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Capital

Por “descuido” ou indignação, cerveja continua na mesa de bar

Entre os poucou clientes que não abriram mão do happy hour o sentimento era de revolta, por acharem o decreto injusto com o setor

Por Adriano Fernandes, Ana Paula Chuva e Aletheya Alves | 12/08/2020 22:43
Homens tomam cerveja sem álcool em bar no Centro. (Foto: Marcos Maluf)
Homens tomam cerveja sem álcool em bar no Centro. (Foto: Marcos Maluf)

A cerveja ainda marcou presença na mesa dos poucos clientes que não abriram mão do happy hour na primeira noite de “lei seca” nos bares da Capital. No começo da noite desta quarta-feira (12), seja na periferia ou na região central o que se viu foram vários estabelecimentos vazios ou até mesmo fechados. Mas a bebida gelada ainda chegou ao copo. Entre os clientes que saíram de casa, o sentimento era de revolta, por acharem o decreto injusto com o setor.

Se não fosse a pandemia e agora o decreto proibindo o consumo de álcool nos bares, nesta noite de rodada do Campeonato Brasileiro o Bar Mercearia, um dos mais tradicionais da cidade, estaria lotado de torcedores. No entanto das 20 mesas dispostas no local em apenas quatro haviam clientes. Em dias normais a lotação chegava a 60 mesas.

“É dia de jogo, era para estar cheio. Estamos seguindo as recomendações dos decretos e fazendo de tudo para manter as portas abertas”, comentou Jorge Vieira que há 11 anos é gerente do bar. Segundo ele, nesta quarta-feira alguns clientes chegaram a irem embora ao saberem da proibição.

Clientes bebendo cerveja em Bar na Rua Península no Coophavila (Foto: Marcos Maluf)
Clientes bebendo cerveja em Bar na Rua Península no Coophavila (Foto: Marcos Maluf)

“A pessoas vem para o bar assistir jogo e querem beber, mas explicamos que não podíamos vender e eles acabaram indo embora”, completa. Dois clientes do bar, conseguiram garantir a tradição da “gelada” na mesa enquanto assistiam o jogo, mas sem álcool.

Um deles era o militar Caio Robson, de 27 anos, que acha o decreto ineficaz e não escondeu a indignação. “É uma hipocrisia. Eles proíbem a venda de álcool nos bares, mas mantém nos supermercados e isso acaba sendo muito pior. Lá o cliente compra, leva para casa e aglomera do mesmo jeito”, opina.

Quem também desabafou a respeito do novo decreto foi a empresária Maria Socorro Diniz. "Acho uma palhaçada. Se fosse proibir no mercado e conveniência no modo geral, tudo bem, mas só em bar, só prejudica ainda mais quem já está sofrendo com as medidas", comenta.

Ainda no Centro estabelecimentos como o Café Mostarda e Quiosque da Brahma, alguns dos mais populares da Afonso Pena, também tinham movimento fraco nesta noite.

Rua General Alberto Carlos Mendonça Lima, no São Conrado o consumo era com cervejas de latinha.(Foto: Marcos Maluf)
Rua General Alberto Carlos Mendonça Lima, no São Conrado o consumo era com cervejas de latinha.(Foto: Marcos Maluf)

Conveniência da Rua Coronel Quito ao lado do Camelódromo que até ontem tinha grande aglomeração de pessoas, hoje estava fechada. O panorama era o mesmos nos bairros mais afastados de Campo Grande.

Descuido? - No Bairro Tarumã a dona de um bar, de 47 anos, que pediu para não ser identificada admitiu que nem sabia que o novo decreto valia a partir de hoje. “Fique sabendo há pouco quando um cliente me contou. Aí eu parei de vender e já vou fechar meu estabelecimento ”, diz.

A empresária também diz que é contra a medida e se queixa do prejuízo que o novo decreto pode causar. “Ninguém vai querer comprar a bebida no bar se não for pra consumir, porque nas conveniências é mais barato. Eu vou ter que acabar fechando e ficando sem renda”, lamenta.

Em bairros como o Coophavila e São Conrado a reportagem também encontrou alguns poucos flagrantes de pessoas bebendo em bares, seja com cerveja de garrafa ou latinha. Mas pelos restaurantes e pizzarias percorridos a maioria dos clientes estavam respeitando a medida.

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Fiscalização – Conforme a Vigilância Sanitária a logística de fiscalização dos estabelecimentos será a mesma que tem sido adotada, desde que os decretos de isolamento social passaram a valer na Capital. “A única diferença é que agora vamos fiscalizar o consumo de bebida alcoólica”, comentou Edna de Castro Coutinho, chefe do serviço de educação sanitária da vigilância.

O funcionamento dos bares e restaurantes está permitido apenas até as 21h e aglomerações são expressamente proibidas. “Neste primeiro momento, a indicação é que a Polícia Militar e Guarda Civil Metropolitana realizem a dispersão em caso de consumo de bebida nos locais", completou.

O decreto - A proibição de consumo de álcool em locais de venda e também em espaços de acesso público da Capital, começou a vigorar nesta quarta-feira (12). A medida vale para supermercados, conveniências, bares e, inclusive, restaurantes. Nestes estabelecimentos a venda é permitida, mas servir os clientes no local fica proibido de amanhã até o próximo domingo.

O empresário que descumprir a "lei seca" pode perder o alvará de funcionamento. A punição máxima será aplicada em caso de reincidência do estabelecimento. Já para o cliente que for pego consumindo álcool em locais públicos, o primeiro passo será uma conversa, como ocorre com o toque de recolher.

*Reportagem editada às 7h40 para correção de informação