Sindicato reclama de gravação clandestina e diz que levará caso à Justiça
Presidente afirma que reunião tratava de remuneração e atribui acusações a manifestações individuais
O Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul) pretende recorrer à Justiça após descobrir que reunião da categoria, realizada em fevereiro deste ano, foi gravada clandestinamente por Alessandro Dias Junqueira, então gerente administrativo da Santa Casa de Campo Grande. O encontro reuniu cerca de 40 médicos e teve trechos incorporados à investigação que apura suspeitas de desvios de recursos no hospital.
RESUMO
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O Sinmed-MS anunciou que recorrerá à Justiça após descobrir que uma reunião com cerca de 40 médicos, realizada em fevereiro, foi gravada clandestinamente por Alessandro Dias Junqueira, então gerente administrativo da Santa Casa de Campo Grande. O sindicato publicou nota de repúdio classificando o episódio como vigilância ilegal. A gravação integra investigação do MPMS sobre suspeitos desvios de recursos no hospital.
À reportagem, o presidente do sindicato, Marcelo Santana, afirmou que Alessandro não tinha autorização para participar da assembleia e contestou a versão de que ele teria sido convidado por uma médica. Segundo Santana, pessoas que não são médicas não podem ser convidadas a participar de encontro da categoria.
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“A posição da entidade é buscar a Justiça em relação a isso”, afirmou. Para ele, houve infiltração em uma reunião sindical destinada a discutir assuntos da categoria. O sindicato também publicou nota de repúdio nesta terça-feira (15), na qual classificou o episódio como “vigilância clandestina de reunião sindical” e informou que avalia medidas judiciais.
Na gravação divulgada pela investigação, Alessandro relata que médicos fizeram críticas à administração da Santa Casa, inclusive acusações contra o então diretor administrativo e financeiro Rinaldo Hakme Romano. Ele também menciona questionamentos sobre despesas do hospital, como o pagamento de salário ao padre Ricardo.
Marcelo reconhece que havia forte insatisfação entre os profissionais, principalmente devido aos atrasos nos pagamentos e às condições de trabalho. Segundo ele, o problema financeiro se arrasta há anos e atinge de forma diferente os médicos, conforme o tipo de contratação. Entre os celetistas, os atrasos costumam ser mais curtos, enquanto profissionais contratados como pessoa física ficam mais tempo sem receber. “É óbvio que a categoria estava descontente", disse. O presidente acrescentou que também há períodos de falta de insumos e materiais, situações que geram reclamações ao sindicato.
Segundo o médico, antes de recorrer à Justiça, a entidade costuma notificar a Santa Casa sobre problemas relatados pelos profissionais. Quando necessário, afirma, denúncias também são encaminhadas aos órgãos competentes.
Sobre as acusações feitas durante a reunião, o presidente ressaltou que falas sobre supostos roubos, despesas com o padre ou outros integrantes da administração partiram individualmente de médicos e não representam uma posição oficial do sindicato. “São manifestações individuais, não da entidade. Acusar alguém de ladrão, como entidade, só faríamos se tivéssemos embasamento”, afirmou.
Na nota divulgada nesta terça-feira, o Sinmed também afirma que o encontro de fevereiro tinha como pauta questões salariais e a data-base da categoria. O sindicato sustenta que Alessandro compareceu à reunião sem autorização e repassou posteriormente a gravação, além de informações sobre os médicos presentes, à administração do hospital.
Apesar da crise e do descontentamento, Marcelo afirmou que a categoria mantém os atendimentos. “Os médicos nunca abandonaram a Santa Casa e nunca deixaram de garantir o atendimento à população. Independentemente da situação, a categoria continua garantindo a assistência”, disse.

A reunião veio à tona após o Campo Grande News revelar, nesta terça-feira, áudios obtidos pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Em uma das conversas, Alessandro relata à então presidente Alir Terra Lima o conteúdo do encontro e afirma que suspeitas sobre a administração já circulavam entre médicos.
O material integra a apuração que resultou na Operação Antidotum, deflagrada na sexta-feira (11) pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), com participação do Gaeco. A ação cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO). Entre os presos estavam Alir e integrantes da direção do hospital. As apurações envolvem um contrato para digitalização de prontuários e contratações da Operadora Santa Casa Saúde, com prejuízo inicialmente estimado em pelo menos R$ 4,9 milhões.
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