Réu diz matou colega após 40 minutos de espancamento por causa de tapa na mão
Vítima foi brutalmente agredida e teve o pescoço cortado com retrovisor arrancado do próprio carro

Na manhã desta quinta-feira (29), o Tribunal do Júri julga Edney Pereira Luciano, de 33 anos, acusado de assassinar de forma brutal Miguel Begues dos Santos, de 58 anos. O crime ocorreu na madrugada de 10 de março do ano passado, depois de uma festa, no Jardim Centro-Oeste, em Campo Grande.
RESUMO
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Em julgamento no Tribunal do Júri, Edney Pereira Luciano, de 33 anos, é acusado de assassinar brutalmente Miguel Begues dos Santos, de 58 anos, em Campo Grande. O crime ocorreu em março de 2023, quando a vítima foi espancada por 40 minutos e teve o pescoço cortado com um retrovisor arrancado do próprio carro. O réu alega que o desentendimento começou por causa do som do carro e que teria levado um tapa na mão da vítima. Miguel, que fazia aniversário no dia do crime, havia oferecido carona a Edney, que possui mais de 20 registros criminais e utilizava tornozeleira eletrônica no momento do homicídio.
Conforme a acusação, Miguel foi espancado por cerca de 40 minutos, sem qualquer possibilidade de reação. Durante as agressões, o réu arrancou o retrovisor do carro da vítima e utilizou o objeto para cortar o pescoço dela, circunstância que, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, demonstra a extrema crueldade do crime. A acusação sustenta que o homicídio foi praticado por motivo cruel e com recurso que dificultou a defesa da vítima.
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Durante o julgamento, a esposa da vítima, Maria Cicera Evaristo da Silva, de 50 anos, deixou o plenário no momento em que o réu começou a depor. “Não estava me sentindo bem”, afirmou. Casada há 16 anos com Miguel, ela pediu justiça. “Foi muita crueldade o que foi feito com o meu marido”, disse. Maria também relatou que a vítima sofria de depressão, hérnia de disco e de uma doença autoimune, a espondilite anquilosante.
Os trabalhos do júri são presididos pelo juiz de direito Carlos Alberto Garcete, presidente do 1º Tribunal do Júri. A acusação é conduzida pela promotora de Justiça Lívia Carla Guadanhim Bariani.
Em depoimento, Edney afirmou que o desentendimento teria ocorrido por causa do som do carro. Segundo ele, Miguel dirigia o veículo e lhe deu carona no dia do crime. O réu alegou ainda que levou um tapa na mão durante a discussão. Para o assistente de acusação, essa versão seria uma estratégia da defesa para tentar criar uma motivação para o crime.
Edney utilizava tornozeleira eletrônica no dia do crime e foi preso em flagrante. Ele possui mais de 20 registros criminais, entre eles ocorrências por violência doméstica, ameaça e descumprimento de medida protetiva.
Crime após comemoração – Miguel morava na região onde ocorreu o crime e era bastante conhecido nos bairros Los Angeles, Alves Pereira e Canguru. Segundo familiares, ele fazia aniversário no dia do homicídio e havia iniciado as comemorações no domingo.
Conforme relato do enteado da vítima, à época, Miguel passou parte do dia na casa da mãe dele, acompanhado dos filhos, e depois seguiu para a residência da própria mãe, que é idosa. No local, continuou bebendo com amigos e, por volta da 1h da madrugada, saiu acompanhado de algumas pessoas.
Ainda de acordo com a família, Edney teria entrado de forma forçada no carro para ir junto. Como os dois se conheciam, Miguel não teria negado a carona. Em determinado momento, permaneceram apenas Miguel e Edney no veículo, quando ocorreu o crime. O enteado afirmou ainda que Miguel não tinha histórico de brigas, raramente se exaltava e já havia consumido bebida alcoólica com diferentes pessoas sem se envolver em conflitos.
A vítima morreu no local em decorrência da violência extrema sofrida. O resultado do julgamento deve ser divulgado no início da tarde.
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