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Capital

Ré por participação na "chacina do Sumatra" tenta escapar de júri

Josiane Nunes Conceição, de 32 anos, é acusada de participar de triplo homicídio em 2020

Por Anahi Zurutuza | 23/05/2022 11:47
Vítimas foram mortas com vários tiros no meio da rua. (Foto: Direto das Ruas/Arquivo Campo Grande News)
Vítimas foram mortas com vários tiros no meio da rua. (Foto: Direto das Ruas/Arquivo Campo Grande News)

Ré por envolvimento em episódio que ficou conhecido no meio policial como "chacina do Sumatra", Josiane Nunes Conceição, de 32 anos, nega que tenha participado do crime e tentou se livrar de júri popular, mas teve recurso contra a sentença de pronúncia negado pela 2ª Câmara Criminal do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul).

Conforme publicado no Diário da Justiça desta segunda-feira (23), desembargadores entenderam haver indícios de que ela realmente participou do triplo assassinato. Josiane foi reconhecida por jovem que sobreviveu ao massacre como uma das integrantes do grupo, comandado por Simei Fonseca de Araújo, de 30 anos, mais conhecido como "Tico", conforme as investigações.

A defesa de Josiane usa como argumento a presunção da inocência, princípio do Direito que pressupõe que o suspeito é inocente até que se prove o contrário. É que tanto em depoimento prestado à Polícia Civil quanto em juízo, ela alegou que, na madrugada daquele sábado, em outubro de 2020, estava em casa com o marido e os filhos.

O suposto companheiro, quando ouvido na Justiça, confirmou a versão dela. Disse que havia retomado relacionamento com a ré e que ela só ficava em casa, porque estava evadida do sistema penitenciário. "A sentença de pronúncia é basicamente alicerçada no depoimento da vítima sobrevivente, porém, o seu depoimento deve ser visto com temperança, eis que a mesma foi submetida a uma situação de extrema violência que certamente a abalou psicologicamente e nessa conjuntura, ela pode estar se confundindo ao implicar à recorrente a prática delitiva", argumentou o defensor público Rodrigo Antonio Stochiero Silva, responsável por defender a acusada.

Já a acusação argumenta que além do reconhecimento por parte da testemunha-chave, jovem que à época tinha 22 anos, outras pessoas indicaram Josiane como a namorada de "Tico", acusado de ser o líder na ação. A promotora Luciana do Amaral Rabelo defende que dúvidas sobre a participação da acusada podem ser esclarecidas no júri popular.

Fotos apresentadas à sobrevivente, que reconheceu Josiane Conceição como participante do crime. (Foto: Reprodução do autos da ação penal)
Fotos apresentadas à sobrevivente, que reconheceu Josiane Conceição como participante do crime. (Foto: Reprodução do autos da ação penal)

O crime - Marcos Antônio Cavalcante Américo, conhecido como "Maresia", de 36 anos, e Weslley da Silva Rodrigues Alves, 20 anos, e Alex Vilhagra Ifran, 24 anos, foram executados por grupo fortemente armado - três homens e uma mulher - na madrugada do dia 31 de outubro de 2020, na Rua Augusta Rossini Guidi, no Jardim Sumatra, em Campo Grande.

Para a polícia e o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), "Maresia" era o alvo. O assassinato dele teria sido motivado por vingança, como resposta à execução de um amigo de "Tico", conhecido como André Chinha. Weslley e Alex foram assassinados porque testemunharam a morte de Marcos Antônio.

A sobrevivente, que estava no local com o marido, Alex, só não foi executada porque a arma apontada para ela falhou, também de acordo com a apuração policial.

O julgamento de Josiane e Simei ainda deve ser marcado. Os outros dois envolvidos não foram identificados.

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