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Capital

Sem lei, garagistas lotam ruas com carros e acabam com vagas para estacionar

Na Bandeirantes, nem revitalização acabou com abuso de empresários que usam extensão da via como "vitrine" de veículos à venda

Por Silvia Frias e Bruna Marques | 30/09/2020 16:45
Em frente de igreja, calçada é extensão de garagem na avenida Bandeirantes (Foto: Henrique Kawaminami)
Em frente de igreja, calçada é extensão de garagem na avenida Bandeirantes (Foto: Henrique Kawaminami)

O taxista Luciano Gonçalves Moraes, 56 anos, é cliente há 20 anos de sapataria instalada na Avenida Bandeirantes. Hoje, resolveu ir a pé para não enfrentar problema crônico, não resolvido nem com a recente revitalização dos 3,8 quilômetros da via: a falta de vagas, a maioria, tomada pelos veículos comercializados pelas garagens instaladas no local.

“Às vezes eu venho de carro, vou estacionar, não tem como, aí eu vou embora”, conta Moraes. Ele lembra que o problema é recorrente e acredita que isso prejudica o comércio local. “Acho que os garagistas deveriam deixar os carros no espaço deles, falta um pouco de consciência e consideração com quem também está aqui para trabalhar”.

Luciano diz que falta consciência e consideração (Foto: Henrique Kawaminami)
Luciano diz que falta consciência e consideração (Foto: Henrique Kawaminami)

A reportagem constatou que os garagistas parecem "donos da rua". São mais de 20 garagens de venda de carros e motos na Bandeirantes, comércio que já se tornou tradicional na via.

O problema, segundo comerciantes e clientes dos estabelecimentos vizinhos, é que os garagistas extrapolam o espaço físico dos seus estabelecimentos e colocam os veículos estacionados na via, ocupando toda a fachada, como uma forma de atrair ocasionais clientes que tiveram passando pelo local.

Na quadra da Igreja Cristo Luz dos Povos, entre as ruas Bélgica e Estados Unidos, toda a extensão foi tomada pelos carros comercializados por garagem próxima. Os comerciantes disseram ao Campo Grande News que os veículos são manobrados logo cedo e permanecem na avenida durante o horário todo o comercial.

“Quando chega cliente, não têm condições de estacionar aqui, tá sempre lotado”, contou o comerciante Mário Nakamuta, 70 anos, dono de loja de roupas na avenida há 30 anos. Ele já ouviu muitos relatos de quem chega ao estabelecimento dizendo que teve que parar perto e, em outras vezes, desiste.

Nakamuta lembrou que já reclamou várias vezes para os garagistas próximas, sem sucesso. “Não adianta”.

Carros à venda são manobrados e só são retirados no fim do horário comercial (Foto: Henrique Kawaminami)
Carros à venda são manobrados e só são retirados no fim do horário comercial (Foto: Henrique Kawaminami)

A comerciante Aparecida dos Santos Henrique, 56 anos, disse que há 14 anos, desde que instalou lavandeira no local, presencia a disputa por espaço. “Nunca pedi para eles tirarem, sei que é perda de tempo”. Aparecida acredita que é preciso uma fiscalização para coibir a conduta dos garagistas.

A reportagem entrou em contato com a Agetran (Agência Municipal de Trânsito) e a informação é que não há irregularidade, se todos os veículos tiverem sido estacionados de forma correta, sem interferir no Código de Trânsito Brasileiro. A fiscalização caberia à Semadur (Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano)..

Motos também tomam espaço (Foto: Henrique Kawaminami)
Motos também tomam espaço (Foto: Henrique Kawaminami)

A assessoria da Semadur, por sua vez, informou que não é de competência da secretaria, salvo se os veículos estiverem estacionados em cima das calçadas, prejudicando a passagem de pedestres e os locais utilizados como extensão do ponto comercial. Neste caso, lembra assessoria, também pode ser alvo de fiscalização da Agetran, pela infração de trânsito.

Não existe na legislação municipal nada que proíba a lotação das ruas com veículos à venda. Só são proibidos objetos para venda que ocupem as calçadas e prejudiquem o tráfego no passeio público.

Em março deste ano, a revitalização da avenida foi finalizada, com pavimentação e drenagem, obra orçada em R$ 8 milhões. A reforma era antiga reivindicação dos moradores. A via é a de principal acesso ao centro da cidade das regiões Anhanduizinho e do Lagoa, que concentram 300 mil habitantes, 35% da população de Campo Grande.

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