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Capital

Santa Casa rebate secretário e mostra equipamentos usados em áreas críticas

Secretário Geraldo Resende cobrou o 'paradeiro" de 10 respiradores entregues durante a pandemia

Por Aletheya Alves | 22/10/2020 18:45
Um dos 10 ventiladores de transporte sendo utilizado no deslocamento de paciente durante a tarde desta quinta-feira (22). (Foto: Kísie Ainoã)
Um dos 10 ventiladores de transporte sendo utilizado no deslocamento de paciente durante a tarde desta quinta-feira (22). (Foto: Kísie Ainoã)

Depois do questionamento do secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, sobre o “sumiço” de 10 ventiladores entregues à Santa Casa, o hospital resolveu mostrar os aparelhos em uso em áreas críticas. O comentário de Resende veio após denúncia sobre a volta do uso do ambu em pacientes, tipo de respirador manual, que exige esforço mecânico para funcionar.

Na manhã desta quinta-feira (22), a Santa Casa de Campo Grande acionou a imprensa e secretários de saúde para mostrar pacientes de volta aos corredores. Além de reclamar da má gestão da regulação de pacientes.

Ambu sendo utilizado devido à lotação na área vermelha do pronto socorro. (Foto: Kísie Ainoã)
Ambu sendo utilizado devido à lotação na área vermelha do pronto socorro. (Foto: Kísie Ainoã)

Irritado, o secretário Geraldo Resende rebateu a denúncia questionando: “onde estão os 10 ventiladores de transporte que eu deixei aqui na porta? Eu não vi nenhum ventilador de transporte sendo usado lá”.

Nesta tarde, ao Campo Grande News, a Santa Casa comprovou que os equipamentos em questão são usados para o devido fim: transporte de pacientes.

Conforme informado pelo hospital, três estão na unidade de trauma, dois no centro cirúrgico, dois no pronto-socorro, dois no CTI (Centro de Terapia Intensiva) e um de backup.

Coordenadora da equipe multiprofissional do hospital, Rayssa Bruna Holanda Lima disse que os dez ventiladores de transporte são distribuídos para uso em pacientes que precisam ser levados para áreas diferentes das que estão.

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Eles não ficam parados. São utilizados, por exemplo, em pacientes que saem de uma área e precisam seguir para outra ou para encaminhar essas pessoas para exames.

Exemplificando mais especificamente, Rayssa relatou que o equipamento é utilizado em pacientes que estão com o ventilador fixo e precisam sair do leito. “O paciente está entubado com o ventilador fixo. Não consigo levar esse fixo com ele durante o transporte porque ele é conectado à estrutura da parede. Então preciso do móvel durante o trajeto”.

De acordo com a coordenadora da equipe multiprofissional, o problema do uso de ambu não pode ser solucionado com os ventiladores de transporte. “O ventilador fixo possui informações do quadro do paciente que permitem medidas de avaliação e tomada de decisão para extubação. Isso a gente não consegue com o móvel. Além de que se retirarmos o respirador móvel, ficamos sem equipamento para esse processo”.

Ventilador fixo é conectado com rede de gás estruturada na parede do hospital. (Foto: Kísie Ainoã)
Ventilador fixo é conectado com rede de gás estruturada na parede do hospital. (Foto: Kísie Ainoã)

Outro ponto levantado por ela é que, na realidade, o problema é de estrutura contratada. Não adianta haver mais equipamento e não ter instalação, isso porque os ventiladores fixos precisam de estrutura de gás instalada nas paredes e que se conecta aos pacientes. Conforme informado pela Santa Casa, o SUS (Sistema Único de Saúde) tem 6 leitos contratados na área vermelha do pronto-socorro e na manhã de hoje eram 17 pessoas internadas no local.

Estado de urgência - No momento em que a reportagem estava na área vermelha do pronto-socorro durante a tarde de hoje, o médico emergencista Rodrigo Quadros se preparava para realizar o transporte de um paciente entubado.

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Estamos fazendo a mudança do ventilador fixo e colocando o móvel. Ele serve justamente para isso, fazer o transporte do paciente até outra ala ou até o local de exame. É necessário um cilindro de oxigênio para ele funcionar, que dura esse tempo de transporte.

Conforme explicado pelo médico, o ventilador de transporte até funciona em pacientes que estão em leitos parados, mas pode ser mais prejudicial do que o ambu. “É como você tentar andar de carro trocando o pneu, não consegue dar continuidade. A gente precisaria trocar o cilindro de oxigênio de hora em hora dependendo da necessidade do paciente e isso é prejudicial”.

O  médico relata que antes da entrega dos ventiladores de transporte realizada pela Secretaria Estadual de Saúde, muitas vezes era necessário fazer esse deslocamento com uso do ambu. "Agora temos esses equipamentos e conseguimos garantir melhor o transporte com qualidade".

Paciente sendo preparado para transporte entre áreas. (Foto: Kísie Ainoã)
Paciente sendo preparado para transporte entre áreas. (Foto: Kísie Ainoã)

Recursos públicos - Em resposta ao comentário do secretário municipal de Saúde, José Mauro Filho, sobre R$ 220 milhões injetados no hospital, o diretor-presidente da Santa Casa, Heitor Rodrigues Freire disse que o valor não é repasse ou investimento, mas pagamento de serviços prestados.

Temos contrato de prestação de serviços e recebemos por cada item do que já foi prestado. Apresentamos comprovante e recebemos pelo que fazemos.

José Mauro Filho lembrou dos recursos enviados respondendo à afirmação da diretoria do hospital de que o valor é insuficiente. "É importante dizer que nós estamos aqui, Estado e município, para que possamos tomar as providências. Mas, foram repassados mais de R$ 220 milhões para o hospital de dezembro pra cá e que a Santa Casa teve portarias para comprar medicamentos e insumos para ajudar a absorver esse impacto também. É importante deixar claro que houve portarias e termos aditivos para que se compre insumos e medicamentos. No entanto, a gente observa que há necessidade de organização de fluxo que nesse momento se faz necessário”, disse.

Pacientes nos corredores da Santa Casa devido à lotação. (Foto: Kísie Ainoã)
Pacientes nos corredores da Santa Casa devido à lotação. (Foto: Kísie Ainoã)


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