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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

29/07/2011 17:58

Perícia não encontrou sangue em material apreendido com enfermeiro

Paula Maciulevicius

Polícia acredita que Jodimar tenha se desfeito dos instrumentos usados em Marielly

Material foi recolhido na casa de Jodimar, no final de junho. (Foto: Simão Nogueira)Material foi recolhido na casa de Jodimar, no final de junho. (Foto: Simão Nogueira)

A Polícia já está com os laudos dos materiais apreendidos na casa de Jodimar Ximenes Gomes, suspeito de ter feito o aborto malsucedido em Marielly Barbosa Rodrigues, de 19 anos. Os resultados apontam que os bisturis, lâminas, portas-agulha e a pinça são instrumentos que podem ser usados para um aborto. Sem encontrar vestígios de sangue, o delegado responsável pelo caso, Fabiano Nagata, acredita que Jodimar se desfez do material usado em Marielly.

A busca na casa do enfermeiro trouxe à Polícia três carimbos médicos, cuja procedência será investigada. Segundo o delegado a principal suspeita é de que eram usados para comprar remédios. “Ele fala que era para pegar modelo, mas não esclareceu”, explica o delegado.

Quanto aos medicamentos, pomadas, comprimidos para dor, seringas e dois tipos de anestésicos locais, também apreendidos com o enfermeiro, o laudo mostrou que não se evidencia a aplicação em casos de aborto, por não serem específicos, mas que podem ser usados para a prática.

Para a Polícia, os instrumentos reforçam as provas já existentes contra Jodimar, baseadas em relatos de testemunhas. “Vai ao encontro de tudo o que temos”, diz Nagata.

Nesta tarde o cunhado de Marielly, Hugleice da Silva, que confessou ter levado a jovem para o aborto e posteriormente ocultado o cadáver, está sendo ouvido novamente.

Laudo aponta que instrumentos podem servir para prática de aborto. (Foto: Simão Nogueira)Laudo aponta que instrumentos podem servir para prática de aborto. (Foto: Simão Nogueira)

A Polícia quer informações completas para localizar o colega de trabalho dele que teria indicado Jodimar. O delegado afirma que precisa ter o nome completo para não envolver a pessoa errada. Hugleice se referiu ao amigo apenas como “Gaúcho”.

Em relação ao laudo da primeira caminhonete, a Polícia acredita que deve ter o resultado na próxima semana. A segunda caminhonete foi entregue hoje ao Instituto de Criminalística para perícia. Para o delegado, a apreensão desta é definitiva para o caso. “A apreensão materializa a versão dele”, fala.

Caso - Marielly saiu de casa, no Jardim Petrópolis, no dia 21 de maio - sábado - dizendo que iria resolver um problema e não foi mais vista. A família dela, inclusive Hugleice, e amigos, espalharam cartazes pelo bairro, e-mails e foram à OAB/MS e Assembléia Legislativa.

O corpo foi encontrado no dia 11 de junho com roupa diferente daquela que a garota havia saído de casa, sem feto e com cor acinzentada, indicando a perda de sangue.

A perícia constatou que não havia marcas de violência no corpo e que, diante da informação de que ela estava grávida, a morte foi resultado do aborto malsucedido.

A Polícia suspeitou de Hugleice porque quebra de sigilo telefônico constatou que ele foi a última pessoa com quem ela conversou, a empregada de Jodimar o viu na residência onde ela trabalhava e, ainda, porque no local onde o cadáver estava havia embalagens de halls, ‘vício’ do rapaz, conforme informado pela dentista dele à Polícia.

A família de Marielly mentiu à Polícia sobre Hugleice. Todos disseram que o rapaz estava em casa no dia 21 de maio, no fim da tarde, quando a operadora de celular dele indicou que ele estava em Sidrolândia. A princípio, a família não será punida criminalmente pela mentira.

Jodimar - O enfermeiro continua negando envolvimento no caso. Ele se apresentou à Polícia no dia seguinte ao decreto da prisão. A defesa dele ainda contesta as provas reunidas contra ele.



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