.

Ex-GCM – Também em relato na sede da Superintendência da Polícia Federal, o ex-guarda Marcelo confessou ser contrabandista. Em seu depoimento, ele disse que tem e administra esquema de logística para trazer produtos de origem paraguaia ao Brasil, tanto permitidos quanto os de importação proibida.

Ele contou que já chegou a ser preso diversas vezes pelos crimes de contrabando e descaminho e, por isso, está usando tornozeleira eletrônica. Porém, continua com o esquema uma ou duas vezes por semana e, como não pode ir até a região de fronteira, tem motoristas que fazem o transporte das mercadorias, ficando responsável por outras etapas, como pagamentos e negociações.

Ontem, ele recebeu uma ligação de um dos compradores identificado como “Moela”, afirmando que precisava pagar R$ 130 mil de uma carga de cigarros eletrônicos e pediu o número de uma conta bancária para Marcelo receber o dinheiro. Ele então depositou R$ 100 mil e orientou que o ex-guarda fosse ao banco sacar o valor.

Os outros R$ 30 mil já estavam com Marcelo porque o valor já seria enviado para o Paraguai na segunda-feira (1º). Essa parte foi juntada ao que foi depositado e Moela pediu que o ex-guarda fosse até o estacionamento de um supermercado na Avenida dos Cafezais para entregar o dinheiro a Augusto, momento em que ambos foram presos.

O ex-guarda ainda confessou que usa o dinheiro do crime na empresa de revenda de veículos que pertence à sua esposa.

Prisão preventiva – Augusto passou por audiência de custódia, junto com Marcelo no final da tarde de sábado. Na ocasião, a juíza plantonista decidiu por converter o flagrante em prisão preventiva dos dois homens.

"Os elementos colhidos indicam atuação coordenada, própria de organização criminosa: apreensão de expressiva quantidade de dinheiro e contribuição de terceiros para o transporte e comercialização de mercadorias contrabandeadas, bem como para a movimentação e distribuição dos valores provenientes da atividade ilícita. Conforme bem assentado pelo Ministério Público Federal, há evidentes indícios de que os flagranteados são agentes a serviço de organização criminosa", diz a juíza na decisão.