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Política

Gerson Claro entra no radar do Senado e testa caminhos para 2026

Candidatura é tratada como projeto em construção dentro do campo aliado

Por José Cândido | 05/02/2026 14:35
Gerson Claro entra no radar do Senado e testa caminhos para 2026
Deputado estadual Gerson Claro, presidente da Assembleia Legislativa. (Foto divulgação).

Apontado nos bastidores como virtual candidato ao Senado Federal, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Gerson Claro, começa a ser observado além das fronteiras do Parlamento estadual. Ainda sem anúncio formal, a possível candidatura não surge como ruptura, mas como desdobramento natural de um percurso político que amadureceu dentro do Legislativo e agora ensaia voo mais alto.

RESUMO

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O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, Gerson Claro, desponta como potencial candidato ao Senado Federal em 2026. Sua trajetória política, consolidada no Legislativo estadual, indica uma evolução natural para um cargo de maior amplitude nacional. A possível candidatura se fortalece pela estreita relação com o governador Eduardo Riedel e sua base política. Como presidente da Assembleia, Claro mantém diálogo com diferentes partidos e lideranças regionais, focando em pautas como infraestrutura, agronegócio sustentável e desenvolvimento social do estado.

A construção desse projeto, no entanto, está longe de ser automática. O Senado é um território onde convivem ambições pessoais, interesses partidários e acordos de longo prazo. E é nesse terreno que o deputado testa, com cautela, a viabilidade do próprio nome.

Um projeto em construção, não um salto improvisado

A ideia de disputar o Senado não aparece como decisão fechada, mas como projeto em fase de consolidação. Ao longo dos últimos anos, Gerson Claro deixou de ser apenas um operador político interno para se tornar uma das principais figuras institucionais do Estado, comandando a Assembleia em momentos de alta complexidade fiscal, política e administrativa.

Esse reposicionamento ajuda a explicar por que o Senado passa a ser considerado agora. O cargo, além do prestígio, oferece capacidade real de influência sobre decisões estruturantes, algo que o Parlamento estadual, por natureza, não alcança plenamente.

A equação mais difícil: viabilizar politicamente

Se a candidatura se justifica do ponto de vista institucional, o desafio maior está na articulação política. Uma disputa ao Senado exige convergência ampla — e Mato Grosso do Sul tradicionalmente concentra mais postulantes do que vagas disponíveis.

O comando da Assembleia, por outro lado, funciona como ativo político. A presidência do Legislativo coloca Gerson Claro em diálogo permanente com diferentes partidos, correntes ideológicas e lideranças regionais, o que fortalece seu capital político interno.

Ainda assim, a convivência com aliados que também alimentam projetos próprios exige habilidade. O caminho passa menos pelo confronto e mais pela construção de consensos, inclusive avaliando cenários onde composições nacionais e estaduais se cruzam.

Por ora, as conversas permanecem mais intensas no plano estadual, mas o avanço do projeto tende a exigir interlocução direta com lideranças nacionais, onde a equação eleitoral costuma ser decidida.

Aliança com o governo como ativo político

A relação de Gerson Claro com o governador Eduardo Riedel não é apenas institucional — é estreita, contínua e estratégica. Diferentemente de candidaturas que buscam se afastar do Executivo para marcar independência, o presidente da Assembleia trabalha com a lógica oposta: transformar a proximidade com o governo em ativo político.

A leitura é pragmática. O alinhamento com Riedel oferece musculatura política, acesso a uma base ampla de prefeitos, parlamentares e lideranças regionais, além de inserir o projeto do Senado dentro de um campo governista organizado, capaz de dar sustentação tanto à viabilização da candidatura quanto, mais adiante, à disputa eleitoral propriamente dita.

Nesse desenho, a relação com o Palácio não é vista como risco, mas como pilar de construção. O desafio, caso o projeto avance, não será explicar a parceria, mas administrar o discurso de autonomia no Congresso sem romper com o campo político que lhe dá sustentação no Estado.

Gerson Claro entra no radar do Senado e testa caminhos para 2026
Com o governador Eduardo Riedel: musculatura política e acesso a uma base ampla de prefeitos. (Foto divulgação).

O que muda quando o senador tem protagonismo

No Congresso, protagonismo não se mede apenas por discursos, mas por capacidade de articulação, inserção em comissões estratégicas e influência no Orçamento. Para Mato Grosso do Sul, isso significa destravar obras, defender interesses logísticos, ampliar investimentos e reduzir assimetrias regionais.

Infraestrutura, integração logística, desenvolvimento regional e redução das desigualdades internas aparecem como eixos centrais. A avaliação é de que o Estado ainda perde espaço em Brasília por falta de articulação coordenada e presença mais assertiva em decisões estratégicas.

Economia, produção e o debate ambiental

Em um Estado que vive ciclo robusto de investimentos, o Senado tem papel decisivo na garantia de segurança jurídica e previsibilidade regulatória. A defesa do agronegócio, no entanto, não é tratada de forma isolada, mas integrada ao debate ambiental — especialmente em um cenário nacional cada vez mais atento à sustentabilidade.

A percepção é de que Brasília ainda mantém certo distanciamento das realidades do campo, o que exige representantes capazes de traduzir as demandas produtivas sem negar compromissos ambientais e sociais.

Agenda social e reconstrução da confiança

Além das grandes obras, a pauta social surge como elemento inegociável. Educação, saúde e políticas públicas estruturantes aparecem como legado desejado, especialmente em um momento de crise de confiança entre Congresso e sociedade.

Reduzir essa distância passa por transparência, diálogo permanente e atuação concreta — menos retórica, mais resultado.

Senado: chegada ou novo ponto de partida?

No horizonte, a pergunta permanece aberta: o Senado seria um ponto de chegada ou parte de um projeto político mais amplo? A resposta ainda não está dada. O que se desenha é um movimento calculado, onde tempo, alianças e leitura de cenário serão determinantes.

Por enquanto, Gerson Claro observa, articula e constrói. O Senado, ao que tudo indica, deixou de ser apenas uma hipótese distante e passou a integrar o mapa real das possibilidades políticas de 2026.