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Capital

“Querem me botar numa coisa que não tenho a ver”, diz ex-secretário

Os contratos, na área de educação e saúde, investigados na administração anterior somam R$ 68 milhões

Por Viviane Oliveira | 30/11/2023 09:08
Geraldo Resende em visita ao Campo Grande News no dia 30 de outubro deste ano (Foto: Marcos Maluf) 
Geraldo Resende em visita ao Campo Grande News no dia 30 de outubro deste ano (Foto: Marcos Maluf)

O ex-secretário estadual de Saúde Geraldo Resende (PSDB), que está em seu sexto mandato como deputado federal, disse, na manhã desta quinta-feira (30), que não iria comentar nada sobre a operação Turn Off, deflagrada ontem pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), porque os desvios em licitações não foram na gestão dele.

Em março do ano passado, Geraldo Resende deixou o comando da Secretaria de Saúde de Mato Grosso do Sul para ser pré-candidato a deputado federal, nas eleições de 2022. Quem assumiu o lugar dele foi Flávio Brito, que era chefe de gabinete da secretaria, atual adjunto da Casa Civil. Flávio foi alvo de busca e apreensão e intimado para depor nesta quinta-feira na sede do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

Os contratos investigados na administração anterior somam R$ 68 milhões. As empresas que estão sob suspeita são: Maiorca Soluções em Saúde, de propriedade de Sérgio Coutinho Júnior, e a Comercial Isototal Ltda, que tem como dono Lucas Coutinho, conforme dados abertos divulgados no site da Receita Federal, e a Isomed Diagnósticos.

Ao ser indagado, por telefone, se queria comentar sobre a operação, Geraldo Resende respondeu: “Eu não vou comentar nada, não. Não tenho nada relacionado a isso. Eu não tenho nada a ver, não é do meu período, não tenho nada a falar. Como eu vou comentar uma coisa que nada tenho a ver? Eu não sei nem o conteúdo. É como se eu perguntasse para outro deputado o que está achando disso, pode olhar se tem alguma coisa a ver com a minha gestão”, disse.

Ainda conforme o deputado, sempre foi a favor de investigação séria e quem estiver envolvido que responda pelos seus atos. Segundo ele, não ia responder nada sobre a ação porque é como se estivesse se oferecendo para estar na operação. “Não queria nem que comentasse que ligou pra mim. Porque não tem nada a ver. Algumas pessoas querem me botar numa coisa que eu não tenho nada a ver”, lamentou.

Investigação - As apurações começaram durante a Operação Parasita, deflagrada no dia 7 de dezembro de 2022. “Dados extraídos dos aparelhos celulares dos investigados Lucas de Andrade Coutinho e Sérgio Duarte Coutinho Júnior, apreendidos por ocasião” direcionaram a atenção do Gaeco e Gecoc para as contratações das empresas da dupla pela administração estadual, conforme trecho da decisão do juiz Eduardo Eugênio Siravegna Júnior, da 2ª Vara Criminal de Campo Grande, que autorizou as prisões e buscas.

Equipe do Gecoc cumprindo mandados em endereço do Jardim Paulista (Foto: Viviane Oliveira) 
Equipe do Gecoc cumprindo mandados em endereço do Jardim Paulista (Foto: Viviane Oliveira)

Para o magistrado, está evidente “a prática reiterada e contemporânea dos crimes contra a administração pública, de forma que os empresários (Lucas e Sérgio), valendo-se da interferência de servidores públicos (Edio Antônio Resende de Castro e Andréa Cristina Souza Lima, Simone Ramires de Oliveira Castro e Thiago Haruo Mishima,) e coordenador da Apae (Paulo Henrique Muleta Andrade), bem como com o auxílio do operador do esquema criminoso (Victor Leite de Andrade), pagaram ‘propina’ em troca do favorecimento de suas empresas”.

Os oito citados neste trecho da decisão que o Campo Grande News teve acesso estão presos. O processo segue tramitando em sigilo, mas ainda conforme divulgado pelo Ministério Público na manhã de ontem, a operação também esteve em 35 endereços em Campo Grande, Maracaju, Itaporã, Rochedo e Corguinho. Na casa de um dos alvos – o MP não divulgou qual –, foram apreendidos dólares e euros.

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