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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

21/06/2011 14:04

Saúde mental de Zeolla acirra embate entre defesa e acusação durante júri

Viviane Oliveira e Aline dos Santos
O procurador aposentado Carlos Alberto Zeolla durante julgamento pela morte do sobrinho. (Foto: Marcelo Victor)O procurador aposentado Carlos Alberto Zeolla durante julgamento pela morte do sobrinho. (Foto: Marcelo Victor)

Defesa e acusação mobilizaram os debates no julgamento do procurador Carlos Alberto Zeolla, 46 anos, em torno da saúde mental do réu e da capacidade dele de discernir o que fez, no dia 3 de março de 2009, quando matou o sobrinho, Cláudio Alexander Zeolla, de 23 anos, com um tiro pelas costas.

Para a a acusação, a cargo do promotor Fernando Zaupa, Zeolla é imputável, ou seja, tem conhecimento do que fazia e pode ser responsabilizado pelo crime. Segundo ele, durante interrogatório de meia hora Zeolla fez uma narrativa antes e depois do crime e falou de forma lúcida sobre como aconteceram os fatos.

O promotor disse que foi um crime premeditado, em que o acusado "atocaiou" a vítima. Segundo ele, Zeolla sabia que ia cometer o homicídio. No dia, ele levou uma roupa no carro para trocar depois. O acusado sabia que ia sujar a roupa de sangue, por causa do disparo à queima-roupa.

“Ele orientou o motorista para levá-lo até saída para Três Lagoas, jogou a arma no córrego e cinco projéteis que não foram usados”, disse. Conforme o promotor, o réu tem consciência do que fez.

“O réu estava pensando na forma de concretizar a morte da vítima, um ato premeditado, sabia das consequências”. O promotor ainda argumentou, que, conforme testemunhas, a todo instante o réu se mostrava calmo no dia do crime. “Ele não estava tomado de emoção, afirma o promotor Fernando.

Defesa - Do lado contrário, o advogado de defesa Ricardo Trad, argumenta dizendo que o crime foi uma tragédia no lar de Zeolla. Conforme o advogado, o procurador sempre foi um homem bom, competente, dedicado e foi arrastado à prática do crime.

Trad lembrou que o pai de Zeolla, Américo Zeolla, de 87 anos, foi vítima de agressão pelo neto, um jovem corpulento que, conforme o depoimento do procurador, tomava anabolizantes.

Ele pediu para as pessoas presentes no julgamento que se colocasse no lugar do Zeolla, de ter um pai octogenário agredido. Segundo ele, Zeolla perdeu o domínio emocional.

“É um crime que teve caráter passional, quando a pessoa é tomada de tamanha paixão e emoção e age com violência", argumentou Ricardo Trad. O advogado lembrou que um dia antes do crime o pai de Zeolla chorava muito e teve uma crise hipertensiva.

“A circunstância levou ele agir dessa forma, esse processo tem dois protagonistas o acusado e a vítima. A vítima o arrastou para a prática do crime”.

Emoção–Por duas vezes se emocionou com a fala do Ricardo Trad. A primeira, quando o advogado lembrou que Zeolla tentou se suicidar após o crime, quando ainda estava no Garras (Grupo Armado de Repressão e Resgate a Assaltos e Sequestros).

A segunda foi quando o advogado leu uma carta que ele escreveu para o pai.

Laudos - Dos cinco laudos, dois apontam Zeolla como incapaz, dois semi imputável, e um como imputável.

Ricardo Trad reclamou que o promotor ao fazer a representação focou apenas no laudo que ele é imputável.

Ricardo reclamou também que o promotor só se deteve no crime, e não detalhou os fatos que o antecederam. Segundo o laudo do médico Pedro Rippel, ele sofreu três isquemias cerebrais, o quadro clinico dele é compatível com demência e delírio.

Em depoimento a ex-mulher de Zeolla, Cenise Chacha, disse que a partir das isquemias, ele começou a se perder pela cidade, tinha depressão, gastos excessivos, e falava em suicídio. A defesa lembrou que ele está interditado judicialmente, portando, não é responsável por si.

O júri começou às 8h e teve 8 testemunhas no plenário. Quatro e mulheres e 3 homens vão julgar se Zeolla deve ser punido pelo crime. Depois, o juiz decidirá a pena, ou declarará a absolvição, dependendo do resultado apontado pelos jurados.



Se ele é incapaz, deveria ser revisto todo processo judicial que passou pela mãos dele. Será que ele soube algumas vez tomar decisões certas!!!?????
 
edson souto em 21/06/2011 05:56:28
Ele sabia muito bem o que fazia, já que estava tudo sob sua direção ao dirigir-se ao local. Em meu ponto de vista, alegar que agiu de forma impensada por causa do pai, é falso, uma vez que a agressão ocorreu no dia anterior e pelos laudos médicos informados na midia na época, o hospital que fez atendimento ao idoso alegou não ter havido nada de grave, a não ser um mal estar passageiro. Mas, ainda em se pensando sobre isso, já que ele prezava tanto pela saúde do pai, porque não pensou em como esse fato agiria de forma muito mais radical em sua saude, como de fato ocorreu, pois, se não me engano nisto tambem, o pai dele faleceu um tempo após esse assassinato.
E, desde então, ele não sofre as penúrias da prisão convencional, já que está em um hospital particular usufruindo das benesses de um procurador que ganha seu salário limpissimo. E pode se dar ao desfrute de um advogado de renome para tentar limpar as cacas que fez na vida. Mesmo que na base de mostrar-se aquém da integralidade moral.
 
Lara Cardoso em 21/06/2011 04:42:59
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