Sem sinalização e com alta velocidade, acesso a bairros vira risco diário
Veículos de carga e de passeio descem pela alça do viaduto muitas vezes sem parar, dizem moradores
RESUMO
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Moradores da região da Avenida Ministro João Arinos, em Campo Grande, relatam situações de risco causadas por caminhões que descem o viaduto Engenheiro Paulo Avelino de Rezende em alta velocidade sem respeitar a alça de acesso. Pedestres e motoristas pedem redutores de velocidade, sinalização e fiscalização. A prefeitura e o Detran foram contactados, mas ainda não responderam.
Imagine estar indo para casa com seus filhos no carro e, ao passar pelo viaduto Engenheiro Paulo Avelino de Rezende, ver o veículo quase ser atingido por um caminhão que decidiu não parar na alça de acesso à Avenida Ministro João Arinos. Essa situação aconteceu com a dona de casa Paula da Silva Gamarra e assustou toda a família por conta do risco que, só não virou acidente pelo reflexo de quem estava ao volante.
"Nós estávamos voltando da escola com as crianças. Foi um susto na hora. Eram duas carretas, nenhuma parou, tivemos que mudar de faixa em cima. Por um triz não pegou no nosso carro. Se é uma pessoa ainda inexperiente na direção, poderia acontecer um acidente", declarou.
A cena é recorrente para quem passa todos os dias pela região. Vídeos nas primeiras horas da manhã mostram o intenso fluxo de veículos de carga dividindo espaço com os carros de passeio, utilitários e motocicletas. Na imagem é possível ouvir a buzina de um caminhão em alta velocidade avisando para um motociclista se afastar.
Na gravação, é possível ver a motocicleta, que também está rápida, saindo da faixa e quase derrapando na pista. Em poucos minutos, outros veículos descem pela mesma alça de acesso sem parar, alguns em momentos de fluxo parado e outros apenas tentando a sorte entre um veículo e outro.
Ao Campo Grande News, a aposentada Sueli Aparecida da Silva, 60 anos, relatou que também já teve o carro quase atingido ao passar pela alça de acesso. “Os caminhões descem muito rápido sem parar. Era preciso ter um redutor de velocidade, fiscalização”, afirma.
Para João Aparecido Ferreira, motorista de 52 anos, o problema piora nos horários de pico, nas primeiras horas do dia, quando o fluxo de veículos é intenso para quem sai do bairro, e no fim da tarde, quando os moradores da região retornam.
“É preciso ter um controle maior do trânsito aqui. São muitos caminhões dividindo espaço com os moradores dos vários bairros da região. Aqui é perímetro urbano, não tem outra saída ou outro acesso”, pontuou.
Há também quem prefira falar sem se identificar. Morador do Maria Aparecida Pedrossian, homem de 50 anos, afirmou não entender a ausência de um redutor de velocidade na entrada do bairro ou, ao menos, uma placa de pare na alça de acesso do viaduto para a avenida.
“Eu não posso me identificar não (risos), mas está difícil entender o trânsito aqui. Não tem redutor de velocidade, é perímetro urbano, não tem placa de pare, vai ficar assim até acontecer um acidente grave”, afirmou.
Principal acesso
A Avenida Ministro João Arinos, principal via de acesso aos bairros da região e talvez a única para alguns deles, enfrentou problemas recentes no trânsito. Em abril deste ano, a pista registrou um congestionamento de 14 quilômetros, com carros que tentavam chegar ao show da banda Guns N’ Roses, no Autódromo Internacional de Campo Grande, junto com moradores que tentavam chegar às suas casas.
Na ocasião, o fluxo intenso de veículos evidenciou o gargalo viário no trecho, considerado um dos principais corredores de ligação entre a saída para Três Lagoas e bairros como Maria Aparecida Pedrossian, Jardim Veraneio, Jardim Noroeste e adjacências.
Agora, moradores afirmam que, além da lentidão em horários de grande movimento, a ausência de redutores de velocidade, sinalização adequada e fiscalização aumenta ainda mais o risco de acidentes envolvendo veículos pesados.
A reportagem procurou a Prefeitura de Campo Grande e o Detran (Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul) para saber como é feito o controle do tráfego no local, se existem registros de reclamações ou acidentes na região e se há previsão de intervenções para melhorar a segurança viária.
O Detran informou que a responsável pelo trânsito em Campo Grande é a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) que ainda não deu retorno.
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