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Capital

Secretários querem integração de informações definida em até 3 meses

Por Rafael Ribeiro | 26/01/2017 13:01
Estados querem forçar o Governo Federal a investir mais dinheiro para a segurança da fronteira (Foto: Rafael Ribeiro)
Estados querem forçar o Governo Federal a investir mais dinheiro para a segurança da fronteira (Foto: Rafael Ribeiro)

Até o fim do primeiro trimestre os secretários estaduais de Segurança Pública dos estados vizinhos de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Paraná querem já ter em pleno funcionamento o intercâmbio de informações entre suas polícias e o compartilhamento dos bancos de dados.

O prazo foi estabelecido na manhã desta quinta-feira (26), durante reunião entre os chefes das pasta, José Carlos Barbosa (MS), Rogers Elizandro Jarbas (MT) e Wagner Mesquita (PR) na sede da Academia da Polícia Civil, no Parque dos Poderes, em Campo Grande.

Segundo Barbosa, a reunião, que se estenderá até o final do dia, definirá quando começa a integração de informação. Até março, ele espera, já tenha iniciado o compartilhamento dos bancos de dados e a organização de ações juntas de segurança na área de fronteira.


“Isso facilitará e ajudará os três estados a planejar medidas de combate ao crime em longa escala, com maior qualidade”, disse Jarbas, secretário mato-grossense. “Nós estamos saindo de uma segurança pública reativa para a pró-ativa. Não podemos mais esperar o crime acontecer, temos que nos antecipar a ele.”


Segundo os secretários, a atuação conjunta será escalonada. Os níveis de compartilhamento, seja de informações da Polícia Militar e Civil de cada estado só poderá ser acessada em sua totalidade por pessoas do alto escalão.


Encontro – O encontro desta quinta-feira tem como objetivo métodos de combater as principais fontes de renda das facções, contrabando, tráfico de drogas e roubo e explosão de caixas eletrônicos.

A criação de núcleos integrados entre os estados faz parte do planejamento do Plano Nacional de Segurança Pública, pacote de medidas lançado pelo presidente Michel Temer (PMDB) para tentar conter a guerra entre facções criminosas que deixou mais de 130 pessoas mortas em rebeliões nas penitenciárias por todo o País. Mato Grosso do Sul teve quatro vítimas fatais até aqui em seus presídios.

A ideia exposta na reunião é de integrar sistemas, agilizar as comunicações entre as polícias e organizar operações conjuntas nas áreas de divisa e fronteira, principalmente com Paraguai e Bolívia. "É um momento de crise. E como tal é preciso que os Estados se organizem para juntar suas forças", disse Barbosa.


Além da atuação conjunta, o secretário quer um grupo unido para cobrar uma maior participação do Governo Federal na segurança da fronteira. "É uma unanimidade que o Brasil abriu suas fronteiras, relegou aos estados a responsabilidade da segurança. E não há como combater o crime organizado sem reforçar a fronteira. Temos muitos aspectos culturais positivos com os vizinhos, mas há o lado negativo, da entrada de drogas e armas", disse Barbosa.

De acordo com o chefe da pasta, Mato Grosso do Sul tem hoje cerca de 7,5 mil presos por tráfico, número 394% maior que em 2006. "O Brasil não produz maconha em grande escala, coceira. Tráfico é um crime transnacional. E seus preços custam R$ 126 milhões por ano ao Estado. O governo federal tem que arcar com esse gasto. Precisamos de mais recurso e menos discurso", disse Barbosa. O secretário disse que próximos encontros deverão ocorrer mensalmente, em locais ainda a serem definidos.

Os três estados, que querem criar um subcomitê próprio dentro do Plano Nacional da Segurança Pública, quer encaminhar ainda nesta semana um pedido para reforço imediato da segurança na fronteira pelas Forças Armadas. A questão foi tratada com Temer recentemente e a promessa era de que o efetivo armado seria encaminhado até o final do ano.

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