Prefeitura diz que recuperou valor aplicado no Master e acompanha investigação
Município afirma que investimento de R$ 1,2 milhão seguiu regras do Conselho Monetário
A Prefeitura de Campo Grande afirmou que acompanha a investigação da PF (Polícia Federal) sobre a aplicação de R$ 1,2 milhão do IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande) no Banco Master e destacou que o valor investido foi recuperado. Em nota divulgada nesta terça-feira (25), o município sustentou ainda que a operação financeira realizada em abril de 2024 seguiu as normas para investimentos de regimes próprios de Previdência.
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A manifestação ocorreu após a PF deflagrar a Operação Presciência e cumprir seis mandados de busca e apreensão. As diligências chegaram ao IMPCG, à SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) e à residência da vice-prefeita e titular da pasta, Camilla Nascimento, que já presidiu o instituto.
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Segundo a Polícia Federal, a investigação apura possíveis irregularidades na aplicação de recursos da Previdência municipal. Os investigadores apontam indícios de que servidores envolvidos no processo decisório possam ter deixado de observar procedimentos técnicos e administrativos, expondo o patrimônio previdenciário a riscos. O inquérito apura, em tese, os crimes de gestão temerária, corrupção passiva e corrupção ativa.
Na resposta, a Prefeitura afirmou que a apuração em Campo Grande está inserida em um contexto de investigações realizadas em outros pontos do País e disse que continuará fornecendo os esclarecimentos solicitados.
O município também destacou que Campo Grande esteve entre as primeiras cidades a conseguir o ressarcimento dos recursos aplicados no Banco Master, evitando, segundo a administração, prejuízo aos cofres públicos.
A aplicação de R$ 1,2 milhão foi feita pelo IMPCG em abril de 2024, por meio da compra de Letra Financeira com vencimento previsto originalmente para abril de 2029. Como esse tipo de investimento não tinha cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), a liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, trouxe risco de perda do recurso.
Conforme a prefeitura, a liquidação antecipou o vencimento da Letra Financeira e transformou o investimento em crédito a receber pelo instituto. Na ocasião, o valor atualizado chegou a R$ 1.427.697,59.
O IMPCG recorreu então à Justiça para compensar o crédito com valores de empréstimos consignados que eram descontados de servidores municipais e deveriam ser repassados ao Master.
Em dezembro de 2025, decisão judicial autorizou o depósito em juízo de R$ 1,427 milhão que seria destinado ao banco. Em março deste ano, o instituto assegurou a recuperação dos R$ 1,2 milhão originalmente investidos, acrescidos da correção acumulada.
Na nota desta terça-feira, a prefeitura argumentou que as aplicações do IMPCG são realizadas conforme a Resolução nº 4.963/2021 do CMN (Conselho Monetário Nacional), que estabelece regras para investimentos dos regimes próprios de Previdência, e de acordo com a Política Anual de Investimentos aprovada pelo Conselho Deliberativo do instituto.
A Operação Presciência teve origem em informações de um Relatório de Auditoria Direta sobre Letras Financeiras elaborado pela área de auditoria do Departamento dos Regimes Próprios de Previdência Social, ligado ao Ministério da Previdência. Além das buscas, a Justiça Federal autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados.
A Prefeitura encerrou a manifestação afirmando que “segue prestando todos os esclarecimentos e informações necessárias” às autoridades.
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