A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

29/12/2010 15:50

Retrospectiva: Entre agressões e protestos, Saúde virou caso de polícia

Aline dos Santos

“Somos feitos de palhaço”, lamenta mulher que se acorrentou a hospital para protestar.

Foto: João GarrigóFoto: João Garrigó

Questão de vida ou morte, o atendimento médico motivou brigas, denúncias, protestos e virou caso de polícia em 2010.

Dono do título de posto mais violento de Campo Grande, a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Vila Almeida virou notícia logo nos primeiros dias do ano.

Na noite de 21 de janeiro, funcionários da unidade de saúde precisaram se trancar em uma sala para escapar da fúria dos pacientes que aguardavam atendimento. Cerca de 20 homens teriam participado da ocupação e quatro médicos tiveram que buscar refúgio.

Diante da situação extrema, a prefeitura de Campo Grande chegou a pedir que a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública) colocasse a PM nas unidades 24 horas, mas a solicitação foi negada. Já a população, cobrava mais médicos. Os profissionais de saúde, por sua vez, ameaçaram até demissão em massa.

Um mês depois, a prefeitura divulgou que seria criado serviço receptivos nas unidades 24 horas. Outra aposta do poder público para 2010 era a instalação do sistema de informatização de consultas, com recursos de R$ 9 milhões.

Imagens de postos de saúde superlotados continuaram em 2010.Imagens de postos de saúde superlotados continuaram em 2010.

Coincidência - Conforme pesquisa do Sinmed (Sindicato dos Médicos), de janeiro a novembro foram registrados 345 relatos de violência nos postos de saúde da Capital. Destas, 17% ocorreram na UPA da Vila Almeida. Coincidentemente, a mesma unidade em que os médicos são expostos à situação de risco também é a que mais provoca denúncias à imprensa por parte dos usuários do sistema público de saúde.

A família de Milton Davi Botrich, de 74 anos, denunciou que a unidade não tinha médico na tarde do dia 9 de outubro, um sábado. O paciente precisava da aplicação de um medicamento essencial para sua saúde. Nesta data, a escala da prefeitura informava que a unidade teria três médicos clínicos gerais, porém, a informação no posto é que não havia médicos no plantão.

Um mês antes, depois de 4 horas de espera, o administrador José Luiz Leal Zayas foi embora sem atendimento. “Prefiro sentir dor em casa”.

Na Unidade de Pronto Atendimento, a espera é determinada pela classificação de risco. Os pacientes são classificados por cores. Vermelho corresponde a casos graves, que exige atendimento imediato. Amarelo (urgência maior) espera de até 40 minutos. Verde (urgência menor) espera por até 1h30. Já o paciente com a classificação azul (atendimento ambulatorial), pelas regras da UPA, deve ser atendido em até duas horas.

Na delegacia – Ainda em outubro, mais confusão. O consultor Denis Carlos Souza Medeiros brigou com funcionários e a Guarda Municipal teve que intervir. Ele foi ao local para que o irmão fizesse raio-x. “Bateram a porta na cara da minha mãe”. O caso foi registrado na polícia.

Já na UPA do Coronel Antonino, segundo colocado no ranking de agressões, Rafael Neves Alves foi parar na delegacia por agredir os médicos e xingar os enfermeiros. Na delegacia, ele disse que “daria uma rajada de metralhadora nas cabeças do médico”.

No posto do Nova Bahia, um médico de 35 anos foi agredido a socos por dois homens que acompanhavam um paciente.

Em agosto, a cabeleireira Edna Lima Bronze passou 30 horas acorrentada ao HR (Hospital Regional) Rosa Pedrossian.Em agosto, a cabeleireira Edna Lima Bronze passou 30 horas acorrentada ao HR (Hospital Regional) Rosa Pedrossian.

Palhaça - Em agosto, a cabeleireira Edna Lima Bronze passou 30 horas acorrentada ao HR (Hospital Regional) Rosa Pedrossian. Vestida de palhaço, ela protestava pela demora em ter um diagnóstico correto.

Com dores no abdômen, o primeiro diagnóstico, no posto de saúde do Guanandi, foi de infecção urinária. O segundo, já no HR, foi de apendicite. Só depois da cirurgia, veio o diagnóstico correto: gravidez tubária rota.

Neste caso, o feto é gerado fora do útero. Com o desenvolvimento da gravidez, a trompa se rompeu e o feto morreu, gerando uma hemorragia não detectada. O ovário e a trompa esquerdos tiveram que ser retirados. “Somos feitos de palhaço”, lamenta Edna.

“Me tira daqui” – O nascimento de Guilherme, em março deste ano, foi antecedido por 18 horas de dor para a mãe e muita negociação financeira por parte do pai.

O tecnólogo ambiental Maximiliano Schadler denunciou a maternidade Cândido Mariano ao MPE (Ministério Público Estadual) por forçar parto normal. Sua esposa, Miriam Kelly dos Santos não conseguia atingir a dilatação necessária para o nascimento do filho.

Porém, a cesariana só foi realizada mediante o pagamento de R$ 3.300. A justificativa foi de que o SUS (Sistema Único de Saúde) só autoriza a cirurgia após ser cumprido um protocolo que eliminasse totalmente a possibilidade de parto normal.

“Foi cruel o que aconteceu”, definiu Maximiliano à época. A decisão de pagar veio após a súplica da esposa. “Amor, me tira daqui, senão eu vou morrer”.

No MPE, a denúncia não prosperou. “Fui lá, mas ninguém se interessou. Depois tive outros compromissos e acabei desistindo”, relatou o pai ao Campo Grande News na última semana.

Médicos lançaram campanha pela paz, em frente de posto de saúde da Vila Almeida.Médicos lançaram campanha pela paz, em frente de posto de saúde da Vila Almeida.
Durante discussão, adolescente de 17 anos é esfaqueado pelo amigo
Um jovem de 17 anos foi levado em estado grave para a Santa Casa após ser esfaqueado na noite deste sábado, na frente da casa em que mora no Bairro G...
Após furtar obra, ladrão é capturado por moradores e ferido a tiros
Marcio Estacio Duarte Teixeira, de 31 anos, foi socorrido a Santa Casa de Campo Grande após ser atingido por dois tiros na madrugada deste domingo (1...


Concorso com o Jose Aparecido. Ao invés de criticar os servidores, porque a maioria das pessoas nao perguntam como o servidor esta, se o servidor esta bem, se o servidor precisa de ajuda, etc. A maioria das pessoas nao tem conhecimento e nem conhecem a rotina de trabalha de um servidor, em um posto de sdaude, principalmente o da UPA Vila Almeida, e tambem nao apoie o servidor na luta por melhores condicoes de trabalho e melhores salarios...
Sra Margarida, tenho certeza que a senhora nao aguentaria uma semana trabalhar em um posto de saude, conhecendo a real situacao de trabalho dos servidores. Sera que aguentaria??
 
Samir Eduardo Chehade Marques em 02/01/2011 12:40:29
São funcionários públicos, e devem ser punidos como tal, se não estão contentes com o emprego peguem o bonezinho e até logo, é melhor do que ficarem tratando mal os seus patrões,a população que paga impostos.......por uma prestação de serviço que nem sempre tem qualidade.....lamentável.
 
Cláudio Roberto de Oliveira em 30/12/2010 12:59:29
É gente.... a SAÚDE é a coisa mais séria de nossas vidas por isso senhores da autoridades da saúde, vamos ver com mais carinho essa parte.
 
Maria Oliveira em 30/12/2010 12:39:42
A REALIDADE É QUE FALTA PROFISSIONAIS NA AREA..TEM QUE COLOCAR MAIS MEDICOS POR ISSO QUE OS MEDICOS FICAM NERVOSOS, FUNCIONARIOS PORQUE TEM MUITOS PACIENTES PASSANDO MAL E ELES NAO DAO CONTA....SECRETARIO DA SAUDE QUE TEM QUE VER ISSO...ESSES DIAS PRECISEI DO POSTO DE SAUDE FUI BEM ATENDIDA MAS POREM PRECISA MAIS DE MEDICOS....
 
MARTA BRASILEIRO em 30/12/2010 10:58:06
É notório que o atendimento na saúde pública em geral, está a quem da necessidade dos dela necessitam, apesar das melhorias estruturais implantadas aqui na capital, principalmente pela administração municipal, não são suficientes para a melhoria do serviço. Naquilo que há de mais importante pouco se investe, que é a "humanização a socialização" do atendimento em todos os aspectos, entendemos que os profissionais de saúde como em todos os setores do serviço público, não laboram em condições de trabalho ideal, mas é preciso que o ambiente seja de respeito, primeiramente entre os próprios profissionais, o que não ocorre muitas vezes, alguns médicos não só na área pública como também na privada tratam outras classes principalmente os da enfermagem como sendo "lixo" (expressão utilizada por um médico, não por mim).
Certo é que muitos dos pacientes que procuram os serviços de saúde recebendo a atenção que sua condição ali merece, certamente voltaria para casa satisfeito.
A inaceitável violência que os servidores tem sido vítimas estão intimamente ligadas a conduta de grande parte deles. Ou o cidadão que procura atendimento e é recebido com desdém humilhante não está sendo violentado em seus direitos?
 
CESAR CASTRO em 30/12/2010 10:30:23
Infelizmente, a saúde não recebe a mesma atenção e o investimento que recebe a ruas de Campo Grande na questão dos radares e lombadas. Claro! a saúde não dá retorno financeiro para os cofres publicos! O que me deixa mais triste é que nossos dirigentes publicos (prefeito e governador) quando assumem seus respectivos cargos administram toda a maquina pública como se fosse uma empresa capitalista, visando sempre a arrecadação e o acumulo de cifras... É claro que a arrecadação deve funcionar, mas a população jamais deveria ser esquecida neste processo... Afinal, eles administram um orgão público... que é de todos e deve atender todos!
 
Eduardo B. de Melo em 30/12/2010 09:13:41
meus caros leitores do campo grande news, o que da mais lucro para a lateral da calça, a obras publicas ou a saude?
 
Amilton ferreira de almeida em 30/12/2010 07:30:14
cade o prefeito entao o governador
 
alexandre santiago em 30/12/2010 01:53:50
Em se tratando de saúde pública, os responsaveis por atendimentos nos locais, deveriam passar por um reciclagem ou quem sabe até, substituição! Porque é uma falta de preparo total, na questão tratamento de pessoas.
Os funcionários, pagos com dinheiro público, precisam ter uma postura diferente, respeitar as pessoas por serem seres humanos. E mais, atender as pessoas dentro de suas nescessidades, com educação e ética profissional, exigida. Não importando a função detro de um posto de saúde, ou outro orgão público!
 
Godoy Edil em 29/12/2010 10:01:16
Antes de criticar os funcionários dos postos de saúde a população deveria conhecer o dia a dia desses funcionários e cobrar das autoridades uma maior atenção para a saúde e mais investimentos para que o atendimento seja melhorado.
 
José aparecido em 29/12/2010 08:21:54
ACORDÃO........

Cadê a visão críticas dos eleitores? Parece que, apesar de muitos terem melhorado o
padrão de vida , o cérebro não evoluiu nada.
 
GISELE GONSALES BARROS em 29/12/2010 05:17:50
Conheço bem o Posto de Saúde do Vila Almeida pois resido na região. Os médicos atendem bem ( o Dr. Carlos Leite e o de camisa vermelha, que esqueci o nome, são exemplos). O grande problema, além da falta de médicos, é o atendimento dos funcionários do posto, que são mal-educados, estúpidos e não respeitam a população no momento em que esta mais precisa de atenção e cuidado, porque ninguém vai ao posto de saúde para passear. Ás pessoas só dirigem-se ao posto quando não têm outra alternativa e o mínimo que merecem é serem tratadas como cidadãs.
 
Margarida Souza em 29/12/2010 04:33:00
Médicos lançaram campanha pela paz, no posto da Vila Almeida.Médicos lançaram campanha pela paz, no posto da Vila Almeida.
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions