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Campo Grande, Domingo, 21 de Abril de 2019

11/04/2019 08:37

Sindicato faz café da manhã para apoiar policial em dia de julgamento

Antes das 8h, o grupo de policiais fazia fila em frente ao Fórum. Eles levaram café da manhã, água e salgadinhos. Enquanto isso, os familiares e amigos de Adriano pedem por Justiça

Viviane Oliveira e Aline dos Santos
Vestidos de camiseta azul, policias em frente ao Fórum aguardando o portão abrir (Foto: Direto das Ruas) Vestidos de camiseta azul, policias em frente ao Fórum aguardando o portão abrir (Foto: Direto das Ruas)

Uniformizados de camiseta azul com a frase: “Estamos com você Moon. #Justiça seja feita”, cerca de 70 policiais entre rodoviários federais, militares, civis e guardas municipais vão acompanhar o júri do PRF (Policial Rodoviário Federal), Ricardo Hyn Su Moon, acusado de ter matado a tiros o empresário Adriano Correia Nascimento, durante desentendimento no trânsito no dia 31 de dezembro de 2016.

Por volta das 7h30 desta quinta-feira (11), o grupo de policiais fazia fila em frente ao Fórum. Eles levaram café da manhã, água e salgadinhos. Enquanto isso, os familiares e amigos de Adriano pediam por Justiça. O julgamento está marcado para começar às 8h, na 2ª Vara do Tribunal do Júri. O SINPRF (Sindicato dos Policiais Rodoviários Federais de Mato Grosso do Sul) deu apoio logístico para o café da manhã e camiseta. Segundo o presidente do sindicato, Ademilson de Souza Benitez, o que levou o grupo ao Fórum foi o sentimento de que a função do policial é um sacerdócio.

“Temos um compromisso de defesa à vida. Compromisso pelo bem comum. Não somo policiais somente no período do plantão. Somos policiais o tempo todo. O bandido reconhece o policial”, disse Adenilson. Ele afirma que não foi uma briga de trânsito, pois o policial seguia para o trabalho quando se deparou com um ilícito e cumpriu o seu dever de ofício. “Esperamos que a defesa sensibilize os jurados. Esperamos que leve em conta o histórico do Moon”.

Amigos de Adriano também aguardavam para entrar no Fórum (Foto: Marina Pacheco) Amigos de Adriano também aguardavam para entrar no Fórum (Foto: Marina Pacheco)

Amiga de Adriano durante 15 anos, Erica Ribeiro, 45 anos, ficou surpresa com a manifestação em favor do réu. “Cheguei às 7h30 e já estavam todos na frente do Fórum em fila para entrar. Ela também espera por Justiça, mas na ótica dela que o PRF seja condenado e pague pelo que fez. “Foi uma covardia. Polícia tem que defender e não matar”, lamentou com os olhos lacrimejando.

Também muito emocionada, Marili Correia do Nascimento, mãe de Adriano, espera por Justiça. “O policial não precisava ter agido dessa forma. Poderia ter feito de outra maneira. Não desejo a dor que estou sentindo para ninguém”, disse.

Vestida com camiseta com a foto da vítima estampada e palavra “eterno”, a funcionária e amiga há mais de 7 anos de Adriano, Cristina marques, 47 anos, diz que toda vez que fala do amigo chora. "Espero que o policial seja condenado. Saudades foi o que ficou de Adriano".

Caminhonete bateu em poste após comerciante ser baleado. (Foto: Alcides Neto/arquivo Campo Grande News)Caminhonete bateu em poste após comerciante ser baleado. (Foto: Alcides Neto/arquivo Campo Grande News)

Caso - De acordo com o MP/MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), no dia 31 de dezembro de 2016, por volta das 5h40, na Avenida Ernesto Geisel, esquina com a Rua 26 de Agosto, o acusado matou Adriano e tentou matar outras duas vítimas. O policial conduzia um veículo Mitsubishi Pajero, enquanto Adriano estava em uma caminhonete Toyota Hilux.

Ainda conforme a denúncia, ao fazer conversão à direita, a vítima não percebeu a proximidade com o veículo do acusado e quase provocou um acidente de trânsito. Em seguida, o acusado abordou as vítimas, descendo de seu veículo, já com uma arma de fogo, dizendo que era policial e chamou reforço. As vítimas chegaram a descer do carro e solicitaram que o acusado mostrasse sua identificação visto que, pela vestimenta que trajava, não era possível saber se ele era policial rodoviário federal. Diante da recusa do acusado, eles retornaram ao carro e Adriano ligou a caminhonete iniciando manobra para desviar do veículo do acusado que estava impedindo sua passagem.

Quando Adriano iniciou o deslocamento, o policial efetuou disparos na direção dele. Após os disparos, o veículo das vítimas prosseguiu por alguns metros e bateu num poste de iluminação. Adriano foi atingido em várias partes do corpo e morreu no local. O crime no trânsito se desdobrou em várias polêmicas, como o horário de fato em que o policial foi preso, como chegou à delegacia totalmente fardado, se no local do crime usava camiseta listrada. Por fim, dois maçaricos, semelhantes a revólver, foram encontrados na caminhonete do morto após duas perícias não ter avistado os objetos. Veja, abaixo, a galeria de fotos do julgamento. 




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